quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

ACUMULAÇÃO DE SANÇÕES - OFICIAIS 3

Antes de mais, quero pedir desculpa. Tenho tido uma época de exames apertadíssima e actualizo o blogue com a frequência possível.
Com o post de hoje, espero concluir o tema "Acumulação de Sanções a Oficiais".
Vou falar da importância de, ao atribuir sanções consecutivas ao mesmo banco, o tempo começar ou não a contar.
Não o vou fazer com recurso a regras, mas apenas e só a (poucos) exemplos práticos.
  1. Imaginemos um oficial excluído aos 12m10. Se for desqualificado logo de seguida (por insultos, por exemplo), ANTES do jogo recomeçar, sai UM elemento dessa equipa durante 2min. A sanção aos oficiais NÃO É CUMULATIVA.
  2. O mesmo oficial é excluído aos 12m10. Sai um elemento durante 2min.
    O jogo RECOMEÇA e aos 12m15 esse oficial (ou outro) é desqualificado. Sai outro elemento dessa equipa. Aos 14m10 entra um elemento e aos 14m15 entra outro.

    Neste caso, recordo que a equipa tem de ficar reduzida de 1 ou 2 elementos dentro do campo. Ou seja, os elementos que saem para cumprir o tempo das sanções aos oficiais poderão entrar em campo desde que outro elemento saia durante o tempo da sanção.
    Aos jogadores que saem neste caso não é averbada qualquer sanção.

sábado, 9 de janeiro de 2010

ACUMULAÇÃO DE SANÇÕES - OFICIAIS 2

Sei que esta situação origina sempre muitas dúvidas.
Por isso mesmo, no próximo post, eu planeava dar exemplos de situações que podem conduzir a acumulação de sanções, mas a intervenção do Aníbal fez com que eu alterasse os planos. E parece-me melhor fazer novo post sobre isso do que apenas responder.
É preciso considerar 2 situações.
  1. Já houve um amarelo e uma exclusão a oficiais
    Aqui não há dúvidas, qualquer outra sanção a oficiais deve ser cartão vermelho. Por sanções mais ou menos graves.
  2. Ainda não há sanções ao banco
    Neste caso, depois da amostragem de um cartão vermelho, é possível a exibição de um amarelo.
    A regra diz que pode haver um cartão amarelo e uma exclusão a oficiais, mas não refere nada acerca da ordem com que elas são dadas.
    Imaginemos que o Oficial A de uma equipa insulta gravosamente o árbitro aos 5min de jogo e é desqualificado.
    Se aos 10min o Oficial B dessa equipa protestar uma decisão do árbitro, pode ver apenas cartão amarelo! Só terá de ser desqualificado se estiverem esgotadas as sanções ao banco!
    Neste caso, pode considerar-se a sanção ao banco como regressiva.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

ACUMULAÇÃO DE SANÇÕES - OFICIAIS

Após uma pausa "forçada", volto hoje a publicar aqui no blogue.
O tema será as sanções atribuídas aos oficiais presentes no banco das equipas.

A melhor forma de o fazer é através de transcrições do livro de regras, com alguns comentários breves meus, porque a regra é suficientemente clara.

16:1 (...) Não deve ser dada mais do que uma advertência, no total, aos oficiais de uma equipa.

Pode haver APENAS UM cartão amarelo exibido aos oficiais de cada equipa.

16:3 (...) Não é possível sancionar os oficiais de uma equipa com mais de uma exclusão de 2 minutos no total.

Pode haver APENAS UMA exclusão atribuída aos oficiais de cada equipa.

Poderão haver tantas desqualificações quanto oficiais presentes no banco.

Não há expulsões a oficiais, inclusivamente em casos de agressão, pois a regra só fala em jogadores como sendo puníveis com esta sanção.


