quarta-feira, 23 de maio de 2012

QUESTÕES 07 - DECISÕES DISCIPLINARES DIFERENTES

Ainda na questão das divergências dos árbitros, deixo a última questão sobre o assunto.

Imaginemos que num determinado lance (um qualquer, não interessa minimamente especificar...), enquanto um árbitro está a exibir um cartão amarelo, o outro simultaneamente está a excluir o atleta em causa.

Pergunto:
  1. Como agir e que decisão tomar?
  2. Se em vez de ser advertência/exclusão fosse exclusão/desqualificação, o que mudaria em termos de base da decisão?

segunda-feira, 21 de maio de 2012

QUESTÕES 06 - DECISÕES TÉCNICAS DIFERENTES - 2 - resposta

No último post perguntei que decisão deve ser tomada na situação em que os árbitros tomam decisões simultâneas que favorecem equipas diferentes.

É uma situação altamente indesejável e que o treino, a experiência e as rotinas ajudam a minimizar o risco de tal efetivamente suceder, mas que pode acontecer. A situação típica é o árbitro central apitar passos ou falta atacante, no momento em que o árbitro de baliza apita para livre de 7m.

Se tal acontecer, a decisão a tomar é interromper o tempo de jogo, reunir (brevemente) com o colega e tomar uma decisão conjunta. Se ambos se mostrarem irredutíveis nas suas posições, prevalece a opinião do árbitro central. Veja-se a regra:

17:7 Se ambos os árbitros apitam para uma infracção, ou a bola saiu do terreno de jogo, e os dois árbitros mostram opiniões diferentes sobre qual equipa deveria ter posse de bola, então aplica-se a decisão conjunta que os árbitros alcançam depois da consulta entre si. Se não conseguem alcançar uma decisão comum, então prevalecerá a opinião do árbitro central.
É obrigatória uma paragem de tempo. Durante a consulta entre os árbitros, eles farão o gesto de forma clara e, depois do sinal de apito, o jogo é reiniciado.


Já ouvi coisas como "prevalece a opinião do árbitro que vem primeiro na convocatória". Isso não só não faz sentido, como também seria uma decisão completamente desenquadrada do contexto do jogo.
O que se pretende com esta brevíssima reunião, ou consulta mútua, ou como lhe quiserem chamar, é chegar a um consenso sobre qual dos dois teria a melhor visão do lance.
Em casos de duplas experientes e rotinadas, por vezes um olhar ou um gesto entre ambos é suficiente para se chegar a este consenso, sendo que a paragem de tempo de jogo continua a ser uma opção sensata a tomar.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

QUESTÕES 06 - DECISÕES TÉCNICAS DIFERENTES - 2

Ainda no capítulo das divergências de opinião por parte dos árbitros...

Vamos supor que o árbitro de baliza assinala livre de 7m e o árbitro central apita, simultaneamente, para falta atacante.
Claro que nenhuma das três equipas gosta desta situação... Mas como descalçar a bota?

Pergunto:
  1. Que decisão se deve tomar?
  2. Como proceder?

terça-feira, 15 de maio de 2012

QUESTÕES 05 - DECISÕES TÉCNICAS DIFERENTES - resposta

No post anterior, deixei uma situação no ar sobre decisões técnicas distintas, que favoreçam a mesma equipa. No caso, um árbitro assinala livre de 7m e outro livre de 9m.

A resposta acaba por ser simples de dar, e a própria regra é esclarecedora.
Deve ser assinalado livre de 7m, porque é a sanção mais grave.

A regra diz que:

17:6 Se ambos os árbitros apitam para uma infracção e concordam sobre qual equipa deverá ser penalizada, mas têm opiniões diferentes sobre a gravidade da sanção, então será aplicada a sanção mais grave.

A regra não menciona o melhor posicionamento de um ou outro árbitro mas, em condições normais, acaba por ser o árbitro de baliza o melhor posicionado nos casos de dúvida sobre livres de 7m.

Já agora, porque se adequa esta menção neste post, por curiosidade e porque via facebook se falou da "autoridade" dos árbitros, deixo aqui a referência a esta regra:

17:1 Cada jogo será dirigido por dois árbitros com igual autoridade. Eles são assistidos por um cronometrista e um secretário.

Ambos têm igual autoridade. As decisões do árbitro central prevalecem em algumas situações de que falarei brevemente, mas ao nível da "autoridade", estão em pé de igualdade.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

QUESTÕES 05 - DECISÕES TÉCNICAS DIFERENTES

Esta é uma situação que ocorre com alguma (indesejável) frequência.

