quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

LEI DA VANTAGEM... NA TROCA DE POSSE DE BOLA

Continuando ainda no espírito da "Lei da Vantagem", hoje falo das situações em que o jogo deve ser imediatamente interrompido para atribuir a sanção disciplinar.

Imaginemos o exemplo de um jogador da equipa defensora que, quando o lateral da equipa adversária está prestes a soltar a bola para o ponta, que fica em situação de remate, atinge na face o lateral atacante. O que fazer?
Não se deve, com toda a certeza, impedir o ponta de efetuar o remate, pois aí estaríamos a "premiar" a conduta ilegal do defesa.
O correto é esperar a conclusão do lance, mas vamos supor que o remate sai falhado, o guarda-redes defende, segurando a bola, e tenta lançar de imediato o contra-ataque.

Aqui, o jogo deve ser interrompido. Não se pode permitir este contra-ataque, por uma razão muito simples. É que, ao fazê-lo, a equipa estaria a atacar com um elemento a mais do que deveria, fruto da necessária sanção disciplinar ao jogador defensor que tinha atingido o adversário na face.

Por isso, a sequência correta de acontecimentos/decisões é:
  1. Passe lateral/ponta com falta passível de sanção disciplinar simultânea;
  2. Remate do ponta;
  3. Defesa do guarda-redes;
  4. Paragem imediata do tempo de jogo;
  5. Sanção disciplinar ao jogador infrator.
Há vários anos, quando eu ainda estava numa fase precoce da minha formação, estava a dirigir um jogo de seleções de iniciados, penso que entre Porto e Setúbal, não tenho certeza... O meu conceito de "Lei da Vantagem" ainda era algo difuso, como é normal, e nem sempre as coisas eram bem decididas neste aspeto. E fiz precisamente o contrário daquilo que descrevi em cima.
Uma equipa estava a atacar, um defesa fez uma falta que, para mim, era merecedora de 2min, e a posse de bola foi para a outra equipa. Deixei fazer o contra-ataque e só quando este ficou sem efeito é que eu puni o jogador... acho que até hoje ele não percebeu a exclusão que sofreu, e eu só no fim do jogo fui chamado a atenção para isso.

Estas situações acontecem mais em árbitros jovens, é verdade. Mas ainda há muitos jogadores que se indignam quando lhes "cortamos" o contra-ataque, mas depois de elucidados compreendem facilmente.

Ainda uma nota: não é preciso ser uma exclusão ou uma desqualificação para se interromper o jogo! Uma advertência também obriga à interrupção imediata.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

LEI DA VANTAGEM... ATÉ QUANDO?

Dedico os 3 próximos posts para a Lei da Vantagem.

Os próximos incidirão sobre a situação de "dupla vantagem", sanção com posse de bola, e o de hoje sobre até quando deve um árbitro esperar para interromper o jogo para sancionar disciplinarmente um atleta, após dar a vantagem à outra equipa.

Uso o exemplo de um jogo meu este fim de semana.
Num contra-ataque, um atleta da equipa que perdeu a posse de bola no ataque, tentou agarrar o adversário pelas costas. Conseguiu-o, abrandando a saída para o contra-ataque, embora o jogador agarrado tenha conseguido soltar a bola. Esperei pelo desenrolar da jogada, e uma vez que depois o contra-ataque ficou sem efeito, a equipa que o fez optou por passar a ataque organizado, abrandando drasticamente a velocidade de circulação de bola.
Aqui, uma vez que já não fazia sentido esperar a conclusão do lance, interrompi o jogo com um time-out e excluí o jogador que agarrou o adversário.

Foi um caso em que fui feliz na aplicação da Lei da Vantagem.

Não faria sentido, neste caso, esperar que a equipa perdesse a posse de bola para sancionar o defesa, até porque aí, estaríamos até a beneficiar a equipa infratora, ao permitir que esta defendesse com mais um elemento do que deveria. O que faz sentido é deixar concluir o lance, desde que este constitua vantagem clara para quem sofre a falta.

