segunda-feira, 5 de novembro de 2012

SANÇÕES DISCIPLINARES NOS CONTRA-ATAQUES - Esclarecimento

O meu post de hoje vem na sequência de alguns esclarecimentos que me propus realizar por situações ocorridas recentemente nos jogos que dirigi. Falo, então, das sanções a atribuir em faltas cometidas sobre um adversário que segue em contra-ataque.

Antes de mais, é preciso lembrar que um jogador que segue em contra-ataque está completamente desequilibrado e que qualquer contacto poderá ter efeitos sérios sobre a sua integridade física.
As alterações às regras, nos últimos anos, surgem no sentido de proteger os jogadores que menos possibilidade têm de se defender de contactos (intencionais ou não) que possam provocar-lhes lesões sérias, onde se incluem os toques nos pés de pontas em suspensão e as saídas dos guarda-redes nos contra-ataques, por exemplo.
Também por este motivo se exige muitíssimo rigor aos árbitros nos toques pelas costas de um adversário que segue em contra-ataque.


É preciso sempre analisar duas coisas:
  1. Decisão técnica;
  2. Decisão disciplinar.
Este post não aborda a decisão técnica. Ficará para outra oportunidade.

No que toca à decisão disciplinar, na hora de agir temos de fazer as seguintes perguntas:

  • Havia possibilidade de jogar a bola usando meios legais?
  • Se sim, porque não foram usados?
  • A ação é dirigida à bola ou exclusivamente ao adversário?
  • O toque foi lateral? Foi frontal? Foi pelas costas?
  • Foi toque ou empurrão?
  • Que efeito no adversário a ação do defesa vai provocar?

Claro que não paramos para pensar, até porque o treino e a experiência ajudam-nos a decidir mais rapidamente, mas há muitos fatores a ponderar.

No entanto, há algumas situações que não requerem muito tempo para uma decisão adequada.
Aconteceu-me num jogo recentemente um lance com as seguintes caraterísticas:

  • Jogador em contra-ataque;
  • O defesa não tem qualquer possibilidade de o parar usando meios legais;
  • Contacto feito pelas costas;
  • Toque no braço de remate, no momento do remate.
  • ÚNICA DECISÃO POSSÍVEL: DESQUALIFICAÇÃO.

Isto não configura, por si só, um ato de indisciplina.
Isto não obriga, por si só, a relatório disciplinar.
É uma desqualificação que surge na sequência de um ato defensivo descuidado.

Poder-se-á, em outros casos, excluir um jogador em algumas situações que não sejam passíveis de causar lesões físicas sérias ao adversário ou que não constituam uma conduta antidesportiva grave.

O cartão amarelo deverá ser usado para situações ainda mais excecionais. O contra-ataque é um caso particularmente crítico de risco de lesão e uma advertência é normalmente uma punição muito curta nestes casos, e só deverá ser atribuída em situações de pouca gravidade.

Ideia-chave a reter nestas situações: contacto sem intenção de jogar a bola, pelas costas, no braço de remate, em ato de remate = CARTÃO VERMELHO. 

Uma última nota... não faço aqui referência a qualquer regra propositadamente. A minha intenção com este post é a de transmitir as ideias importantes em linguagem corrente. Posteriormente e se julgar pertinente, farei um post com os fundamentos técnicos do texto que aqui deixo.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

UM AGRADECIMENTO PESSOAL

Hoje não vou fazer nenhum post sobre regras. Tinha começado já a fazer outros, mas esses vão esperar, e faço-o por um motivo que me agrada muito partilhar convosco.

Esta manhã fui apitar um jogo regional de juvenis femininos, entre a Ac. Espinho e o Valongo. Tive de o fazer sozinho porque o meu colega desta manhã teve um problema de última hora que o impediu de vir a Espinho esta manhã.
Quando se dirige um jogo sozinho, há muitas coisas que mudam, a começar pela visão que temos dos lances.

Na sequência de um remate da Ac. Espinho, a guarda redes do Valongo não defendeu à primeira e acabou por tirar a bola de junto da baliza, sem que eu conseguisse ver se tinha ou não passado a linha, num lance que em qualquer jogo seria sempre de dúvida. As atletas da Académica gritaram golo. Eu não vi e perguntei à guarda redes se tinha sido golo e ela disse que sim, que já tinha tirado a bola de dentro da baliza.
Assinalei golo.
Sim, só o fiz porque a guarda redes confirmou que o sofreu.

