sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

BOLA NO TECTO

Esta continua a ser uma dúvida recorrente, apesar de a regra já ter mudado há vários anos.

A regra refere que:

11:1 Um lançamento de reposição em jogo é ordenado quando a bola cruzou completamente a linha lateral, ou quando um jogador de campo da equipa que defende foi a último a tocar a bola antes de esta cruzar a sua própria linha saída de baliza.
Também se aplica quando a bola toca no tecto ou num objecto fixo sobre o terreno de jogo.

11:3 O lançamento de reposição em jogo concedido depois de a bola tocar no tecto ou num objecto fixo sobre o terreno de jogo, é executado no lugar mais próximo em relação ao lugar onde a bola tocou no tecto ou no objecto fixo.

Trocando por miúdos, o que se pretende dizer é que quando a bola embate no tecto (ou candeeiro, por exemplo...), a reposição é feita na linha lateral, pela equipa que NÃO TOCOU a bola em último lugar.

Exemplos:
  • Remate da equipa A, bola bate na barra e sobe até bater no tecto. Reposição da equipa B.
  • Remate da equipa A, guarda-redes de B defende, bola bate na barra e sobe até bater no tecto. Reposição da equipa A.
  • Guarda-redes de A lança contra-ataque, bola bate num candeeiro. Reposição da equipa B.
O local da reposição será sempre o mais próximo possível do local do embate no tecto.
Não faz muito sentido ter grandes exigências, pois ninguém está com um esquadro para determinar o local exacto...

Espero com este post ajudar a esclarecer algumas dúvidas que surgem bastante amiúde nos jogos em que estas situações ocorrem.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

ENTRADA DE OFICIAIS EM CAMPO

Escrevo este post orientado à entrada em casos de lesões dos atletas.

A regra diz, textualmente, que:

4:11 No caso de uma lesão, os árbitros podem dar permissão para duas das pessoas que estão “autorizadas a participar” entrarem no terreno de jogo durante um tempo de paragem, para o propósito específico de dar assistência ao jogador lesionado da sua equipa.
Se pessoas adicionais entram no terreno de jogo, depois de as duas pessoas autorizadas o terem feito, incluindo pessoas da equipa não afectada, deverão ser sancionadas como uma entrada ilegal.

A regra é clara. Só podem entrar DUAS pessoas para dar assistência a um jogador lesionado.
Existe a tentação de entrar toda a gente, e a maioria esmagadora das vezes a lesão é de pouca monta, pelo que não existe qualquer necessidade de tanta gente tentar prestar auxílio, o que muitas vezes acaba até por ser prejudicial.

Claro que existem excepções. Esta é uma regra que existe mas que, a meu ver e em alguns casos, pode e deve ser contornada. Mas claro, EM CASOS MUITO EXCEPCIONAIS.

Fiz um jogo há algumas semanas em que um atleta teve uma queda aparatosa junto a uma parede. Entraram dois elementos da equipa desse atleta para o assistir, e um oficial da outra equipa aproximou-se do local onde estava o jogador, por fora da linha, e aguardou. Como a recuperação tardava em acontecer, perguntou-me se poderia entrar para ajudar e eu consenti. Enalteço o comportamento desse oficial que não só se prontificou a ajudar, como o fez da forma mais correcta possível.

Casos como o que envolveu o Wilson Davyes no passado sábado são ainda mais excepcionais, pelo que uma exigência de duas pessoas autorizadas a participar dentro do campo seria, mais uma vez NA MINHA OPINIÃO, totalmente descabida.
Aproveito para desejar ao Wilson rápidas melhoras.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O CARTÃO AMARELO 2

Passou a tempestade, espero ter agora uns dias (infelizmente, poucos) de bonança... e aproveito-os para actualizar o blogue, que já anda aos soluços há um tempo.