O livro de regras diz que:

13:2 Os árbitros devem permitir a continuidade do jogo evitando interromper o jogo prematuramente com uma decisão de lançamento livre.
Isto significa que, de acordo com a Regra 13:1a, os árbitros não devem decidir um lançamento livre se a equipa que defende ganha posse da bola imediatamente após a infracção cometida pela equipa atacante.
De forma semelhante, sob a Regra 13:1a, os árbitros não devem intervir até e a menos que esteja claro que a equipa atacante perdeu a posse da bola ou não pode continuar o seu ataque, devido à infracção cometida pela equipa que defende.
Caso seja atribuído uma sanção pessoal devido a uma infracção das regras, então os árbitros podem decidir interromper o jogo imediatamente, se isto não causar uma desvantagem para os adversários da equipa que comete a infracção. Caso contrário a sanção deverá ser adiada até que a situação existente termine.(...)

Dou realce ao sublinhado.
Como a regra diz, e trocando por miúdos, devemos dar a vantagem à equipa que sofre a falta até ao ponto em que isso lhe pode dar vantagem. Depois, deve interromper-se o jogo e proceder à sanção disciplinar.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

MESMO LANCE, DECISÕES (QUASE) OPOSTAS

Sim, este post é praticamente uma continuação do que fiz na semana passada.
Ponho agora a situação de ambos os árbitros decidirem um lance a favor da mesma equipa, mas com gravidade diferente nas suas situações.
Como exemplo, retomo o caso que me aconteceu e que descrevo no post "Mesmo lance, decisões opostas", com uma diferença. O Bruno, em vez de apitar falta atacante, apita lançamento livre de 9m. Eu mantenho-me com o lançamento livre de 7m. Como decidir?

Aqui, o caso é bastante mais simples de resolver, e não é necessário recorrer a qualquer paragem de tempo para tentativa de consenso entre os árbitros. A regra é clara:

17:6 Se ambos os árbitros apitam para uma infracção e concordam sobre qual equipa deverá ser penalizada, mas têm opiniões diferentes sobre a gravidade da sanção, então será aplicada a sanção mais grave.

Ou seja, no caso que descrevo, deveria ser aplicado o livre de 7m.

O mesmo se aplica no caso das sanções disciplinares. Se um árbitro mostra o cartão amarelo a um jogador e, simultaneamente, o seu colega sanciona esse mesmo jogador com 2 minutos, então o jogador deve ser excluído.
Esta regra, aplicada a casos "disciplinares", tem menor aplicação porque a sua ocorrência é em bastante menor número. Mas a nível técnico acontece amiúde, apesar de não ser aconselhável, sendo muitas vezes até disfarçada pelo recomendado prolongar do apito na marcação do livre de 7m, que "abafa" o apito do árbitro central...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

BOLA NA CARA DO GUARDA-REDES

Hoje falo sobre os lances em que a bola atinge a cara do GR, após um remate.
É uma situação em que qualquer decisão dos árbitros nunca será 100% consensual, se a bola acabar por cair nas mãos de um adversário do GR, mas já lá vamos.

Há bem pouco tempo, o que fazíamos era parar imediatamente o tempo de jogo, assim que o GR era atingido, e a bola pertencia-lhe sempre que o jogo era imediatamente interrompido, recomeçando o jogo com lançamento de saída.
Desde o dia 21 de novembro de 2011, juntamente com a atualização do livro de regras, as indicações são as que descrevo de seguida.

