terça-feira, 19 de junho de 2012

QUANTO DURA O INTERVALO NO PROLONGAMENTO?

A exemplo dos últimos posts, o de hoje fala da duração prevista nas regras de mais uma fase do jogo: neste caso, o intervalo no prolongamento.

Um excerto da regra 2.2 diz que:

2:2 (...) O período de prolongamento consiste em 2 partes de 5 minutos cada, com um minuto de intervalo entre ambas. (...) 

Este minuto de intervalo serve para as equipas se limitarem a trocar de campo. Efetivamente, é muito possível que se demore um pouco mais do que isso, e que os treinadores queiram sempre dar uma palavra a um ou outro atleta, ou dar um retoque na estratégia da equipa.
Não vejo qualquer problema nisso, desde que seja algo muito rápido! Não se pode trocar de campo e ficar mais um minuto junto ao banco como se fosse um time-out. Penso que os árbitros devem tolerar uma muito breve conversa do treinador com os seus atletas, desde que ela seja isso mesmo: muito breve.

Em jogos em que seja necessário um segundo prolongamento, a mesma regra 2.2 refere que deve ser aplicado o mesmo tempo e o mesmo procedimento:

2:2 (...) Caso o jogo continue empatado neste período suplementar, deverá ser jogado um segundo prolongamento. (...) Este período suplementar também tem 2 partes de 5 minutos, com um minuto de intervalo. (...)

quarta-feira, 13 de junho de 2012

QUANTO DURA O INTERVALO NO TEMPO REGULAMENTAR?

No seguimento do último post, hoje abordo a questão da duração do intervalo entre a 1ª e a 2ª parte do tempo regulamentar. Os prolongamentos são outra história.

Se eu perguntar "quanto tempo podem os treinadores falar com os atletas durante o intervalo?", toda a gente me vai responder "10 minutos".
Ok, em teoria sim... mas são 10 minutos para as equipas estarem no balneário?
Não.

Vejamos a regra:

Regra 2 - Tempo de Jogo, Sinal Final e Tempo de Paragem
Tempo de jogo
2:1 O tempo de jogo normal para todas as equipas com jogadores de idade superior a 16 (inclusive) é de 2 partes de 30 minutos cada. O intervalo entre ambas é normalmente de 10 minutos.
O tempo de jogo normal para as equipas mais jovens é 2 x 25 minutos para as idades entre os 12 e os 16 e 2 x 20 minutos para as idades entre 8 e os 12. Em ambos os casos o intervalo entre as duas partes é normalmente de 10 minutos.
A questão é: quando começam a contar os 10 minutos?
Imediatamente a seguir ao soar da buzina para fim da 1ª parte.

Nada obriga uma equipa a ir ao balneário no intervalo, pelo que nada autoriza a equipa que vai a ter direito a mais tempo.

Os intervalos têm 10 minutos, mas não são 10 minutos "úteis".
Tal como no time-out de equipa as equipas têm de estar prontas a começar o jogo ao fim dos 60 segundos, também após o intervalo as equipas têm de estar prontas a começar a 2ª parte ao fim de 10 minutos.

Se penso que 1 minuto a mais é grave? Por um lado, acho que não. Por outro, acho que se está a beneficiar a equipa que infringe a lei e a prejudicar a equipa que a cumpre...

Também aqui acho que os oficiais têm de ter mais responsabilidade para cumprir os regulamentos, mas também os árbitros têm a obrigação de ser um pouco mais exigentes e mostrar que eles existem e são para levar a sério.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

QUANTO DURA UM TIME-OUT?

A época está quase a terminar, mas ainda há campeonatos por decidir, por isso vou manter este blogue em atividade pelo menos durante o mês de junho e parte de julho, uma vez que não faz sentido eu continuar a fazer posts sobre regras e regulamentos quando as pessoas querem é férias e descansar a cabeça (árbitros incluídos, porque também para nós a época é terrivelmente desgastante...).