Vou continuar com este tema nos próximos posts.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

FELIZ ANO NOVO

Deixo aqui aos leitores deste espaço os meus votos para que tenham umas entradas muito felizes em 2010, e que o Ano Novo seja recheado de sucessos, quer a nível pessoal quer a nível desportivo.

sábado, 26 de dezembro de 2009

ACUMULAÇÃO DE SANÇÕES - JOGADORES

Já não estava habituado a estar 3 dias sem ligar o computador, mas esta altura do Natal obriga-nos sempre a sair da rotina. Espero que todos os leitores deste espaço tenham tido um Natal muito feliz, e faço votos para que esta pausa natalícia permita a todos ganhar força para a noite de fim de ano... :)
Hoje falo um pouco de um tema que obriga sempre a fazer um pouco de matemática.
A acumulação de sanções a jogadores e a oficiais não se processa da mesma forma, e hoje falo apenas daquilo que diz respeito a jogadores.
Em jogos sem exclusões simultâneas as contas são fáceis de fazer, mas por vezes as coisas complicam-se e torna-se imperioso um pouco de cautela quando surge a necessidade de actuar disciplinarmente com frequência.
O melhor é falar usando casos práticos.
  1. Jogador excluído aos 15m10, reincide em comportamento anti-desportivo e é novamente excluído antes do jogo começar.
    O jogador cumpre 4 minutos de suspensão e só reentra aos 19m10. A equipa fica reduzida durante este tempo de UM jogador.
  2. Jogador excluído aos 15m10, entra em comportamento anti-desportivo grave e é desqualificado antes do jogo começar.
    O jogador não reentra em campo. A equipa fica reduzida durante 4 minutos de UM jogador, ou seja, fica completa aos 19m10.
  3. Jogador excluído aos 15m10, e agride um adversário antes do jogo começar.
    O jogador não reentra. A equipa fica reduzida de UM jogador até ao fim do jogo.
  4. Jogador excluído aos 15m10. O jogo recomeça. Já no banco, o jogador entra em comportamento anti-desportivo e é sancionado com exclusão aos 15m15.
    Ao jogador são atribuídas 2 exclusões. Esse jogador só reentra aos 17m15.
    É retirado um elemento do campo para cumprir o tempo restante da primeira sanção. Este elemento pode entrar a qualquer momento desde que outro saia para manter a inferioridade numérica dessa equipa até aos 17m10. Não é averbada nenhuma exclusão a esse jogador que sai para cumprir o tempo do verdadeiro infractor.
    Entre os 15m10 e os 15m15: equipa reduzida de UM elemento.
    Entre os 15m15 e os 17m10: equipa reduzida de DOIS elementos.
    Entre os 17m10 e os 17m15: equipa reduzida de UM elemento.

Com esta forma de apresentar as situações, torna-se (penso!) mais claro entender este tipo de situações que obriga sempre a contas.

Como sempre, quaisquer dúvidas, não hesitem em dizer.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

OPINIÃO - TÉCNICA / TÁCTICA

Antes de mais, novamente peço desculpa pela fraca actualização do blogue. Tenho tido umas semanas absolutamente preenchidas, e tem-me sido difícil escrever. Mas agora arranjei um tempinho.

O meu post hoje é mais uma opinião pessoal do que uma indicação.
Devem os árbitros perceber de técnica e táctica? Devem os treinadores e atletas ter formação em regras e aplicação das leis de jogo?
Na minha opinião, ABSOLUTAMENTE SIM!
A minha forma de pensar vale o que vale, mas as nossas performances individuais só melhorarão se o trabalho for conjunto. Só teremos melhores árbitros se estes tiverem a colaboração das equipas e só teremos melhores atletas se tivermos melhores árbitros. Logo, a formação tem de ser mútua.

Um exemplo de como é extremamente útil aos árbitros perceberem de táctica está nas marcações individuais. Saber como se posicionar é da maior importância a um árbitro que se vê numa situação destas. Um mau posicionamento origina más avaliações de um lance e a possível colisão com um atleta.
Outro exemplo de como conhecer técnica individual pode melhorar a nossa actuação é nos casos dos bloqueios dos pivots, que nos permitirá distinguir um bloqueio de uma falta atacante.

Se formos para o outro lado da barricada, perceber que a tendência de um árbitro a estar especialmente atento à duração de um ataque de uma equipa em inferioridade numérica é grande, e isso pode levar ao planeamento de uma melhor estratégia de ataque sem se ser surpreendido pelo braço no ar.

Isto são só exemplos muito simples! Já nem vou falar dos atritos desnecessários que existem, e muitos deixariam de existir se houvesse trabalho em conjunto, em que as partes se desenvolveriam de forma não isolada. Muitas vezes ouvimos protestos em situações inacreditáveis de desconhecimento de regras, mas também há árbitros que correm o risco de estragar um jogo com más decisões oriundas do não conhecimento da técnica e da táctica das equipas.