Quando o árbitro interrompe o jogo, a bola...:
  1. Já saiu pela linha lateral
    O jogo recomeça com o lançamento correspondente.
  2. Já saiu pela linha de baliza
    O jogo recomeça com lançamento de baliza.
  3. Está a rolar na área de baliza
    O jogo recomeça com lançamento de baliza.
  4. Está no ar sobre a área de baliza
    O árbitro deve esperar 1 ou 2 segundos até uma equipa ganhar a posse de bola.
    O jogo deve recomeçar com lançamento livre para a equipa que ganhou a posse de bola.
  5. Está no ar fora da área de baliza
    O jogo deve recomeçar com lançamento livre para a equipa que tinha a posse de bola em último lugar.
  6. Já ressaltou para um jogador atacante
    O jogo recomeça com lançamento livre para a equipa atacante.
Relativamente a este último ponto em particular, é importante relembrar que o jogo nunca deve ser reiniciado com livre de 7m, porque o árbitro parou o jogo para proteger o GR, nunca se podendo assumir esse apito como uma interrupção de jogo por um motivo injustificado.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

MESMO LANCE, DECISÕES OPOSTAS

E porque nem sempre se tomam decisões corretas (ou, pelo menos, consensuais...), descrevo hoje uma situação que ocorreu num jogo meu já em 2012.

Numa bola disputada aos 6m, no preciso momento em que o Bruno assinala falta atacante, eu estou a apitar para livre de 7m.
Uma vez que as nossas decisões eram de sentidos contrários, fiz o que as regras mandam: mandei parar o tempo de jogo para que chegássemos a uma decisão conjunta. Para mim, a defesa estava com ambos os pés bem dentro da área, mas para ele a defesa foi arrastada para dentro pela ação da atacante.
Optámos pela marcação do livre de 7m, uma vez que eu insisti que a defesa estava dentro.
Justifico pela regra:

17:7 Se ambos os árbitros apitam para uma infracção, ou a bola saiu do terreno de jogo, e os dois árbitros mostram opiniões diferentes sobre qual equipa deveria ter posse de bola, então aplica-se a decisão conjunta que os árbitros alcançam depois da consulta entre si. Se não conseguem alcançar uma decisão comum, então prevalecerá a opinião do árbitro central.
É obrigatória uma paragem de tempo. Durante a consulta entre os árbitros, eles farão o gesto de forma clara e, depois do sinal de apito, o jogo é reiniciado (2:8d, 15:5).

E como é que estas coisas acontecem com uma dupla que apita junta há 12 anos? Não deveria já haver uma coordenação maior entre a dupla?

Há coordenação, uma vez que temos a mesma leitura do jogo e do seu espírito, temos a mesma visão do Andebol e das Regras, mas estas coisas vão sempre acontecer, independentemente do treino que se tenha. Pode acontecer a qualquer momento, num jogo de maior ou menor relevância competitiva. Deseja-se é que aconteça poucas vezes ou quase nunca, o que felizmente é o caso.
Estas falhas acontecem por simples precipitações ou diferentes ângulos de visão, porque um dos árbitros olha de repente para o local da falta e pode não ter a leitura 100% correta do lance, por qualquer outro motivo...

Neste caso particular, apesar de eu ter insistido que a defesa estava dentro, faço agora uma leitura do lance mais pausada e concluo que posso não ter tido razão. O contacto dá-se com o corpo da defesa a bloquear a minha visão do lance, e isso impediu-me de ver o momento de início do contacto.
Se o contacto começou fora, como o Bruno alega, ele tem razão e deveria ter sido falta atacante, com a consequente inversão do sentido de jogo.
Se o contacto começou dentro, como eu alego, eu tenho razão e a decisão certa foi tomada.

Felizmente, este (possível) erro não teve qualquer relevância no resultado final.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

SANÇÃO POR VIOLAÇÃO DOS 6m

Hoje falo de uma situação que ocorreu recentemente num jogo meu.

A dada altura do jogo, já na 2ª parte, há um jogador que faz um remate, saltando numa zona entre os 7 e os 8 metros. Um defesa que vinha a correr para trás, numa recuperação defensiva, atravessa propositadamente a área dos 6m e interceta o remate, com o intuito claro de impedir que este chegasse à baliza.
Além do evidente livre de 7m, excluí o jogador infrator.
O treinador protestou, proferindo as seguintes palavras: "2 minutos porquê? Só porque cortou a área?".
A minha resposta foi afirmativa. Obviamente, foi porque cortou a área, mas isso não é um "só". A invasão foi propositada, não casual.  É uma conduta antidesportiva!