Perante isto, só me resta agradecer às 2 equipas a correção com que o jogo decorreu e a compreensão perante a minha impossibilidade de ajuizar corretamente este lance em particular.
Mas o agradecimento maior vai para a guarda redes da equipa do Valongo, porque com este gesto e mesmo sem essa intenção, me fez sentir que ainda vale a pena andar no andebol.
Agradeci-lhe pessoalmente e volto a fazê-lo publicamente.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

CARTÕES VERDES PARA TIME-OUT - Esclarecimento

O meu post de hoje é apenas a divulgação de um Comunicado Oficial da FAP.
E faço-o porque várias pessoas já me abordaram para esclarecer este assunto, e eu dei uma informação contrária ao que vem no comunicado agora divulgado.


Passo a explicar.
O Comunicado Oficial nº 20 refere no seu ponto 5.e) que:
  • Cada equipa deverá ser portadora de três cartões Time-out numerados com o 1, 2 e 3 numa das faces.
Esta foi também a indicação que nos foi dada na reciclagem, e foi também isso que transmiti a todos os que me questionaram sobre quem deveria ser portador dos cartões.
Ora, o Comunicado Oficial nº 38 refere agora que:
  • A fim de facilitar logisticamente o cumprimento desta norma, o clube visitado é o responsável pela colocação dos seis (6) cartões verdes (3 para o clube visitado/3 para o clube visitante) numerados com T1, T2, T3, antes do início de cada jogo na mesa do cronometrista/secretário.
Fica, assim, claro, que É O CLUBE DA CASA o responsável pela apresentação dos 3 cartões para cada equipa.

domingo, 21 de outubro de 2012

BOLA NA CARA DO GUARDA-REDES - Esclarecimento

E porque as coisas que acontecem nos jogos e não são compreendidas por todos são sempre os melhores motivos para se escrever aqui no blogue, este fim de semana ganhei alguns bons temas...
Hoje falo sobre as situações em que a bola bate na cara do guarda-redes. As indicações anteriores apontavam para um time-out imediato e posse de bola atribuída ao guarda-redes, para a repor em jogo através de um lançamento de baliza. Ora, apesar de isso continuar a ser o que o público em geral, e até a maioria dos agentes do andebol pensam que deve ser feito, está incorreto.


As orientações mais recentes vão no sentido de se esperar a consequência do ressalto. Ou seja, deve dar-se 1 ou 2 segundos antes de interromper o jogo para assistência ao guarda-redes. Depois, pode acontecer uma de várias situações:
  • Se a bola sai pela linha lateral ou pela linha de saída de baliza, o jogo recomeça com o lançamento correspondente;
  • Se a bola ressalta para um elemento da equipa do guarda-redes, essa equipa fica com a posse de bola;
  • Se a bola ressalta para um elemento da equipa que rematou, então esta equipa deve ficar com a posse de bola.
Este último caso obriga a uma ressalva. Se um jogador atacante recebe a bola nestas condições e está, nesse momento, isolado junto à linha dos 6m, o jogo deve ser retomado com um lançamento livre de 9m. Não se considera, neste caso, uma interrupção de uma clara oportunidade de golo devido a uma situação exterior ao jogo.
Ora, isto gera protestos vindos dos dois lados.
Por um lado, a equipa do guarda-redes "atingido" reclama a posse de bola devido ao facto de a interrupção do jogo ter acontecido devido à bolada na cara. Erro.
Por outro lado, a equipa cujo jogador fica com a posse de bola, isolado aos 6m, reclama livre de 7m por ver interrompida uma clara oportunidade de golo. Erro.

Penso que a falta de informação pode ser uma falha facilmente corrigida, assim haja possibilidade de divulgar a toda a família do andebol este tipo de indicações dadas aos árbitros.
Não me refiro às instruções sobre técnica de arbitragem, porque essa diz respeito apenas a nós. As equipas também não revelam as suas táticas. Refiro-me, apenas, às indicações que afetam diretamente as equipas através das nossas decisões em campo.
Por outro lado, penso que as equipas deviam dedicar mais tempo de treino às regras. Não é compreensível que pessoas com responsabilidades desconheçam regras básicas.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

2012/2013 - QUESTÕES 01 - resposta

Quanto ao post anterior, as respostas às 2 questões que deixei são muito rápidas.
  1. Golo legal ou ilegal?
    O golo é absolutamente legal.
  2. Porquê?
    Como alguém num comentário referiu, é a mesma situação, comparativamente, de uma reposição ao meio campo após golo.
    As regras não colocam qualquer entrave acerca do remate direto à baliza, focando-se no tempo que o executante demora até soltar a bola da mão, no posicionamento do seu próprio pé e no posicionamento dos restantes atletas em campo.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