Hoje falo ainda do cartão amarelo, com uma pequena nota que me escapou no último post, e que não é claro para toda a gente.
Não é obrigatório mostrar os 3 cartões amarelos destinados a uma equipa!
Muita gente ainda age como tal, inclusive árbitros, que tentam protelar o "início das exclusões". Esse é um princípio errado. As sanções têm de surgir no momento em que são necessárias.
Como disse no post anterior, as advertências são avisos. São sinais públicos que indicam o limite que o árbitro permite. Se o árbitro considera que esse limite é ultrapassado antes de o poder mostrar com cartões, então deve sancionar de forma mais grave.

Se um árbitro, só para dar os 3 cartões amarelos, não pune com a devida severidade algumas situações, a linha disciplinar que é suposto definir para um jogo é quebrada.
De igual forma, um atleta não pode ficar surpreendido quando é excluído antes de serem mostrados 3 cartões amarelos à sua equipa. Várias vezes ouvimos a expressão "2 minutos porquê? Já não há amarelos?".

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O CARTÃO AMARELO

Muitos pensarão que o cartão amarelo é um elemento "menor" num jogo, porque não produz efeitos práticos imediatos, e por isso lhe dão menos importância.
Eu penso precisamente o contrário. O cartão amarelo, para mim, é uma das coisas mais importantes e decisivas de uma partida de andebol, e tento ser criterioso na sua atribuição. Nem sempre consigo, é verdade, mas tenho consciência da importância da amostragem do cartão amarelo nos momentos certos.

Por jogo e por equipa, só podem ser mostrados 3 cartões amarelos. E isto não é por acaso. O "3" não é um número aleatório.
É assim, porque é o número considerado necessário para o árbitro definir a sua linha disciplinar ao longo do jogo, para dizer o que permite e o que será sancionado disciplinarmente. Detesto ver amarelos serem mostrados "só porque sim", ou dados "só para gastar". Isso faz-me muita impressão.
Eu encaro os 3 cartões amarelos permitidos como munições de um revólver, passo a expressão bélica... E penso assim porque têm de ser certeiros, porque depois daqueles não tenho mais. Têm de ser dados no momento certo.

E o momento certo pode ser no primeiro segundo ou aos 15 minutos. Em jogos de camadas mais jovens, em que os miúdos muitas vezes mal pegam na bola e em que a nossa actuação tem de ser um misto de rigor e pedagogia, o momento certo pode até ser mais distante no tempo. É preciso mostrá-lo quando temos de passar a mensagem de "Isto eu não permito".
Um cartão amarelo não mostrado poderá indicar que o árbitro tolerará aquele comportamento, pelo que sancionar mais tarde será uma incoerência. Um cartão amarelo mostrado por determinada situação e mais tarde, numa situação idêntica, a mesma passar em branco, será outra incoerência. Por isso é que a manutenção de um critério disciplinar 100% uniforme ao longo de um jogo é algo tão, mas tão difícil. Gerir um jogo é extremamente complicado, e só quem está lá dentro consegue ter essa percepção. Eu não tinha, antes de ser árbitro, e joguei 8 anos.

Obviamente, não vou dar um cartão amarelo numa rasteira ou num soco, porque isso está além da linha que qualquer árbitro permitirá, mas há ocasiões ideais para marcar o limite pelo qual o jogo será regido.

Com este post não vou discutir quais os tipos de falta que merecerão cartão amarelo ou não. Quero apenas chamar a atenção para a importância da advertência no contexto global de um jogo.

sábado, 22 de janeiro de 2011

APITO NO LANÇAMENTO DE SAÍDA

Foi-me colocada mais uma questão, que respondo por aqui:

QUESTÃO
Por falar em Campeonato do Mundo, muitas vezes os árbitros quando apitam para sair a bola depois de um golo no meio campo o pivot espera que o seu colega por exemplo o ponta avance alguns metros no meio campo adversario e so depois lhe passa a bola. Nada de ilegal nestes lances ?