Justifico a minha decisão com a regra:

8:7 As ações que a seguir se descrevem nas alíneas a) a f) são exemplos de conduta antidesportiva que devem ser sancionadas de forma progressiva, começando com uma advertência (16:1b):
(...)
f) Repetidas violações da área de baliza por razões de ordem tática.

Ora, já tinham sido assinalados livres de 7m por violação e, uma vez que já não havia há muito tempo cartões amarelos por mostrar, a exclusão foi imperiosa.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

OS ÁRBITROS TÊM CLUBE?

Antes de mais, espero que todos os leitores tenham tido uma excelente entrada no novo ano, e que este seja bastante melhor do que 2011.

Hoje, continuo sem abordar questões técnicas. Deixo isso para os próximos posts, até porque já sei do que vou falar. Fico-me por outras questões, de dever e de direito.

No post anterior, abordei aquilo que considero ser um direito do árbitro, o de pedir desculpas por uma falha. Cada um é livre de o fazer, sabendo das consequências, boas e más, que isso acarreta. Hoje falo de outro direito, que também parte da consciência de cada um, e que cada um saberá se está preparado para acartar com o que daí poderá advir: o direito a assumir publicamente a sua preferência clubística.

É utópico pensar que um árbitro não tem clube do coração ou, no mínimo, uma preferência. É ainda mais utópico pensar que, ao tirar o curso, um árbitro esquece todos os anos em que foi adepto de um clube só porque agora está no papel de juiz de um espetáculo desportivo.

Falo de mim mesmo... toda a gente sabe qual é o meu clube do coração, nunca o escondi! Antes de ser árbitro já era adepto, enquanto árbitro continuo adepto, quando deixar de ser árbitro continuarei adepto. Já dirigi vários jogos do meu clube. Ganhou uns, perdeu outros. Não me afetam as suas derrotas no andebol mais do que as derrotas de outro qualquer clube. Não me enchem de orgulho as suas vitórias mais do que as vitórias de outro qualquer. Tenho um espírito de isenção que me permite encarar uma camisola de qualquer cor com o mesmo respeito. Encaro qualquer emblema da mesma forma. Independentemente de quem está em campo, se é o meu clube do coração ou não, as camisolas lisas, com riscas horizontais, verticais ou aos quadrados valem o mesmo para mim. Disso pode ter a certeza quem quer que seja, não há camisolas pesadas ou emblemas pesados, por uma razão muito simples: não há nada mais pesado que um apito.

Não estou a exaltar o meu comportamento, porque não sou mais do que o que me compete ser. Aliás, tenho certeza que a esmagadora maioria dos meus colegas é assim também.

Mas há a outra face da moeda. As pessoas não estão minimamente preparadas para a frontalidade de um árbitro. Tal como no caso do pedido de desculpas, as pessoas não estão preparadas para ver um árbitro assumir o seu clube. Eu desafio esses dois preconceitos porque é essa a minha forma de estar. Não sei ser de outra forma, mas sei que fazê-lo é muitas vezes cuspir contra o vento, porque acaba por se virar contra mim.
Assumindo o meu clube e errando em seu favor (ou decidindo a seu favor num lance duvidoso), as pessoas vão dizer que estou a beneficiar propositadamente esse clube.
Assumindo o meu clube e errando contra si (ou decidindo contra si num lance duvidoso), as pessoas vão dizer que estou a prejudicar propositadamente esse clube para disfarçar.
E agora pergunto eu, como exemplo... o que acontece quando um árbitro tem uma decisão favorável a um clube dito "grande" (detesto esta expressão, mas uso-a apenas para ilustrar melhor o meu discurso) num confronto com um clube dito "pequeno" (ipsis verbis...)? Os adeptos desse clube dito "pequeno" vão pensar que somos adeptos do clube dito "grande". E se, nesse mesmo jogo, a decisão for favorável ao clube dito "pequeno"? Os adeptos do clube dito "grande" vão dizer que somos adeptos de outro clube dito "grande"...
Conclusão: o árbitro está sempre sob suspeita de ceder a clubes. Por isso, mais vale assumir os nossos gostos frontalmente.