NOVAS REGRAS 2012 - Time-out

Falta apenas falar, nesta série de posts sobre as novas regras para esta época, sobre as inovações nos time-outs.
  • São agora permitidos 3 time-outs por equipa;
  • No máximo, podem ser pedidos 2 time-outs por parte;
  • Nos últimos 5 minutos de jogo, pode ser apenas pedido UM time-out.
Esta é a imagem de um cartão, tal como este deve ser:


Não está grande coisa, porque fui eu que fiz isto no Paint... :)
É, também, importante reter algumas considerações:
  • Os cartões devem ter um T maiúsculo, com a indicação sobre o número do time-out: 1, 2 ou 3;
  • Ao intervalo, se nenhum time-out tiver sido pedido por uma equipa, esta deve entregar na mesa o T1;
  • O cartão deve ser entregue em mão ao Oficial de Mesa;
  • As equipas devem ser portadoras dos cartões.
Nesta fase inicial da época, deveremos dar uma margem grande para que as equipas se preparem para a necessidade de ter 3 cartões verdes, neste formato. Contudo, não me parece que seja problemático para uma equipa consegui-lo rapidamente.

Outra nota importante:
NO PROLONGAMENTO, CONTINUA A NÃO SER PERMITIDO PEDIR TIME-OUT!

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

NOVAS REGRAS 2012 - Lista de participantes

No que toca à lista de participantes, também há algumas indicações importantes para a época 2012/2013:
  • Fim do Oficial E;
  • Só se pode alterar os números e letras dos Oficiais;
  • No máximo são inscritos 14 atletas (exceção para PO1, em que o máximo são 16);
  • Só se aceitam listas feitas em computador.
Esta imagem é de uma lista de participantes que NÃO PODE SER ACEITE:

E não pode ser aceite por várias razões. Por exemplo:
  • Primeiro, porque na lista de participantes deve constar a listagem de Oficiais do A ao D, independentemente da função que desempenham;
  • Depois, porque é manual. A aceitação de listas manuais ESTÁ COMPLETAMENTE FORA DE HIPÓTESE.
Algumas considerações devem ser feitas.
É importante lembrar que as únicas coisas que podem ser escritas à mão são os números de atletas (em casos em que se impõe uma correção) e as letras dos Oficiais (nos mesmos moldes dos números dos atletas).
É preferível que se faça uma lista de participantes com atletas "a mais" do que o permitido, pois é possível riscar os não presentes. Para inscrever um atleta que não esteja na lista de participantes originalmente entregue aos árbitros, é obrigatório entregar uma lista de participantes nova.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

NOVAS REGRAS 2012 - Treinador

No que toca a esta época desportiva, a indicação é que o jogo se realiza sempre, independentemente de haver ou não treinador no banco.
Nos casos em que:
  1. Uma equipa se apresenta sem treinador;
  2. Uma equipa se apresenta sem treinador qualificado para a respetiva prova.
o procedimento correto será elaborar um relatório em que, nas Ocorrências Administrativas, se menciona, respetivamente:
  1. Ausência de treinador;
  2. Ausência de treinador qualificado para a respetiva prova.
A tabela onde constam as qualificações dos treinadores para a respetiva prova é o Anexo 8 ao Comunicado Oficial nº1 da Federação de Andebol de Portugal, que a seguir reproduzo:


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

NOVAS REGRAS 2012 - Oficiais inscritos

Para esta época, também há alterações no que toca à inscrição dos oficiais nos bancos.
Vejam-se as alterações uma a uma:
  • Desaparece a indicação que permitia a um médico ser inscrito como Oficial E, nomeadamente nos jogos da PO1;
  • Só é permitida a inscrição a 4 Oficiais;
  • O Oficial A continua a ser o responsável da equipa;
  • O treinador pode não ser o Oficial A;
  • Pode estar UM Oficial de pé.

Implicações práticas:
  • Um médico pode ser inscrito como Oficial A, B, C ou D, o que se aplica a todas as provas;
  • O treinador deixa de ser obrigatoriamente o Oficial A, estando menos sujeito a eventuais sanções disciplinares por algum problema que surja no banco;
  • Pode estar um qualquer Oficial de pé, embora não faça muito sentido que seja outro que não o treinador, que estará a dar indicações à equipa.