Pode ser uma utopia minha, mas sempre insistirei no trabalho em conjunto até me provarem que não é a melhor solução.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

INVERSÃO DO SENTIDO DE JOGO

Já não é a primeira vez que me colocam questões relacionadas com a inversão do sentido de jogo.
Vou tentar colocar esta questão de uma forma simples, para que pelo menos os leitores deste blogue possam ficar definitivamente esclarecidos.
Não me vou referir a situações de âmbito técnico como passos, dribles ou faltas atacantes, mas apenas a situações derivadas de sanções disciplinares.
A sanção pode ser aplicada aos jogadores ou aos elementos presentes no banco da equipa, ou ainda em caso de substituições irregulares. Basicamente, qualquer sanção disciplinar pode dar origem a uma inversão de sentido de jogo, se acontecer uma coisa básica: o jogo não pode estar interrompido e a bola tem de estar na posse da equipa sancionada.
Por "jogo interrompido" entendo todas as situações em que a bola não esteja em movimento, tal como:
  • Bola em direcção ao meio campo, após golo;
  • Antes da execução de um lançamento 7m ou 9m, por exemplo, após falta;
  • Jogo parado para assistência a um jogador lesionado.

Em situações como as descritas, a bola deve continuar na posse da equipa sancionada.

Em jogo corrido, a bola deve passar para a posse da outra equipa.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

(DES) MARCADORES ELECTRÓNICOS

Mais uma vez, deixo um post devido a um pedido de uma opinião pessoal. No caso de hoje, sobre os marcadores electrónicos existentes nos pavilhões.

Pessoalmente, prefiro quando existem 2 marcadores, um em cada topo do pavilhão, por cima das balizas. Facilita muito mais quando é necessário olhar para lá, porque na maior parte do tempo estamos de frente para uma das balizas, e se houver necessidade de recorrer a eles durante uma circulação de bola essa tarefa torna-se bastante rápida. Mas obviamente isso não é sempre possível.

Mas o que me leva mesmo a escrever este comentário é o mau estado de alguns marcadores electrónicos, que tornam, por vezes, quase inútil a sua existência.

Qual é o papel dos marcadores públicos? Tornar claro para TODOS o tempo e o resultado. Por TODOS refiro-me a jogadores, dirigentes, treinadores, equipa de arbitragem, e público...
Vejamos um exemplo de uma situação que pode ocorrer (já não é a primeira vez), devido ao mau estado de um marcador público, imaginando que o segmento que distingue um "9" de um "8" está avariado e não acende:
  • Jogador excluído aos 17m01
  • Jogador vem para o banco, sabendo que pode entrar aos 19m01
  • O jogo recomeça e quando o jogador olha para o marcador, vê 19m06 e entra
  • O oficial de mesa interrompe o jogo e informa que o tempo de jogo é, na verdade, 18m06
  • Jogador vê nova sanção de 2 minutos

Isto vai prejudicar uma equipa, criar atritos desnecessários, o público dificilmente vai compreender, etc... Tudo por uma confusão evitável.

Entendo que este é um momento financeiramente difícil para a sociedade em geral, e para os clubes em particular, mas ter um marcador público a funcionar correctamente é contribuir para um bom espectáculo.