Deixo o menos importante para o fim.
Sou do Belenenses. Podia ser do Porto, do Benfica, do Sporting, do V. Setúbal, do Alto do Moinho, do Gaia ou do Monte, ou de outro QUALQUER clube, que o meu discurso seria o mesmo.

Assumirmo-nos de um clube é um direito que temos.
Estarmos preparados para o bom e o mau que daí advém é um ato de consciência individual.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

DESCULPAS... PEDIR OU NÃO PEDIR?

Começo por admitir que este post pode ser polémico para algumas pessoas que não entendam as minhas palavras, mas é um risco que corro. Sempre tentei, desde que comecei a ter responsabilidades na formação, acrescidas desde que, na minha carreira, atingi a primeira divisão, humanizar a imagem do árbitro.
Para muita gente, o árbitro é uma máquina que tem a obrigação de nunca errar, ao passo que os jogadores têm o direito de ter azar. Esta é uma visão absurda, quanto mais não seja porque qualquer atleta tem mais tempo de treino do que nós. E com isto não estou a criticar os falhanços dos atletas porque nem tal coisa me compete, estou apenas a tentar fazer perceber aos mais céticos que nós queríamos ter mais tempo de trabalho de campo do que o que temos.

Estamos habituados a lidar com autênticos "antiárbitros", para quem qualquer pessoa que apareça com um apito e cartões num campo é um alvo a abater, o óbvio culpado da possível derrota que o seu clube poderá sofrer, mesmo que os seus craques façam o pior jogo das suas vidas. Isto antes do jogo. Durante o jogo, "aquele livre de 7m aos 15min de jogo acompanhado daquela exclusão", mesmo que a sua equipa já estivesse a perder por 5 ou 6, é sempre o catalisador de uma derrota... enfim... não vou discutir isso hoje.
Hoje discuto: o árbitro deve pedir desculpa pelos seus erros?

Podemos dividir esta questão no pedido "em campo" e no pedido "após o jogo". Começo por esta segunda hipótese, pegando no caso recente do Duarte Gomes.

A minha opinião pessoal é de que ele foi de uma dignidade a toda a prova, ao admitir que não assinalou uma grande penalidade (evidente) sobre um jogador do FC Porto. A admissão do erro é essencial para quem quer alimentar um estado de permanente evolução, como qualquer árbitro que se preze deve fazer. O Duarte Gomes optou por o fazer de forma pública, e isso é altamente meritório. Revela uma postura digna de quem tem a responsabilidade de conduzir um jogo.
O Domingos Paciência (cuja postura também tem sido sempre de grande elevação), disse que se abriu um precedente. Sim, é verdade que ele foi aberto, mas foi aberto para bem. Só as pessoas mal intencionadas irão utilizar este "precedente" para cobrar no futuro aos árbitros, o que quer que seja. Mas não duvido que mais tarde ou mais cedo vamos ouvir um "a ver se esse gajo vem pedir desculpas agora para o facebook também", mal haja um penalty por marcar ou um golo mal validado.

Quanto ao pedido em campo, penso que ele pode e deve surgir se tal se justificar. Vou buscar, desde já, um caso recente que se passou comigo. No momento em que estou a apitar uma falta aos 9m, num remate, reparo que a bola entra na baliza. Lei da vantagem mal aplicada, precipitação minha, cortei um golo que deveria ter sido validado a essa equipa. A minha reação imediata foi levantar a mão para o banco da equipa cujo golo "retirei", em jeito de pedido de desculpas, que o foi. Pedi desculpa por uma precipitação minha! Reação do "outro" banco: "Pois, a eles pede desculpa... tem algum jeito?". Tem, tem jeito.
Nós erramos e temos esse direito, tal como qualquer interveniente num espetáculo desportivo! Um atleta quando falha um remate não pede, tantas vezes, desculpa ao seu treinador ou aos colegas? Por que motivo não temos nós o direito a assumir o erro? Sim, porque mais do que obrigação, isso é um DIREITO! Mais do que ninguém, o árbitro sente as suas falhas. E a superação do erro é um dos aspetos mais difíceis, senão o mais difícil, da arbitragem e do ajuizamento de qualquer modalidade.

