domingo, 21 de outubro de 2012

BOLA NA CARA DO GUARDA-REDES - Esclarecimento

E porque as coisas que acontecem nos jogos e não são compreendidas por todos são sempre os melhores motivos para se escrever aqui no blogue, este fim de semana ganhei alguns bons temas...
Hoje falo sobre as situações em que a bola bate na cara do guarda-redes. As indicações anteriores apontavam para um time-out imediato e posse de bola atribuída ao guarda-redes, para a repor em jogo através de um lançamento de baliza. Ora, apesar de isso continuar a ser o que o público em geral, e até a maioria dos agentes do andebol pensam que deve ser feito, está incorreto.


As orientações mais recentes vão no sentido de se esperar a consequência do ressalto. Ou seja, deve dar-se 1 ou 2 segundos antes de interromper o jogo para assistência ao guarda-redes. Depois, pode acontecer uma de várias situações:
  • Se a bola sai pela linha lateral ou pela linha de saída de baliza, o jogo recomeça com o lançamento correspondente;
  • Se a bola ressalta para um elemento da equipa do guarda-redes, essa equipa fica com a posse de bola;
  • Se a bola ressalta para um elemento da equipa que rematou, então esta equipa deve ficar com a posse de bola.
Este último caso obriga a uma ressalva. Se um jogador atacante recebe a bola nestas condições e está, nesse momento, isolado junto à linha dos 6m, o jogo deve ser retomado com um lançamento livre de 9m. Não se considera, neste caso, uma interrupção de uma clara oportunidade de golo devido a uma situação exterior ao jogo.
Ora, isto gera protestos vindos dos dois lados.
Por um lado, a equipa do guarda-redes "atingido" reclama a posse de bola devido ao facto de a interrupção do jogo ter acontecido devido à bolada na cara. Erro.
Por outro lado, a equipa cujo jogador fica com a posse de bola, isolado aos 6m, reclama livre de 7m por ver interrompida uma clara oportunidade de golo. Erro.

Penso que a falta de informação pode ser uma falha facilmente corrigida, assim haja possibilidade de divulgar a toda a família do andebol este tipo de indicações dadas aos árbitros.
Não me refiro às instruções sobre técnica de arbitragem, porque essa diz respeito apenas a nós. As equipas também não revelam as suas táticas. Refiro-me, apenas, às indicações que afetam diretamente as equipas através das nossas decisões em campo.
Por outro lado, penso que as equipas deviam dedicar mais tempo de treino às regras. Não é compreensível que pessoas com responsabilidades desconheçam regras básicas.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

2012/2013 - QUESTÕES 01 - resposta

Quanto ao post anterior, as respostas às 2 questões que deixei são muito rápidas.
  1. Golo legal ou ilegal?
    O golo é absolutamente legal.
  2. Porquê?
    Como alguém num comentário referiu, é a mesma situação, comparativamente, de uma reposição ao meio campo após golo.
    As regras não colocam qualquer entrave acerca do remate direto à baliza, focando-se no tempo que o executante demora até soltar a bola da mão, no posicionamento do seu próprio pé e no posicionamento dos restantes atletas em campo.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

NOVAS REGRAS 2012 - Time-out

Falta apenas falar, nesta série de posts sobre as novas regras para esta época, sobre as inovações nos time-outs.
  • São agora permitidos 3 time-outs por equipa;
  • No máximo, podem ser pedidos 2 time-outs por parte;
  • Nos últimos 5 minutos de jogo, pode ser apenas pedido UM time-out.
Esta é a imagem de um cartão, tal como este deve ser:


Não está grande coisa, porque fui eu que fiz isto no Paint... :)
É, também, importante reter algumas considerações:
  • Os cartões devem ter um T maiúsculo, com a indicação sobre o número do time-out: 1, 2 ou 3;
  • Ao intervalo, se nenhum time-out tiver sido pedido por uma equipa, esta deve entregar na mesa o T1;
  • O cartão deve ser entregue em mão ao Oficial de Mesa;
  • As equipas devem ser portadoras dos cartões.
Nesta fase inicial da época, deveremos dar uma margem grande para que as equipas se preparem para a necessidade de ter 3 cartões verdes, neste formato. Contudo, não me parece que seja problemático para uma equipa consegui-lo rapidamente.

Outra nota importante:
NO PROLONGAMENTO, CONTINUA A NÃO SER PERMITIDO PEDIR TIME-OUT!

