quarta-feira, 26 de outubro de 2011

ÉPOCA 2011/2012 - Sanção Progressiva - Critério: Dinâmica de Jogo

Por dinâmica de jogo, pode entender-se a situação em que o jogo (e os jogadores...) se encontra no momento da infração. O jogador está em equilíbrio ou desequilibrado? O lance está a ser rápido ou de construção lenta? Estamos num contra-ataque ou numa situação normal aos 9m? Isso faz toda a diferença na hora de (não) sancionar.

Como exemplos, temos:

Ex.1: Jogador em equilíbrio >> Não sancionar disciplinarmente
Neste caso, a jogadora encontra-se num vulgar movimento de ataque, possivelmente aos 9m. Se não sofrer um empurrão forte manterá o equilíbrio, pelo que não haverá motivos para uma sanção disciplinar, pelo menos aparentemente.

Ex.2: Jogador em ato de remate >> Sancionar disciplinarmente
A maioria dos contactos em ato de remate merecem uma análise mais cuidada, porque o jogador que sofre a falta está, normalmente, desequilibrado. Neste caso, e uma vez que a falta é claramente sem intuito de jogar a bola legalmente, deve sancionar-se disciplinarmente a jogadora infratora.

domingo, 23 de outubro de 2011

ÉPOCA 2011/2012 - Sanção Progressiva - Critério: Parte do Corpo

Continuando no tema "Sanção Progressiva" e nos critérios definidos para aplicação de sanções no julgamento de infrações.

A parte do corpo em que ocorre o contacto pode fazer muita diferença no momento de decidir por sancionar ou não. Indo aos exemplos...

Ex.1: Toque em zona não perigosa >> Não sancionar disciplinarmente
Contacto efetuado no peito, sem qualquer intenção de magoar. Decisão: não sancionar disciplinarmente.

Ex.2: Toque em zona perigosa >> Sancionar disciplinarmente
Aqui, já só me reporto ao agarrar do pescoço... A intenção de só chegar à bola é nula e o contacto com o adversário é claramente imprudente (maldoso?). Sancionar disciplinarmente.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

ÉPOCA 2011/2012 - Sanção Progressiva - Critério: Posição do Corpo

Também a sanção progressiva mereceu atenção na reciclagem para esta época.
Podemos pegar nesta questão por duas vias. Ou pelos critérios entretanto definidos ou pelas diferentes sanções que podem ser aplicadas após cada infração.

Hoje falo dos critérios.
Já em tempos fiz um post sobre isto, mas penso ser uma ótima ideia relembrar os conceitos chave.

DEFINIÇÃO DE CRITÉRIOS:
  1. Posição do corpo 
  2. Parte do corpo 
  3. Dinâmica de jogo 
  4. Efeito do contacto
Não se pode deixar de recordar que cada caso é um caso, e que merece sempre atenção especial, mas por outro lado também é preciso generalizar. Assim sendo, de uma forma geral, os árbitros devem tomar as ações respetivas da seguinte forma:


POSIÇÃO DO CORPO
Este critério é relativamente simples de entender, se o contacto é frontal, será uma situação menos grave, mas se for lateral ou pelas costas, após a passagem do atacante, então daí poderá surgir uma situação mais complicada.

Contacto frontal >> Sem sanção
Ex.1: Controlo frontal. Claro que a imagem não permite perceber a totalidade do contexto do jogo, mas à partida será uma situação normal. Decisão: Não sancionar disciplinarmente.

¢

Contacto lateral / pelas costas >> Com sanção
Ex.2: Contacto nas costas. Intenção de jogar a bola através de meios legais é claramento zero. Decisão: Sancionar disciplinarmente.


segunda-feira, 10 de outubro de 2011

ÉPOCA 2011/2012 - Falta Atacante

Outro aspeto das regras ao qual nos foi dada a indicação para que se tome especial atenção é a falta atacante.
A tendência para "beneficiar" o ataque (salvo seja, não quero ser mal interpretado!) existe, em especial nos árbitros com menor experiência, porque é mais "cómodo" ou "menos polémico" assinalar uma falta aos 9m quando há dúvidas em determinada situação.

A melhor forma de um árbitro se precaver contra grande parte das ocorrências deste género é apostar numa melhor colocação e movimentação em campo. Procurar ver sempre o espaço entre os jogadores é a melhor maneira de detetar quem é o infrator nos momentos de dúvida, porque a visão do lance é melhor. No entanto, como em várias outras situações, basta um instante, um movimento de um atleta, alguém que passe à frente, e é impossível tomar uma decisão 100% acertada porque o campo de visão fica pura e simplesmente bloqueado.

Há 3 situações que mais acontecem nos jogos:
  1. Jogadores sem bola (zona do pivot e entradas a 2º pivot sem bola);
  2. Prisão do braço do defesa por parte do atacante;
  3. Ação do atacante após libertar a bola.
Contudo, é preciso tomar atenção também às simulações. Num campo de andebol não pode haver lugar para atores, porque isso é um sinal de desrespeito para com árbitros, adversários e até espetadores. Quem vai ao jogo, espera ver um jogo limpo, leal, e não condutas antidesportivas.
Dessa forma, os jogadores simuladores devem ser severamente punidos por tentarem enganar todos os presentes no pavilhão.

