sexta-feira, 12 de novembro de 2010

ESTILOS DE ARBITRAGEM

Tenho tido uma grande quantidade de trabalho, o que aliado a alguns problemas pessoais, tem impedido a actualização deste blogue.

Mais do que nunca, este post é acima de tudo a expressão de uma opinião pessoal. Já há algum tempo era para escrever sobre isto, mas desta vez tornou-se premente, porque houve o somatório de muitas conversas com os meus amigos, somado também à intervenção do Pedro Henriques no último Domingo.
Falo sobre estilos de arbitragem.

Não se pode pedir que todos os árbitros tenham o mesmo estilo na condução de um jogo. Isso seria pedir que todos os líderes de grupos ou empresas tivessem o mesmo estilo de liderança, pedir que todos os estudantes estudassem da mesma forma, ou todos os docentes ensinassem os seus alunos da mesma maneira. Isso é impossível. Cada pessoa tem a sua maneira de ser, a sua personalidade, e isso reflecte-se na actividade que cada um desenvolve no seu dia-a-dia. No caso da arbitragem, uma vez que além de juízes, somos também gestores de emoções e condutores de um jogo, isso toma proporções um pouco maiores.

Pessoalmente, prefiro um estilo low profile em campo. Acho que quem tem de brilhar são os jogadores e não nós. Acho até, que só devo aparecer quando é estritamente necessário, já que demasiada discrição pode ser confundida com ausência. Nem sempre consigo, é certo, manter o low profile ou só aparecer nas alturas certas. E esses são os jogos que, por norma, me correm menos bem.

Tenho colegas que preferem aparecer. Não por sede de protagonismo, mas apenas que entendem que é assim que seguram melhor um jogo! Isso é mal entendido muitas vezes pelas pessoas...
Consideram que uma actuação um pouco mais "agressiva" é o ideal. É a sua forma de estar, tão respeitável quanto a minha.

Há muitos exemplos que se podem dar... Eu prefiro sancionar de forma menos agressiva, a não ser que o jogo me exija outra postura. Outros colegas preferem manter sempre essa bitola um bocado mais alta. São apenas estilos...

Parte desta conversa com os meus amigos (também aprendo com eles) surgiu pela forma como o Pedro Proença mostrou um cartão amarelo num dos últimos jogos que fez (penso, até, que foi o FCP - SLB), em que foi a correr para o jogador e exibiu o cartão com vigor. Muita gente achou aquela atitude exagerada. Talvez seja, mas a nossa função é tão complexa que até no simples gesto de exibir um cartão amarelo podemos segurar um jogo ou, ao invés, podemos ser criticados e acirrar ânimos.

As pessoas esquecem-se que nós não somos cubos de gelo. Temos emoções, sentimentos, problemas pessoais e profissionais. O ideal é deixá-los sempre, e totalmente, no balneário, mas quem consegue isso? Com franqueza, ninguém! E a permanente pressão da decisão pode levar-nos a um ou outro exagero, ou a um ou outro falhanço por omissão. É normal! Temos personalidades distintas, e isso reflecte-se nas nossas actuações, no nosso trabalho!

Aos árbitros não se pede que apitem todos de igual forma. Não se pode pedir ao Capela que apite igual ao Eurico, igual ao Duarte, igual ao Ramiro ou igual ao Trinca! Nem entre a própria dupla os estilos são iguais, quanto mais fora...
O que se nos pede é que APLIQUEMOS OS MESMOS CRITÉRIOS, de jogo para jogo, igual em todas as duplas... pelo menos igual a todas as duplas colocadas no mesmo nível. Temos de lutar e trabalhar para aplicar o passivo da mesma forma, para assinalar com igual critério as faltas atacantes, para nos adaptarmos da mesma maneira às novas condicionantes das lutas dos pivots...

Não é humano exigir que tenhamos todos o mesmo temperamento e que reajamos da mesma forma às incidências de cada partida.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

PEDRO HENRIQUES NA TVI

Permitam-me, hoje, fugir ao Andebol. Mas é por um bom motivo.
Há já algum tempo que andava para fazer esta referência, mas por uma ou outra razão, até porque outros assuntos se sobrepunham, acabei sempre por passar à frente.

Tenho de fazer uma vénia à participação do Pedro Henriques no programa de Domingo à noite na TVI. Sou espectador assíduo dos programas desportivos de Domingo à noite, e gosto particularmente de ouvir as frequentes participações dos ex-árbitros enquanto comentadores residentes, na análise aos casos da jornada.
De todos os que já assumiram esse papel, sem dúvida que o Pedro Henriques é o que melhor passa para a prática a tentativa de "humanizar" o árbitro. Esse é, também, o meu cavalo de batalha já desde há muito tempo. Luto por mostrar às pessoas que o Árbitro é um Homem como os outros, e que falha como os outros.

Temos a responsabilidade e a obrigação de não falhar? Óbvio, nem nunca quem quer que seja me ouviu dizer o contrário. Assumimos essa responsabilidade no momento em que fazemos uma escolha de carreira, e sempre que pegamos num apito para ir para dentro de um campo.