Algum de nós, árbitros, nunca passou pela situação de estar como árbitro central e assinalar livre de 9m, e ver o colega, no mesmo instante, a assinalar livre de 7m? E quantas vezes estamos a árbitro de baliza a assinalar livre de 7m, e vemos o colega a soltar o apito para livre de 9m?
São situações que a maior parte das vezes passam despercebidas, porque o apito prolongado do árbitro que assinala livre de 7m abafa o outro apito, mais curto, mas o certo é que existem duas tomadas de decisão diferentes.

Pergunto:
  1. O que assinalar neste caso, em que há divergência na decisão técnica?
  2. Por que motivo se toma essa decisão?

terça-feira, 8 de maio de 2012

LIMITES DO TERRENO DE JOGO

Este post está ligado aos últimos dois que publiquei, com a análise a uma situação de jogo que descrevo:

O GR lança contra-ataque para um jogador que corre junto à linha, contorna um defesa passando por fora da linha lateral e volta a entrar, controlando então a bola.
A decisão a tomar é, resumidamente (sem as justificações que publiquei no post anterior), ordenar um lançamento livre a favor da equipa que não tinha posse de bola.

Ora, este lançamento deve ser efetuado com o executante a ter ambos os pés dentro do campo. Contudo, é perfeitamente normal que os árbitros fechem os olhos se a bola é reposta em jogo através de "lançamento lateral", porque a esmagadora maioria não dos jogadores, mas de todos os agentes do andebol, pensa que essa é a forma correta de o fazer nestes casos. Uma vez que não tem interferência no desenrolar do jogo nem cria vantagem para qualquer equipa, permite-se uma reposição assim.
Faltou acrescentar que a reposição é feita perto do local onde o jogador saiu das quatro linhas.

Entretanto, foram-me colocadas duas questões via facebook, que transcrevo:

1) "Vamos supor que há contra-ataque a bola é lançada para os pontas que vão isolados, mas o ponta escorrega e sai do campo e volta a entrar sem ter por perto nenhum adversário e pega na bola, decisão?"

Neste caso, uma vez que não há intenção nem vantagem ao sair do terreno de jogo, este deve prosseguir.
O caso mudaria de figura se houvesse um adversário a querer chegar à bola e a não conseguir devido ao movimento do atacante ser "de fora para dentro". Aí, o correto seria assinalar lançamento livre.
Também é essencial, para que o jogo possa prosseguir, que "a saída e a entrada" do atacante sejam feitas pelo mesmo local, e não 3 ou 4 metros à frente, por forma a não criar vantagem.
Este caso pode ser comparado em certa medida com entradas e saídas da área de baliza.

A outra questão foi:

2) "Outra mas esta mais comum nos "grandes" pontas, muitos pontas antes de receber a bola na corrida estão fora de campo para ganhar velocidade mas quando recebe a bola está dentro do campo, decisão?"

Lance ilegal. Deve-se interromper imediatamente e assinalar lançamento livre.
Como medida preventiva, deve-se avisar o jogador assim que se deteta que este está fora do terreno de jogo.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

QUESTÕES 04 - LIMITES DO TERRENO DE JOGO - resposta

No seguimento da questão aqui colocada há 2 dias, deixo hoje o post com a resposta.

Uma vez que o jogador que acaba por recolher a bola contorna o adversário passando por fora do campo, o lance não pode ser validado. As linhas do campo não só delimitam a zona onde a bola pode estar, mas também os jogadores. Estes não podem passar por fora das quatro linhas para ganhar vantagem, da mesma forma que, por exemplo, um ponta não pode ganhar vantagem ao começar o movimento de remate se "ganhar lance" começando a correr fora do campo e acabar por receber a bola quando já está dentro.

Neste caso, deve ser assinalado um LANÇAMENTO LIVRE e não um LANÇAMENTO LATERAL para a equipa que não tem a posse de bola, como é óbvio.

Vamos olhar para o livro de regras, para justificar o que aqui escrevo.

Regra 7
Manejo da Bola
Não é permitido:
7:10 Se um jogador em posse de bola move-se apoiando um ou ambos os pés fora do terreno de jogo (mesmo que a bola esteja dentro do terreno de jogo), por exemplo para tornear um jogador da equipa que defende, isto implica um lançamento livre para a equipa adversária (13:1a).

A regra 13:1a) confirma o que aqui está escrito.

Regra 13 - O Lançamento Livre
Decisão de Lançamento Livre
13:1 Em princípio, os árbitros interrompem o jogo e o reiniciam com um lançamento livre a favor dos adversários quando:
a) A equipa em posse da bola comete uma infracção às regras que conduz a uma perda da sua posse (ver Regras (...) 7:10, (...)).

Estas duas regras mostram que deve ser assinalado um lançamento lateral. Mas vamos também confirmar que não se deve assinalar lançamento de reposição pela linha lateral. Uma boa análise às regras ilustra-o:

Regra 11 – Lançamento de Reposição em Jogo
11:1 Um lançamento de reposição em jogo é ordenado quando a bola cruzou completamente a linha lateral,  ou quando um jogador de campo da equipa que defende foi a último a tocar a bola antes de esta cruzar a sua própria linha saída de baliza.
(...)