Recordo-me de um lance de Iker Romero, que faz uma simulação claríssima e que, no meu entender, mereceria sanção disciplinar. Este é o link:

Este é o momento em que Iker Romero começa o seu "movimento de simulação". O espaço entre ambos é esclarecedor quanto à existência (?) de contacto.


terça-feira, 4 de outubro de 2011

ÉPOCA 2011/2012 - Jogo Passivo

As orientações para este ano não são propriamente "regras novas", mas pedidos de mais rigor e cuidado na aplicação de indicações existentes de outros anos.

No que toca ao jogo passivo, o que se pede é que não permitamos às equipas uma demora tão acentuada na reposição da bola em jogo, nas situações em que existe uma vantagem para a equipa então em posse de bola, em não o fazer a um "ritmo normal".

Existem 3 casos "principais":
  1. Lançamento de saída;
  2. Lançamento livre;
  3. Ataque organizado.
LANÇAMENTO DE SAÍDA
Nestes casos, os árbitros deverão solicitar à equipa que acelerem o processo de reposição da bola em jogo.
Se a equipa acatar a indicação, então o árbitro não volta a intervir. Se não for esse o caso, então deverá ser levantado o braço assinalando jogo passivo, numa ocasião futura.
Claro que não deverá haver qualquer aviso se a demora for muito acentuada. Casos há em que não será de excluir a hipótese de uma sanção disciplinar por demora excessiva.

LANÇAMENTO LIVRE
O procedimento é absolutamente igual do que o do ponto anterior.
Quando a mudança de ritmo (para mais lento...) é muito clara, esse é um sinal indicador de que a equipa poderá estar a incorrer em jogo passivo, e o árbitro poderá aí atuar.

ATAQUE ORGANIZADO
Aqui é preciso ver 3 casos específicos:
  • Defesa superioriza-se constantemente ao ataque
    Não se pode deixar de "premiar" a boa defesa, competente, que impede o ataque de criar situações de golo. Como tal, não se pode estar constantemente a "dar oportunidades" ao ataque. Quando é claro que ao longo de um ataque a defesa está sempre por cima, fazendo com que o ataque se prolongue, deve-se assinalar jogo passivo.
  • Ataque joga com o cronómetro
    Caso típico: a equipa ganha por um e falta pouco tempo... Aqui, os árbitros terão de analisar a atitude ofensiva da equipa atacante. Girar a bola aos 12 metros não é atacar! Exige-se uma enorme capacidade de leitura de jogo por parte dos árbitros, até porque nestes casos, a equipa defensora tem tendência a pedir passivo por qualquer coisa... Contudo, se a atitude ofensiva não existir, deve-se assinalar jogo passivo.
  • Ataque para para substituições defesa/ataque
    Acontece com frequência nas equipas com jogadores especialistas na defesa ou no ataque. Sim, devemos permitir as trocas com a frequência desejada pelos treinadores, mas não devemos permitir que o ritmo de jogo e o espetáculo sofram com isso. Um "abrandamento" ainda é compreensível. O driblar a bola PARADO ou PARA TRÁS, para dar tempo à substituição é antijogo e deve ser punido com jogo passivo.
Espero ter ajudado a esclarecer as indicações relativas a este ponto.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

ÉPOCA 2011/2012

Começou oficialmente este fim de semana a nova época, e com isso tento retomar o meu trabalho aqui no blogue.
Começo por falar acerca das orientações para este ano, mas não há nada de particularmente novo a realçar. As indicações são apenas o reforço do que já tinha sido transmitido aos árbitros no ano passado, pelo que os próximos posts serão um pequeno "resumo" de como devem ser aplicadas as leis de jogo.
Há 3 pontos mais importantes, a saber:
  • Jogo Passivo;
  • Sanção Progressiva;
  • Falta Atacante.
Farei um post sobre cada tema nos próximos dias.

Entretanto, aproveito para recordar que este blogue só tem valor se for um espaço devidamente aproveitado pelos leitores. São as vossas dúvidas e opiniões sobre as leis de jogo que o mantêm vivo. Por isso, peço-vos que usem este espaço e o meu mail para colocar as vossas questões, porque as dúvidas de uns serão sempre as dos outros.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

BOAS FÉRIAS

Terminam este fim de semana as competições nacionais, com os encontros de minis.
Como o andebol vai de férias, eu vou aproveitar para fazer também uma pausa aqui no blogue, até porque a experiência diz-me que logo a partir de Junho começa a haver muito menos frequentadores por estas bandas...
Também por isso, não faria muito sentido continuar a falar de regras e situações de jogo para tão poucas pessoas lerem...