Existe a possibilidade de falhar? Bem, o erro espreita em todas as nossas decisões, nas que nos obrigam a intervir e nas que nos permitem deixar jogar. Num jogo rápido ainda pior. Mas é preciso tão pouco para as nossas decisões não serem as melhores... Um jogador que passa à nossa frente, um ângulo de visão menos bem conseguido, um segundo de hesitação, até os problemas pessoais que, como humanos que somos, nem sempre conseguimos deixar fora do local de trabalho...

É aqui que incluo, de novo, o Pedro Henriques. Ele apresenta sempre a visão do árbitro, o que o pode levar a errar, o que o fez acertar, fala de técnicas, truques e apresenta o árbitro visto de dentro. Não como uma máquina que tem de decidir de acordo com a cor clubística ou com aquilo que vimos à 19ª repetição em câmara lenta!

Da minha parte, parabéns, Pedro Henriques, por dignificar tanto a nossa actividade.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

SEGUNDA PARTE MAIS LONGA

Peço desculpa pela menor actualização do blogue, mas tenho tido pouquíssimo tempo disponível.

O caso que trago hoje é o que falta considerar nesta análise curta aos possíveis erros na contagem do tempo das partes de jogo. E digo "curta", porque este tema não dá para dissertar e fazer posts longos. As leis são concisas, e o meu discurso também terá de o ser.

Imaginando agora o caso de não haver marcador electrónico (ou estar avariado, porque não é algo tão raro quanto isso...) e os árbitros deixarem passar os 30 minutos regulamentares, só dando conta disso aos 32. O que acontece? Aqueles 2 minutos podem ser compensados?
Não, não podem. A verdade é que já nada pode ser feito quanto a isso. No máximo, mencionar o facto nas "Ocorrências Administrativas" do Relatório do Jogo.

A regra 2:7 diz que:

2:7 (...) Caso a segunda parte de um jogo (ou de um período de prolongamento) tenha sido terminada demasiada tarde, então os árbitros não poderão alterar seja o que for.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

PARTE MAIS CURTA

Continuando no caso de erros na contagem do tempo de jogo, falo hoje do caso em que os árbitros detectam que a buzina para o intervalo (ou fim do jogo) soou antes do tempo. Isso pode acontecer, por exemplo, porque num time-out feito no último minuto, uma falha na mesa impediu que o cronómetro parasse. Aí, passa a mandar o relógio do árbitro, que tem a responsabilidade de controlar o tempo de jogo.
Que deve um árbitro fazer numa situação destas? Melhor que palavras minhas, a regra 2:7 é explícita:

2:7 Se os árbitros constatarem que o cronometrista deu o sinal final (para o meio-tempo, fim de jogo, de igual modo para os prolongamentos) demasiado cedo, deverão manter os jogadores no terreno de jogo e prosseguir o jogo até que o tempo remanescente se esgote.
A equipa que estava em posse da bola aquando do sinal prematuro permanecerá em posse da mesma quando o jogo se reinicia. Caso a bola esteja fora de jogo, então o jogo é reiniciado com o lançamento que corresponde à situação. Caso a bola se encontre em jogo, então o jogo é reiniciado com um livre de acordo com a Regra 13:4a-b.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

PRIMEIRA PARTE MAIS LONGA

Ok, supostamente isto não deve acontecer. Mas já dizia o outro, desde que vi um porco a andar de bicicleta acredito em tudo... :)
Imaginemos que há uma falha na contagem do tempo, ou porque o relógio dos árbitros ficou sem pilha, ou porque estes se esqueceram de controlar o tempo, ou porque houve um corte de electricidade no pavilhão e mandou o marcador à vida... qualquer coisa! Chega-se à conclusão que a 1ª parte teve 32 minutos.
Que diz o livro de regras sobre isto? Vejamos um excerto da regra 2:7...

2:7 (...)
Caso a primeira parte do jogo (ou um período de prolongamento) tenho sido terminado demasiada tarde, o segundo tempo deve ser correspondentemente encurtado.

Resposta simples: a 2ª parte deverá ter apenas 28 minutos.

É verdade que não é fácil convencer alguns Oficiais (já nem falo do público...) de que é este o procedimento correcto, mas a verdade é que a regra é clara. Mas este até é dos casos em que considero o desconhecimento da regra como "normal", ou pelo menos "aceitável", por parte de jogadores e técnicos. Oficiais responsáveis por equipas e/ou Directores de Campo já poderão/deverão ter mais conhecimento sobre estas regras "laterais".

Vou continuar a falar sobre estes casos raros (mas possíveis...) nos próximos posts.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

NÚMERO MÍNIMO DE ATLETAS

Este post é curtinho, porque o tema também não permite grande dissertação sobre ele.
Muitas vezes questiona-se sobre quais são os "requisitos mínimos" a cumprir por uma equipa para dar início a um jogo. Não é imperioso estar presente um treinador ou um oficial, mas deverão estar obrigatoriamente 5 atletas à hora de início do jogo. A regra 4:1 é clara:

4:1 (...)
Uma equipa tem que ter no mínimo 5 jogadores no terreno de jogo no inicio do jogo.