Começo hoje uma pequena série de posts que começarão sempre por "Quanto dura...", alusivos ao desconhecimento (?) que muitos oficiais (e alguns árbitros também, infelizmente) têm em relação aos tempos, não de jogo, mas de, por exemplo:
  • time-out de equipa
  • intervalo de tempo regulamentar
  • intervalo de prolongamento
  • tempo regulamentar - início de prolongamento
Hoje trato dos time-outs de equipa.
Como sempre, vejamos o que diz a regra:

2:10 Cada equipa tem o direito a um tempo de paragem de equipa de 1 minuto em cada metade do tempo de jogo regulamentar, mas não nos prolongamentos (Esclarecimento N.º 3).

A regra é confirmada no primeiro parágrafo do Esclarecimento nº3:

3. Tempo de Paragem de Equipa (2:10)
Cada equipa tem o direito de solicitar um 1 minuto de tempo de paragem de equipa em cada uma das partes tempo regulamentar de jogo (mas nunca em prolongamentos).

Até aqui tudo bem, todos sabemos. Mas quanto tempo podem os jogadores estar junto dos seus oficiais? Quando têm os jogadores de estar prontos para reiniciar o jogo?


A resposta é dada mais à frente, no mesmo Esclarecimento nº3:

(...) Depois de 50 segundos o cronometrista faz soar um sinal acústico que indica que o jogo deverá ser reiniciado dentro de 10 segundos.
As equipas são obrigadas a estar prontas para reiniciar o jogo quando o tempo de paragem de equipa termina. (...)

Aqui é que muita gente falha. Vejamos:
  • Ainda existem oficiais de mesa (vê-se mais nos CROM) que só fazem soar a buzina aos 60 segundos, porque pensam que o tempo de duração de um time-out de equipa são 60 segundos;
  • Muitos (quase todos?) jogadores desconhecem isto e não raras vezes perguntam se estamos com pressa quando veem a buzina soar aos 50seg;
  • Muitos treinadores prolongam as suas instruções até aos 60seg, o que não recrimino totalmente nem acho que os árbitros devam ser excessivamente rigorosos nesses 10seg, por desconhecimento da regra.
    Mas é aqui que entra o ponto de interrogação que coloquei no segundo parágrafo deste post. Desconfio vivamente que alguns treinadores estão perfeitamente a par desta regra, mas "esticam a corda"...
  • E é precisamente por isso que acho que nós, árbitros, por vezes falhamos. Podemos dar a tolerância dentro daqueles 10seg "extra", mas depois disso temos de ser mais exigentes. A outra equipa, o público e o espetáculo não têm culpa de que não tenha sido tudo dito no balneário ou preparado durante a semana, ou porque simplesmente o jogo esteja a exigir outro tipo de intervenção.
É obrigação das equipas regressarem ao terreno de jogo após os 50seg, com o toque da buzina, para que possam estar prontas para reiniciar o jogo aos 60seg.
É função dos árbitros zelar para que tal aconteça, dentro do bom senso que é sempre preciso em todas as situações.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

3 TIME-OUTs POR EQUIPA?

Pediram-me, há alguns dias, um comentário sobre a permissão de 3 paragens de tempo por equipa.

Não sou a favor dos 3 time-outs por equipa, até porque isso contraria os princípios que a IHF andava a seguir em cada revisão de regras, orientações e precisões, na tendência de tornar o jogo mais espetacular e mais atrativo. Isso esteve na base, por exemplo, da recomendação para não parar o tempo de jogo aquando da marcação de livres de 7m.
Mais paragens vão tornar os jogos mais lentos e demorados, cortando beleza e espetáculo.
O valor do treino semanal efetuado pelas equipas também poderá ser minimizado, uma vez que os atletas poderão sofrer mais as intervenções do seu treinador durante os jogos. Ganha vantagem aqui quem tiver treinadores com mais visão de jogo.
Acho que os 2 tempos de equipa são mais que suficientes, pois uma boa equipa, quando vai para o campo, tem de saber o que fazer e quando fazer, tem de estar suficientemente treinada para saber reagir no momento certo. É isso que distingue as boas equipas das outras.