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

NOVAS REGRAS 2012 - Lista de participantes

No que toca à lista de participantes, também há algumas indicações importantes para a época 2012/2013:
  • Fim do Oficial E;
  • Só se pode alterar os números e letras dos Oficiais;
  • No máximo são inscritos 14 atletas (exceção para PO1, em que o máximo são 16);
  • Só se aceitam listas feitas em computador.
Esta imagem é de uma lista de participantes que NÃO PODE SER ACEITE:

E não pode ser aceite por várias razões. Por exemplo:
  • Primeiro, porque na lista de participantes deve constar a listagem de Oficiais do A ao D, independentemente da função que desempenham;
  • Depois, porque é manual. A aceitação de listas manuais ESTÁ COMPLETAMENTE FORA DE HIPÓTESE.
Algumas considerações devem ser feitas.
É importante lembrar que as únicas coisas que podem ser escritas à mão são os números de atletas (em casos em que se impõe uma correção) e as letras dos Oficiais (nos mesmos moldes dos números dos atletas).
É preferível que se faça uma lista de participantes com atletas "a mais" do que o permitido, pois é possível riscar os não presentes. Para inscrever um atleta que não esteja na lista de participantes originalmente entregue aos árbitros, é obrigatório entregar uma lista de participantes nova.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

NOVAS REGRAS 2012 - Treinador

No que toca a esta época desportiva, a indicação é que o jogo se realiza sempre, independentemente de haver ou não treinador no banco.
Nos casos em que:
  1. Uma equipa se apresenta sem treinador;
  2. Uma equipa se apresenta sem treinador qualificado para a respetiva prova.
o procedimento correto será elaborar um relatório em que, nas Ocorrências Administrativas, se menciona, respetivamente:
  1. Ausência de treinador;
  2. Ausência de treinador qualificado para a respetiva prova.
A tabela onde constam as qualificações dos treinadores para a respetiva prova é o Anexo 8 ao Comunicado Oficial nº1 da Federação de Andebol de Portugal, que a seguir reproduzo:


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

NOVAS REGRAS 2012 - Oficiais inscritos

Para esta época, também há alterações no que toca à inscrição dos oficiais nos bancos.
Vejam-se as alterações uma a uma:
  • Desaparece a indicação que permitia a um médico ser inscrito como Oficial E, nomeadamente nos jogos da PO1;
  • Só é permitida a inscrição a 4 Oficiais;
  • O Oficial A continua a ser o responsável da equipa;
  • O treinador pode não ser o Oficial A;
  • Pode estar UM Oficial de pé.

Implicações práticas:
  • Um médico pode ser inscrito como Oficial A, B, C ou D, o que se aplica a todas as provas;
  • O treinador deixa de ser obrigatoriamente o Oficial A, estando menos sujeito a eventuais sanções disciplinares por algum problema que surja no banco;
  • Pode estar um qualquer Oficial de pé, embora não faça muito sentido que seja outro que não o treinador, que estará a dar indicações à equipa.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

NOVAS REGRAS 2012 - Intervalo

O post de hoje será muito curto, mas foca igualmente uma das indicações para esta época.
O intervalo mantém-se como sempre, com a duração de 10 minutos, de acordo com a regra 2.1. 

2:1 O tempo de jogo normal para todas as equipas com jogadores de idade superior a 16 (inclusive) é de 2 partes de 30 minutos cada. O intervalo entre ambas é normalmente de 10 minutos.

O tempo de jogo normal para as equipas mais jovens é 2 x 25 minutos para as idades entre os 12 e os 16 e 2 x 20 minutos para as idades entre 8 e os 12. Em ambos os casos o intervalo entre as duas partes é normalmente de 10 minutos.

No entanto, é possível que possam haver exceções no caso de jogos televisionados, em que o tempo máximo é de 15 minutos. Essa indicação está explícita na nota constante do livro de regras, relativa à regra 2.1.

Nota:

A IHF, as Federações Nacionais e Continentais, têm o direito de aplicar, nas provas de sua responsabilidade, de alterações ao tempo de intervalo. O tempo máximo de intervalo será de 15 minutos.

É importante deixar outra ressalva.
Não existe apito da mesa durante o intervalo, para chamar as equipas para o terreno de jogo!
Existe um apito 10 minutos ANTES DO JOGO COMEÇAR, e é o único que deve existir a partir da mesa.
Muita gente pensa que aos 5 minutos do intervalo deve existir um aviso para chamar as equipas, mas isso é errado.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

NOVAS REGRAS 2012 - Desqualificação no último minuto

Como disse no post anterior, vou focar nos próximos posts as alterações às regras e regulamentos que entrarão em vigor na época 2012/2013.
Hoje o assunto é a desqualificação no último minuto.