(...)
O jogo pode continuar, mesmo que uma equipa seja reduzida a menos que 5 jogadores no terreno de jogo.
Caberá aos árbitros decidir se e quando o jogo deve ser definitivamente terminado.

Nada impede que esse número venha a ser reduzido ao longo do jogo, se houver motivos para tal, como exclusões ou lesões, pois o limite mínimo diz respeito apenas à hora de início.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

VÍDEO 14

Time-out nas regras.
Portugal ainda está meio com a febre dos U2, e deixo aqui um vídeo que mistura isso com o Andebol... :)
No próximo post já volto às regras.


(Se nos outros já não dava para colocar o vídeo, com mais de 60Mb mais vale deixar logo o link...)

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

VÍDEO 13 - análise

Aqui toda a gente viu bem a situação, mas nem sempre é assim...
Analisando:

PASSOS?
De forma alguma. O jogador dá, no máximo, 2 passos. Parece-me até que só dá um (com o pé esquerdo), uma vez que o primeiro apoio me parece o momento zero.

DRIBLES?
Credo, não! Em nenhum momento ele agarra a bola e a volta a bater...

VIOLAÇÃO?
Nem antes, nem depois de saltar!

ANTES:

APÓS LARGAR A BOLA AINDA ESTÁ NO AR:


CONCLUSÃO: Apesar de ser um lance difícil, os árbitros estiveram muito bem ao validar o golo.

Contudo, o que eu queria mostrar com este vídeo, é que a nossa tarefa é muitas vezes acrescida em dificuldade pela rapidez dos lances, e só com repetições se podem descortinar certas infracções.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

VÍDEO 13

Não sei se já falei deste vídeo ou não aqui no blogue, confesso.
Acho que é um belo exemplar de como as decisões dos árbitros são complicadas. Passei este vídeo numa acção que dei recentemente, promovida pela Ac. Espinho, e fiz as seguintes questões:
  1. Quem acha que há passos?
  2. Quem acha que há dribles?
  3. Quem acha que há violação da área?
Estas são as perguntas que vos faço agora...

(o vídeo tem 20Mb, o blogger passa-se quando tento fazer o upload...)

sábado, 25 de setembro de 2010

NOVAS REGRAS 2010 - outros casos

Penso que estará quase tudo dito acerca das novas instruções, pelo menos no seu essencial.
Há sempre muitas outras subtilezas nas regras que nos levariam a muitos outros posts, mas talvez o melhor seja ir falando dessas coisas à medida que elas surgirem, seja nos meus ou nos vossos jogos. Ficarei satisfeito se me forem colocando essas questões.
Como "post final" acerca das novas regras (que na verdade não o são), relembro só alguns outros aspectos que foram falados nas reciclagens, a que nós, árbitros, deveremos prestar muita atenção.

Já antes disse que nem só os contactos que efectivamente ocorrem são puníveis com sanções disciplinares. Há outra situações que o podem ser. Dou um exemplo, aconteceu ainda hoje, no meu jogo.
Num contra-ataque, um miúdo da equipa que estava a sofrer esse contra-ataque foi por trás do atacante e, no momento do remate, tentou assustá-lo com um "BU!", junto aos ouvidos, para o desconcentrar. Excluí-o, e ele ficou muito admirado pois não tinha tocado em ninguém... Estiveram excelentes os oficiais da equipa, que o repreenderam imediatamente após a minha sanção e o fizeram vir falar comigo no fim do jogo, para que eu pudesse explicar que aquela atitude anti-desportiva era sancionável. A título de curiosidade, confesso que disse ao miúdo que "perdoo" mais depressa um jogador que faz um tipo de defesa mais dura, desde que esteja pura e simplesmente à procura da bola, do que alguém que tem este tipo de atitudes. Nestes casos, não há compreensão nem perdão. É anti-desportivismo.

Outra coisa que me incomoda particularmente são as simulações. Uma coisa é tentar sacar uma atacante ou uma sanção, quando se calhar até há um mínimo de motivos para tal. Entendo isso como normal, porque eu próprio o fazia quando jogava.
Outra coisa completamente diferente é tentar enganar os árbitros, atirando-lhes areia para os olhos. Deixo aqui um exemplo de um vídeo de um jogador que, na minha opinião, teria de ser sancionado com sanção progressiva. Por "sanção progressiva", entendo que o jogador deve ser excluído, mas um cartão amarelo pode ser bem aplicado, se for numa fase muito precoce do jogo.

(não consegui fazer o upload do vídeo)

Há, ainda, outras situações, como as faltas atacantes sem bola, ou as violações de área por parte dos jogadores que não têm posse de bola, que estavam já regulamentadas, e que deverão continuar a ser alvo de particular cuidado.

Agradeço que não tenham problemas em colocar aqui as vossas questões, seja sobre as novas regras ou sobre as mais velhas... :)