RESPOSTA
Absolutamente nada de ilegal. Após o apito, os jogadores são livres de passar a linha do meio campo sem que o jogador que faz a reposição largue antes a bola. Pela regra:
10:3 O lançamento de saída é executado em qualquer direcção a partir do centro do terreno de jogo (com uma tolerância lateral de cerca de 1.5 metros). É precedido por um sinal de apito, após o qual deve ser executado dentro de 3 segundos. O jogador que executa o lançamento de saída deve estar com pelo menos um pé em contacto com a linha central e o outro pé sobre ou atrás da linha e deve permanecer nessa posição até a bola deixar a sua mão. 

Há ainda o Esclarecimento nº5, que num seu excerto, refere:
(...) Os árbitros também têm que ter em conta que os companheiros de equipa do executante estão autorizados a cruzar a linha central assim que o apito soar. (isto é uma excepção do princípio básico para a execução de lançamentos). (...)

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

BOLA PARADA NO SOLO

Em relação à dúvida colocada no último post, como comentário, respondo hoje.

QUESTÃO:
Estou a ver uma partida do Mundial masculino (das que não passarão na Sport TV), e aconteceu dum jogador estar a bater a bola, mas perdeu contacto com ela, sendo que a bola ficou parada no chão sem ser tocada por alguns segundos, em que foi movimentada por um companheiro de equipa.

Com a bola parada nestas condições, isso não pode ser considerado posse de bola daquele jogador? Ou seja, se, nestas condições, a bola estiver parada mais do que 5 segundos, esse facto não é considerado falta atacante?

RESPOSTA:
Não, de forma alguma. O facto de a bola estar parada no chão, torna-a livre de ser jogada por um qualquer jogador.
Por que motivo seria aquele jogador o elemento em posse de bola, e não outro, que se calhar até estaria mais perto?
Até porque o conceito de "falta atacante" arrasta consigo o de "invasão/ocupação de espaço", e não se pode assinalar passos porque o jogador não está sequer com a bola controlada, quanto mais em seu poder.
Por isso, lance legal, sem infracção.

Só se considera bola em posse de um jogador, estando parada no solo, quando isso acontece dentro da área de baliza.
Ou melhor, não é um "em posse de...". É um "só pode ser tocada por...".

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

INTERFERÊNCIA EXTERNA

Bom dia a todos.
No último post, colocaram-me uma questão e opto por fazer dela um novo tópico. Transcrevo:

"Tenho uma duvida e por não encontrar mais sítio onde tentar esclarecer deixo aqui a pergunta.
Num jogo em que o guarda-redes esta fora da baliza (por hipótese está a participar no ataque ou junto ao seu banco a beber agua, um adversário remata à baliza, e no preciso momento em que a bola viaja no ar para dentro da baliza, um holofote ou candeeiro do pavilhão cai sobre a bola e impede a entrada da mesma na baliza, impensável mas pode acontecer, que deve assinalar o árbitro?"

Resposta:
O comentário à regra 9:1, existente no livre de regras, diz textualmente que:

9:1 Comentário:
Um golo é válido se a bola é impedida de entrar na baliza por alguém ou algo não participando no jogo (espectadores etc.), e os árbitros estão convencidos de que a bola teria ultrapassado a linha de baliza e entrado na baliza caso tal acção não tivesse tido lugar.

Trocando por miúdos... Os árbitros têm de estar 100% convencidos de que a bola entraria mesmo na baliza se o elemento interferente não impede a bola de o fazer. Não pode haver dúvidas, nem os árbitros podem achar que "era possível" que a bola entrasse.
Como me parece claro, se a bola está muito distante da baliza, muito dificilmente esse julgamento pode ser feito em plena consciência, salvo algum caso excepcional. Mas com a bola muito perto da baliza, dá para se ter noção se ela "com certeza entraria", pelo que se deve validar o golo.

Não é tão impensável assim isto acontecer... Extremamente raro, mas não impensável. Num jogo meu, há uns anos, caiu um candeeiro que se desprendeu do tecto. Por acaso não acertou em nada nem em ninguém, mas se o imaginarmos a acertar na bola quando esta ia para a baliza deserta, eu teria de validar o golo...