Não há propriamente uma alteração às regras neste ponto. O que muda é o procedimento a tomar após a exibição do cartão vermelho e após o jogo.
O comunicado emitido pela FAP (penso que no ano passado) que obrigava a que fosse feito um relatório escrito em todos os casos de desqualificação no último minuto de jogo deixa de estar em vigor.
Dessa forma, o único texto que justifica a elaboração de um relatório escrito são as situações descritas na regra 8 do livro de regras, mais propriamente nos seus pontos 6 e 10.

Texto da regra 8.6:

Desqualificações devido a uma acção especialmente imprudente, particularmente perigosa, premeditada ou mal intencionada (também deve ser elaborado relatório escrito).

8:6 Se os árbitros consideram uma acção especialmente imprudente, particularmente perigosa, premeditada ou mal intencionada, estão obrigados a efectuar um relatório escrito depois do jogo, para que as autoridades responsáveis possam uma tomar uma decisão sobre medidas posteriores.
Indicações e precisões que podem servir como critério para a tomada de decisão, além das já descritas na Regra 8:5, são:
a) Uma acção especialmente perigosa ou imprudente;
b) Uma acção premeditada ou mal intencionada, que não está de forma nenhuma relacionada com a situação de jogo;

Comentário:

Quando se comete uma falta das que estão contempladas nas Regras 8:5 e 8:6, durante o último minuto de um jogo, com a intenção de evitar um golo, esta acção deve ser considerada como “conduta extremamente antidesportiva” segundo a Regra 8:10d e punida segundo a mesma.

Texto da regra 8.10:

Conduta antidesportiva extremamente grave que deve ser sancionada com uma desqualificação (e obrigatoriamente relatório escrito).
8:10 Se os árbitros classificaram a conduta como extremamente antidesportiva, devem obrigatoriamente após o jogo elaborar relatório escrito de modo a permitir que as autoridades responsáveis estejam em posição de tomar as medidas adequadas.

As acções seguintes servem como exemplos:

a) Insultos ou ameaças dirigidas a outra pessoas, p. exemplo, árbitros, cronometrista/secretário, delegados, oficiais de equipa, jogadores e espectadores. As mesmas podem ser de forma verbal ou não verbal (por exemplo: expressões faciais, gestos, linguagem corporal ou contacto físico);

b) (I) a interferência no jogo de um oficial de equipa, no terreno de jogo ou a partir da zona de substituições, ou (II) jogador que impedir uma clara ocasião de golo através de uma entrada ilegal no terreno de jogo (Regra 4:6), ou da zona de substituições;

c) Se durante o último minuto de jogo a bola não está em jogo, e um jogador ou oficial de equipa impede ou atrasa a execução de um lançamento livre a favor dos adversários, com o objectivo de impedir que eles sejam capazes de efectuar um remate para golo, ou para obter uma clara ocasião de marcar golo; isto é considerado como conduta antidesportiva extremamente grave, isto também se aplica a qualquer tipo de interferência (por exemplo: através de subtil contacto físico, interceptar um passe, interferência na recepção da bola, não largar a bola);

d) Se durante o último minuto de um jogo e com a bola em jogo, os adversários, através de uma acção que ao abrigo da Regra 8:5 ou 8:6, impedem a equipa de posse de bola, de efectuar um remate para golo ou uma acção para obter uma clara ocasião de golo, não deve ser apenas desqualificado conforme o indicado nas Regra 8:5 ou 8:6; um relatório escrito tem, obrigatoriamente, de ser efectuado.


O que é que isto trocado por miúdos diz?
Que um cartão vermelho não merece relatório devido ao tempo de jogo propriamente dito, mas devido à ação que é praticada.

Exemplo:
Se, numa ação de jogo, um defesa atinge involuntariamente um adversário na cara, deverá ser-lhe exibido o cartão vermelho. Mesmo que essa ação ocorra no último minuto de jogo, se se considerar que não foi uma ação propositada ou que tivesse como intuito impedir a equipa atacante de criar uma oportunidade de golo, não deverá ser escrito relatório. Anteriormente isso acontecia, se se passasse no último minuto de jogo.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

NOVAS REGRAS 2012

Estamos com a época a começar.
Como sempre, os árbitros tiveram a reciclagem de início de época, em que foram transmitidas as indicações para a nova época, bem como as alterações às regras e regulamentos, que entrarão em vigor já no próximo fim de semana.

Nos meus próximos posts, irei falar individualmente de cada uma dessas alterações, que respeitam os seguintes temas:
  1. Desqualificação no último minuto;
  2. Treinador;
  3. Lista de participantes;
  4. Oficiais inscritos;
  5. Time-outs;
  6. Intervalo.
Qualquer questão que julguem ser necessário abordar, por favor façam-me chegar.