Se não estou a cometer um lapso, as equipas podem solicitar um máximo de duas paragens de tempo de jogo em cada parte, exceto nos últimos 5 minutos de jogo, em que só podem pedir uma paragem no máximo.
A tendência será, muito possivelmente, a de os treinadores solicitarem uma paragem pouco antes dos 25m da 2ª parte, para poderem usufruir de "mais tempo" com os seus atletas. Pelo menos, é uma teoria...

Vejamos uma possibilidade:
Se cada técnico pedir um time-out entre os 24m e os 25m da 2ª parte, e ambos voltarem a fazer o mesmo entre os 25m e os 26m, em 2 minutos de jogo "corrido", o jogo pode estar parado durante 4 minutos!
Para os técnicos e atletas pode ser bom, mas não sou ninguém para opinar sobre isso (se algum técnico ou atleta que ler este blogue quiser opinar, poderá e deverá fazê-lo, até para eu saber qual a visão de quem está a orientar uma equipa ou a jogar).
Para os árbitros acaba por ser indiferente.
Para o público e o espetáculo, acho francamente mau.

Mas esta é só uma visão das coisas...

sexta-feira, 25 de maio de 2012

QUESTÕES 07 - DECISÕES DISCIPLINARES DIFERENTES - resposta

No último post perguntei o que acontece no caso (raro, mas possível) de os árbitros tomarem simultaneamente decisões disciplinares diferentes, mais concretamente uma advertência e uma exclusão simultânea.

A resposta é simples: aplica-se a mais grave. Neste caso, a exclusão.

A regra é textual sobre o assunto:

17:6 Se ambos os árbitros apitam para uma infracção e concordam sobre qual equipa deverá ser penalizada, mas têm opiniões diferentes sobre a gravidade da sanção, então será aplicada a sanção mais grave.

A paragem do tempo de jogo acaba por ser obrigatória, uma vez que, para excluir um atleta, é necessário fazer time-out. Mas claro que mandar parar o tempo seria sempre aconselhável, pois esta situação irá sempre gerar alguma confusão.


Perguntei, também, se o caso seria diferente se em vez do cartão amarelo fosse mostrado o vermelho, juntamente com a exclusão.
Obviamente nada se altera, pois continua a aplicar-se a sanção mais grave. Neste caso, desqualificação.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

QUESTÕES 07 - DECISÕES DISCIPLINARES DIFERENTES

Ainda na questão das divergências dos árbitros, deixo a última questão sobre o assunto.

Imaginemos que num determinado lance (um qualquer, não interessa minimamente especificar...), enquanto um árbitro está a exibir um cartão amarelo, o outro simultaneamente está a excluir o atleta em causa.

Pergunto:
  1. Como agir e que decisão tomar?
  2. Se em vez de ser advertência/exclusão fosse exclusão/desqualificação, o que mudaria em termos de base da decisão?

segunda-feira, 21 de maio de 2012

QUESTÕES 06 - DECISÕES TÉCNICAS DIFERENTES - 2 - resposta

No último post perguntei que decisão deve ser tomada na situação em que os árbitros tomam decisões simultâneas que favorecem equipas diferentes.

É uma situação altamente indesejável e que o treino, a experiência e as rotinas ajudam a minimizar o risco de tal efetivamente suceder, mas que pode acontecer. A situação típica é o árbitro central apitar passos ou falta atacante, no momento em que o árbitro de baliza apita para livre de 7m.