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

DICAS - 2

Espero que todos tenham tido uma óptima quadra natalícia.

Retomo hoje a conversa sobre andebol.
O post de hoje tem o título que tem, mas é mais uma informação sobre técnica de arbitragem. A maior parte dos jogadores sabe-o, e muitos usam esse conhecimento para ganhar segundos preciosos em situações em que "dá jeito", mas acredito que também há jogadores que desconhecem este facto. Falo da movimentação dos árbitros aquando da marcação dos livres de 9m.

Não é obrigatório estarmos permanentemente a apontar o local exacto nem irmos sempre ao local onde se vai marcar a falta, mas não é mau que o façamos, especialmente quando existem dúvidas. Por exemplo, naqueles lances em que um jogador está a ser agarrado, dá passos, e nós interrompemos o jogo, é bom que façamos sempre uma pequena aproximação física ao local exacto onde pretendemos que a falta deve ser executada. Deve haver, até, um máximo de rigor quando esse local fica na zona frontal à baliza, pois muitos destes lances podem ser lances de golo, em jogadas bem trabalhadas.

E é aqui que entra a parte da "dica".
Naquelas alturas do jogo em que o relógio parece que anda mais depressa para uma equipa do que para a outra, os jogadores (especialmente os pivots, pois são quem mais repõe a bola em jogo nestas faltas) podem sempre olhar para o posicionamento do árbitro central. Se este se tiver aproximado dos 9m, muito provavelmente está a transmitir, corporalmente, a indicação do local exacto de reposição da bola em jogo.
O que se ganha com isto?
As equipas, segundos preciosos. Os árbitros, o inconveniente de terem de chamar as atenções a si e mandar corrigir o local.

Muitas vezes os árbitros transmitem indicações sem ser com o uso do apito. Esta é apenas uma delas.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL

Estive muito ocupado com a faculdade e, à mistura com um problema de saúde que, graças a Deus, está resolvido mas que me levou a dirigir os jogos deste fim-de-semana fisicamente debilitado, fiquei praticamente 15 dias sem fazer um post.

Mas isso são questões absolutamente laterais.
O que mais importa neste post é desejar um Santo Natal a todos os que cá vêm, amigos, conhecidos, anónimos, amantes do Andebol ou curiosos das regras...
Faço votos muito sinceros para que esta quadra seja vivida com muita Paz e muito Amor, na companhia de quem verdadeiramente faz falta a cada um de nós.

Um grande abraço a todos, deste vosso amigo,
Carlos Capela

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

DICAS - 1

Tenho andado numa roda viva, daí a pior actualização deste espaço nas últimas 2 semanas.
Este post será curto e muito simples, e insere-se numa tentativa minha (que farei de vez em quando), de dar outra visão que não estritamente a das regras. Não vou dizer que são conselhos, porque não sou ninguém para os dar, mas são umas dicas.
Ao longo dos jogos, apercebo-me muitas vezes que os jogadores não conhecem as funções de cada árbitro nem a técnica de arbitragem. Não é minimamente criticável, porque é algo que não lhes compete conhecer. Mas também não é mau de todo saber-se certas coisas, certo?

Hoje dou o exemplo da execução de um livre de 7m.
Quem apita para o livre ser executado é o árbitro central que, se o seu posicionamento for correcto, deverá estar posicionado do lado do braço de remate do jogador.
Ora, muitas vezes os executantes olham para mim quando estou como árbitro de baliza, à espera do meu apito.
Pode até ser uma estratégia própria, mas na maioria dos casos não me parece.
Poderá facilitar a execução, ou a concentração, se esse olhar (a existir) for feito para o sítio correcto. Digo isto porque, estando um jogador a olhar para um árbitro e o apito vindo do outro lado, a possibilidade de distracção é maior.
E todos sabemos que em alta competição os mínimos detalhes contam.

Veja-se a imagem:
  • Executante destro;
  • Árbitro de baliza do lado esquerdo:
  • Não se vê o árbitro central, mas com certeza ele estará do lado direito, do lado do braço de remate.