A regra 11:1 diz que o lançamento lateral é assinalado quando a bola cruza a linha lateral. Na situação que descrevi, isso não acontece.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

QUESTÕES 04 - LIMITES DO TERRENO DE JOGO

Mais uma questão para pensar um pouco, antes de publicar o próximo post com a resposta...

Contra-ataque da equipa A.
O guarda-redes lança a bola para o ponta, que contorna um defesa passando por fora do campo e volta a entrar.
O ponta só entra em contacto com a bola quando já está completamente dentro do terreno de jogo.
A bola nunca sai.

Decisão?

quinta-feira, 26 de abril de 2012

INVERSÃO DO SENTIDO DE JOGO - local

Ainda na questão da inversão do sentido de jogo, faço agora um esclarecimento que nem todos sabem.

O "normal" é as pessoas pensarem que sempre que há uma sanção disciplinar a um oficial da equipa que na altura tem a posse de bola, com "a bola em jogo", o jogo deve ser reiniciado junto à mesa. Nem sempre é assim.
O jogo deve ser reiniciado na posição mais favorável para a equipa que vai ficar com posse de bola. Ou melhor, a equipa que vai ficar com posse de bola não deve ser penalizada devido à infração cometida por um oficial da equipa adversária. Explico com exemplos...

Situação 1
A equipa A está em ataque organizado, junto aos 9m do seu ataque. Por um qualquer motivo, um oficial (ou um atleta do banco) é sancionado pelo árbitro.
Reinício do jogo: inversão de sentido de jogo, posse de bola para a equipa B, junto à mesa.

Situação 2
A equipa A acaba de recuperar a bola após um remate da equipa B. A bola encontra-se num jogador da equipa A entre os 6 e os 9m defensivos (ou seja, praticamente em frente ao banco da equipa A). Por um qualquer motivo, um oficial (ou um atleta do banco) é sancionado pelo árbitro.
Reinício do jogo: inversão de sentido de jogo, posse de bola para a equipa B, lançamento livre de 9m.

Diferença essencial: o local do reinício do jogo depende do local onde a bola estava aquando da interrupção para sancionar o elemento infrator.

Justifico pela regra:

A Execução do Lançamento livre 
13:6 O lançamento livre normalmente é executado sem qualquer sinal de apito do árbitro (ver,  no entanto, 15:5b) e, em princípio, no lugar onde a infracção ocorreu. 

São excepções a este princípio: 
Nas situações descritas na Regra 13:4a-b, o lançamento livre é executado, após sinal de apito, em princípio do lugar onde a bola estava no momento da interrupção. 
Se um árbitro ou delegado (da IHF ou de uma federação continental/nacional) interrompe o jogo devido a uma infracção por parte de um jogador ou oficial de equipa da equipa defensora, e isto origina uma  advertência verbal ou uma sanção disciplinar, então o lançamento livre deve ser executado do lugar onde a bola  estava quando o jogo foi interrompido, se este é um local mais favorável que a posição onde a infracção ocorreu. 
A mesma excepção do parágrafo anterior aplica-se se um cronometrista interrompe o jogo  devido a infracções às regras 4:2-3 ou 4:5-6.

As regras 4:2-3 e 4:5-6 referem-se ao comportamento dos oficiais e atletas na zona do banco.

Ou seja, destes casos deve analisar-se a situação "mais favorável" para a equipa que fica com posse de bola.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

QUESTÕES 03 - INVERSÃO DO SENTIDO DE JOGO - resposta

No post anterior (3 de abril) deixei um conjunto de 3 situações, e no fim perguntei em qual delas se devia inverter o sentido de jogo e o que as distingue para o efeito da decisão do árbitro.

Pois, em nenhuma das situações o sentido de jogo pode ser invertido, porque se considera que a bola não está em jogo. Não é uma questão de OPÇÃO do árbitro, é mesmo por IMPOSSIBILIDADE ditada pelo livro de regras.
Nada distingue estas situações quando o que se equaciona é a inversão do sentido de jogo.

Vejamos o que diz o livro:

13:3 Se uma violação que normalmente conduziria a um lançamento livre sob a regra 13:1a-b ocorre quando a bola não está em jogo, então o jogo é reiniciado com o lançamento que corresponde à situação para a interrupção existente.

Ou seja, apesar de se punir um qualquer elemento da equipa que detem posse de bola, não se inverte o sentido de jogo porque existe um lançamento por marcar. No caso da situação 1 é um lançamento de saída, nas situações 2 e 3 é um lançamento de 9m.
O tempo estar parado ou a correr não tem qualquer relevância neste caso.