Se tal acontecer, a decisão a tomar é interromper o tempo de jogo, reunir (brevemente) com o colega e tomar uma decisão conjunta. Se ambos se mostrarem irredutíveis nas suas posições, prevalece a opinião do árbitro central. Veja-se a regra:

17:7 Se ambos os árbitros apitam para uma infracção, ou a bola saiu do terreno de jogo, e os dois árbitros mostram opiniões diferentes sobre qual equipa deveria ter posse de bola, então aplica-se a decisão conjunta que os árbitros alcançam depois da consulta entre si. Se não conseguem alcançar uma decisão comum, então prevalecerá a opinião do árbitro central.
É obrigatória uma paragem de tempo. Durante a consulta entre os árbitros, eles farão o gesto de forma clara e, depois do sinal de apito, o jogo é reiniciado.


Já ouvi coisas como "prevalece a opinião do árbitro que vem primeiro na convocatória". Isso não só não faz sentido, como também seria uma decisão completamente desenquadrada do contexto do jogo.
O que se pretende com esta brevíssima reunião, ou consulta mútua, ou como lhe quiserem chamar, é chegar a um consenso sobre qual dos dois teria a melhor visão do lance.
Em casos de duplas experientes e rotinadas, por vezes um olhar ou um gesto entre ambos é suficiente para se chegar a este consenso, sendo que a paragem de tempo de jogo continua a ser uma opção sensata a tomar.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

QUESTÕES 06 - DECISÕES TÉCNICAS DIFERENTES - 2

Ainda no capítulo das divergências de opinião por parte dos árbitros...

Vamos supor que o árbitro de baliza assinala livre de 7m e o árbitro central apita, simultaneamente, para falta atacante.
Claro que nenhuma das três equipas gosta desta situação... Mas como descalçar a bota?

Pergunto:
  1. Que decisão se deve tomar?
  2. Como proceder?

terça-feira, 15 de maio de 2012

QUESTÕES 05 - DECISÕES TÉCNICAS DIFERENTES - resposta

No post anterior, deixei uma situação no ar sobre decisões técnicas distintas, que favoreçam a mesma equipa. No caso, um árbitro assinala livre de 7m e outro livre de 9m.

A resposta acaba por ser simples de dar, e a própria regra é esclarecedora.
Deve ser assinalado livre de 7m, porque é a sanção mais grave.

A regra diz que:

17:6 Se ambos os árbitros apitam para uma infracção e concordam sobre qual equipa deverá ser penalizada, mas têm opiniões diferentes sobre a gravidade da sanção, então será aplicada a sanção mais grave.

A regra não menciona o melhor posicionamento de um ou outro árbitro mas, em condições normais, acaba por ser o árbitro de baliza o melhor posicionado nos casos de dúvida sobre livres de 7m.

Já agora, porque se adequa esta menção neste post, por curiosidade e porque via facebook se falou da "autoridade" dos árbitros, deixo aqui a referência a esta regra:

17:1 Cada jogo será dirigido por dois árbitros com igual autoridade. Eles são assistidos por um cronometrista e um secretário.

Ambos têm igual autoridade. As decisões do árbitro central prevalecem em algumas situações de que falarei brevemente, mas ao nível da "autoridade", estão em pé de igualdade.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

QUESTÕES 05 - DECISÕES TÉCNICAS DIFERENTES

Esta é uma situação que ocorre com alguma (indesejável) frequência.

Algum de nós, árbitros, nunca passou pela situação de estar como árbitro central e assinalar livre de 9m, e ver o colega, no mesmo instante, a assinalar livre de 7m? E quantas vezes estamos a árbitro de baliza a assinalar livre de 7m, e vemos o colega a soltar o apito para livre de 9m?
São situações que a maior parte das vezes passam despercebidas, porque o apito prolongado do árbitro que assinala livre de 7m abafa o outro apito, mais curto, mas o certo é que existem duas tomadas de decisão diferentes.

Pergunto:
  1. O que assinalar neste caso, em que há divergência na decisão técnica?
  2. Por que motivo se toma essa decisão?