Mantenho-me contactável, claro. Se alguém necessitar de um esclarecimento ou quiser debater alguma questão, pode evidentemente contactar-me por mail, pelo facebook, por telemóvel ou por comentário aqui no blogue, que eu vou continuar a verificar. Se se justificar, faço um post sobre o assunto em questão.

Desejo a todos umas boas férias!

domingo, 26 de junho de 2011

FIM DE ÉPOCA EM BELEZA

Penso que acabei hoje a minha época. Permitam-me um "Ainda bem!", porque confesso que estou bastante cansado e a precisar de férias andebolísticas.

E penso que me despedi da melhor forma. Dirigi um jogo regional de minis, entre o Oleiros e a Sanjoanense, e foi algo absolutamente delicioso.
Tenho mesmo que destacar este jogo, acreditem que tenho.
Primeiro, uma palavra aos técnicos de ambas as equipas, que não protestaram um único lance ao longo do jogo todo. Puseram de parte a campeonite que infecta estes escalões, por vezes, e colocaram o prazer de ver os miúdos correr e divertirem-se com o jogo.
Segundo, os parabéns aos atletas, que se calhar nunca vão saber que eu estou a escrever isto aqui, e de certeza que não sabem se tenho 12 anos ou 12 dias de experiência. Foram espectaculares, jogaram o jogo no seu estado mais puro, mais inocente, mais cru... mas mais bonito que pode haver. Miúdos muito educados, a aceitar conselhos, a saber dirigir a palavra, a saber ouvir... Simplesmente fantásticos!
Depois, uma palavra para os pais dos atletas dos 2 lados, que claramente foram apoiar os miúdos sem se preocupar com as decisões do árbitro. Compuseram muito bem a bancada do pavilhão, e souberam apoiar os miúdos do princípio ao fim. E este elogio que faço aos pais é raro, porque (deixem-me ser mauzinho...) os pais sabem bem como complicar a vida aos árbitros... Hoje, estiveram impecáveis!
Por fim, uma palavra para mim próprio, que curti este jogo à brava!

Assim, o andebol vale a pena!

domingo, 19 de junho de 2011

FORMAÇÃO EM OUTRAS ÁREAS

Agora que estamos no final da época, é a altura ideal para cada um fazer o balanço daquilo que observou ao longo de tantos meses de competição.
Claro que cada um tirará as suas conclusões, dependendo dos seus objectivos e de os ter concretizado ou não, mas há sempre coisas que só melhorariam a performance de todos os intervenientes num jogo de andebol.

Hoje faço um apelo recorrente, que para muitos é ridículo. Outros dirão que não é tão importante assim. Outros dizem que já o fazem… mas não fazem.
Neste período de férias desportivas que se avizinha, gostava que cada um de nós (árbitro, técnico, dirigente ou atleta) pensasse se não seria bem melhor se cada um de nós tivesse um pouco de formação em outra área que não a da nossa especialidade.

Por exemplo, que tal um atleta ter a preocupação de, por vezes, ler um pouco sobre regras? Que tal um técnico falar um pouco dessas mesmas regras num treino? Que tal um árbitro interessar-se um pouco por táctica de jogo? Eu acho que o jogo teria muito mais compreensão (e exigência…) mútua se assim fosse…

Quantos minutos de treino os técnicos dedicam anualmente a regras e regulamentos de arbitragem? Arrisco dizer que na esmagadora maioria dos casos, zero.
Quantos minutos ao longo de uma época os árbitros dedicam ao estudo da movimentação das equipas perante um determinado esquema defensivo? Pois, quase todos se ficam pelo zero…
São só exemplos…

O estudo das funções uns dos outros permitir-nos-ia ser muito mais competentes.

terça-feira, 14 de junho de 2011

7m SEM POSSE DE BOLA

Tomei, este fim de semana, uma decisão que deixou algumas pessoas surpreendidas.
Num passe ponta-pivot (bola a sobrevoar a área dos 6m), quando o pivot estava prestes a receber a bola, ficando isolado na linha dos 6m em frente à baliza, um adversário cortou PROPOSITADAMENTE a área dos 6m e impediu que a bola chegasse às suas mãos.

Assinalei livre de 7m e excluí o jogador infractor.

As pessoas argumentaram que não se pode assinalar livre de 7m sem que o adversário tenha a bola em sua posse. Erro! O esclarecimento nº 6 refere que:

ESCLARECIMENTO Nº6:

6. Definição de uma “Clara Oportunidade Golo” ( 14:1 )
No que se refere a Regra 14:1, uma “clara oportunidade de golo” existe quando:

a) um jogador que já tem a bola e o controle do seu corpo na linha de área de baliza contrária tem a oportunidade de marcar golo, sem que nenhum adversário possa impedir o remate com métodos legais;
Isto também se aplica se um jogador ainda não tem a bola, mas está pronto para uma recepção imediata da mesma: não pode haver um adversário em posição que possa evitar a recepção da bola através de métodos legais.

Livre de 7m justificado.

Quanto à sanção disciplinar, justifica-se pela violação INTENCIONAL e DELIBERADA da área dos 6m, sem querer jogar a bola com métodos LEGAIS.