O Desporto é algo dinâmico, rápido, propício à capacidade de análise imediata e, por que não dizê-lo, à sorte de um bom posicionamento naquele instante específico. O Árbitro não está sentado numa cadeira com  livros de regras à frente, com tempo para os analisar. Por isso, a nossa atividade é uma luta permanente contra o erro. E nas centenas de decisões e não decisões (que contam como decisões) que são tomadas por jogo, algumas certamente serão erradas.

Por isso, sou absolutamente a favor de um pedido de desculpas, seja quando for.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

PEDIDO DE TIME-OUT SEM POSSE DE BOLA

Ainda na onda das tarefas dos oficiais de mesa, convém deixar mais um esclarecimento num tema que, por incrível que possa parecer, muita gente ainda desconhece.

UM TIME-OUT SÓ PODE SER PEDIDO COM POSSE DE BOLA!

Vamos esquecer de uma vez por todas aquela teoria de que "entrego já o cartão verde para o oficial de mesa buzinar quando eu tiver posse de bola". Não! Isto é ABSOLUTAMENTE ILEGAL.

Pela regra:
ESCLARECIMENTO Nº3:
(...) Uma equipa só pode pedir o seu tempo de paragem de equipa quando tiver posse da bola (quando a bola estiver em jogo ou durante uma interrupção). (...)

Em caso de pedidos de time-out de equipa sem posse de bola, o cartão verde tem de ser liminarmente rejeitado.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

RECOMENDAÇÕES AOS CROM

Antes de mais, convém esclarecer os leitores que seguem este blogue de fora de Portugal, o que é um CROM. Um CROM é um Clube Responsável pelos Oficiais de Mesa, o que quer dizer que, quando joga na condição de visitado, apresenta ele próprio os elementos que serão o secretário e o cronometrista do jogo.

Uma vez que normalmente essas pessoas não têm muita experiência, e que ela só vem com os jogos e com as indicações de pessoas mais velhas ou com mais tempo no andebol, é normal que surjam falhas. Ficam algumas dicas para eles:
  1. Não levantem o cartão amarelo sem perceber claramente quem foi o jogador advertido.
    Se levantarem, o árbitro vai ficar a pensar que a mesa percebeu, e podem surgir erros.

  2. Ao 3º amarelo, façam sinal ao árbitro (como vos apetecer, desde que seja percetível) desse facto.
    Se o árbitro tiver outra coisa apontada no seu papel, evitam-se erros.

  3. Quando houver uma paragem de tempo, mantenham-se atentos ao árbitro central, pois será ele a dar o apito para reiniciar o jogo.
    Assim, evitam-se situações desagradáveis em que é preciso acenar para a mesa.

  4. Quando houver uma exclusão, levantem 2 dedos no momento do reinício do jogo, para corresponder ao sinal do árbitro.
    Assim, se a mesa não se tiver apercebido anteriormente dessa exclusão, deteta-se o erro logo ali.

  5. Confiram com o árbitro as sanções anotadas no papel quando estes se aproximarem da mesa.
    É muito mais fácil corrigir lapsos nos tempos mortos do que ter de parar o jogo a meio.
Muitas destas coisas são feitas pelos oficiais de mesa da FAP, e isso ajuda (e de que maneira!) à boa condução de um jogo.
Podemos não ser profissionais, mas podemos ter profissionalismo no que fazemos... e isto aplica-se a todos nós!