domingo, 29 de novembro de 2009

COMENTÁRIOS DA BANCADA

Pediram-me há algum tempo a minha opinião sobre os comentários vindos da bancada, e estratégias para lidar com eles.
Isso é daquelas coisas que só o tempo e a experiência podem permitir a evolução psicológica do árbitro. Não é fácil suportar insultos vindos de todo o lado, mesmo que tenhamos a percepção que podemos ter tido uma má decisão, mas principalmente quando temos a certeza absoluta que estamos certos.
Só a forma de estar de cada um pode permitir criar uma estratégia pessoal para ultrapassar os ataques que muitas vezes a bancada nos dirige. E não falo dos protestos em relação a situações de jogo, porque isso é o pão nosso de cada dia, e anormal seria isso não acontecer. Falo do insulto gratuito, do ofender por ofender. É certo que uma pessoa ao escolher a carreira de árbitro tem de estar preparada para certas inevitabilidades, mas a preparação a este nível nunca será total. Vai sempre haver a possibilidade de um descontrolo visível ou não.
Pessoalmente, prefiro toda uma bancada a protestar comigo do que só uma pessoa, um caso isolado. A tendência para olhar é demasiado grande, e é um movimento difícil de controlar. Uma só pessoa desconcentra, uma bancada inteira não. Friso bem que não estou a falar de uma resposta ao insulto, mas apenas e só da tentação para olhar.
Mas mais que o insulto localizado, vindo de um só local da bancada, incomoda muito mais a ignorância. Ouvir uma pessoa reclamar algo que não faz o mais pequeno sentido não é grave nem incomoda. Mas o insulto vindo de alguém que não percebe nada de andebol acaba sempre por revoltar um pouco.
Acima de tudo, gosto de "humanizar" o árbitro. Muita gente vê-nos como máquinas que não podem errar. Mas nós somos humanos, erramos (e muitas vezes temos percepção disso mal apitamos), temos sentimentos e emoções, temos problemas em casa, na vida pessoal e no trabalho. Somos como os outros intervenientes no jogo! Se um jogador falha um contra-ataque, "coitado, teve azar", se não vemos uma falta porque algum jogador se intrometeu no nosso campo de visão, muitas vezes já somos filhos disto e daquilo, estávamos mal colocados, e não temos direito a ter azar...
Mas claro que temos de estar preparados para tudo, tal como é a nossa função.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

PEDIDOS DE TIME-OUT

Hoje falo de um tema que, não sendo de muito difícil compreensão, pode tornar-se num caso bicudo para os árbitros.
Há que pensar numa coisa, acima de tudo: o momento da entrega do cartão verde na mesa é que prevalece. Acontece que, algumas vezes, no espaço de tempo que o oficial de mesa demora a carregar na buzina, a equipa que solicita o time-out perde a posse de bola. Isto gera alguma confusão, mas na verdade é o momento da entrega do cartão verde na mesa (ENTREGA, não ARREMESSO, como por vezes acontece) que importa analisar. Isto NÃO É um erro do oficial de mesa, é uma demora natural, que por norma nem sequer é superior a 1 segundo, embora por vezes suficiente para uma equipa perder a posse de bola.
Se houver um remate, a bola fôr no ar, e essa equipa solicitar time-out, ele tem de ser concedido, e a posse de bola pertence-lhe aquando do recomeço de jogo.
Agora imaginemos um exemplo de um caso extremo...
A buzina do marcador electrónico está avariada e é preciso fazer a sinalização sonora através da utilização de um apito.
Uma equipa solicita time-out, entregando o cartão verde na mesa aos 21m20, mas ao pegar no apito o oficial de mesa atrapalha-se, deixa que ele escorregue, e só apita aos 21m24. Imaginemos ainda que, nesse período, houve um golo aos 21m22 e uma exclusão aos 21m23. É muito azar, mas pode acontecer... É fulcral fazer a seguinte análise dos vários aspectos:
  1. SANÇÃO TÉCNICA
    Qualquer sanção técnica assinalada após a entrega do cartão é REVERSÍVEL. Passos, dribles, livres de 7m, golos, tudo volta atrás.
  2. SANÇÃO DISCIPLINAR
    Qualquer sanção disciplinar atribuída após a entrega do cartão é IRREVERSÍVEL. Amarelos, vermelhos, exclusões ou expulsões MANTÊM-SE.
  3. RECOMEÇO DO JOGO
    Para todos os efeitos, o jogo foi interrompido aos 21m20. O oficial de mesa só não parou logo o tempo porque se atrapalhou. Nota importante: o oficial de mesa deve parar imediatamente o tempo, tem essa autoridade e esse dever.
    O jogador excluído poderá reentrar aos 23m20, pelo que cumprirá a sanção que lhe foi atribuída.
    Não é possível validar o golo e o jogo recomeça onde estava aquando da entrega do cartão verde, obviamente com posse de bola para a equipa que estava a atacar.
    Se não for possível fazer o marcador electrónico recuar os 4seg que decorreram excessivamente, deverá estar 4seg parado para compensar o tempo que decorreu indevidamente.