sábado, 14 de fevereiro de 2015

EXECUÇÃO DO LANÇAMENTO DE SAÍDA

Tenho-me apercebido, ultimamente, que muita gente ainda tem dúvidas ou desconhece a regra, no que toca à correta execução do lançamento de saída após golo.
Vamos partir esta questão em 5:
  1. Qual é o posicionamento correto do executante?
  2. Qual é o posicionamento correto dos colegas do executante?
  3. Qual é o posicionamento correto dos adversários do executante?
  4. A partir de que momento podem os colegas do executante passar a linha de meio campo?
  5. O passe pode ser feito para a frente?
As regras 10:3 e 10:4 são bastante claras em todas estas questões.

10:3 O lançamento de saída é executado em qualquer direção a partir do centro do terreno de jogo (com uma tolerância lateral de cerca de 1.5 metros). É precedido por um sinal de apito, após o qual deve ser executado dentro de 3 segundos. O jogador que executa o lançamento de saída deve estar com pelo menos um pé em contacto com a linha central e o outro pé sobre ou atrás da linha e deve permanecer nessa posição até a bola deixar a sua mão.
Não é permitido aos companheiros de equipa do executante cruzar a linha central antes do sinal de apito.

10:4 Para o lançamento de saída no começo de cada parte (incluindo qualquer período de prolongamento), todos os jogadores têm de estar dentro do seu próprio meio campo.
Porém, para o lançamento de saída depois de um golo ser marcado, é permitido aos adversários do lançador estar em ambos os meio campos.
Em ambos os casos, porém, os adversários devem estar a pelo menos 3 metros do jogador que executa o lançamento de saída.

Por isso, respondendo sucintamente a todas as questões que deixei...
  1. Qual é o posicionamento correto do executante?
    Com um pé sobre a linha central e outro sobre ou atrás dessa linha.
  2. Qual é o posicionamento correto dos colegas do executante?
    Atrás da linha de meio campo, até ao sinal de apito.
  3. Qual é o posicionamento correto dos adversários do executante?
    Qualquer, desde que se encontrem a pelo menos 3 metros do executante.
  4. A partir de que momento podem os colegas do executante passar a linha de meio campo?
    A partir do momento DO APITO, e não DO PASSE!
  5. O passe pode ser feito para a frente?
    Sim! Os colegas do executante podem já ter passado a linha de meio campo.


Esta é a imagem de um lançamento de saída efetuado corretamente.
  1. O executante está com ambos os pés sobre a linha de meio campo;
  2. Os seus colegas estão atrás da linha de meio campo aquando do apito do árbitro;
  3. Os seus colegas só ultrapassam a linha de meio campo após o apito do árbitro;
  4. Todos os adversários do executante estão a mais de 3m, independentemente do meio campo em que estão;
  5. Não importa a direção do passe.
Espero ter ajudado a esclarecer esta questão.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

"AUTOGOLO" DO GUARDA-REDES?

Surgiu recentemente um caso em que o guarda-redes, após ter a bola controlada e ao fazer o movimento para lançar o contra-ataque, a fez ultrapassar a linha de golo.

A questão óbvia que se colocou é se seria golo ou não.

A resposta, ainda que muitos possam discordar dela, é clara e está no livro de regras. Não é golo!

A partir do momento em que o guarda-redes agarra e controla a bola dentro da área de baliza, considera-se lançamento de baliza, segundo a regra 12:1:

12:1 Um lançamento de baliza é ordenado quando:
(ii) Um guarda-redes controla a bola na área de baliza;

Não é preciso a bola sair!

Agora, pode pensar-se que este caso pode ser um caso extremo de execução do lançamento de baliza. Não é, e o livro de regras explica porquê:

12:2 O lançamento de baliza é executado pelo guarda-redes, sem sinal de apito, do árbitro, a partir da área de baliza para o exterior da linha de área de baliza.
Considera-se que o lançamento de baliza foi executado quando a bola lançada pelo guarda-redes ultrapassou completamente a linha de área de baliza.

Ou seja, a bola tem de passar a linha dos 6m para dentro do terreno de jogo. A baliza está fora destes parâmetros. Há mais alguns excertos que justificam esta afirmação.

Mas a regra 15:2 é demasiado clara para que permaneçam dúvidas neste caso:

15:2 (...) Um golo pode ser obtido directamente de qualquer lançamento, excepto “auto-golo” através de um lançamento de baliza (p. exemplo deixar cair a bola directamente para dentro da sua própria baliza).

Daqui se conclui que, neste lance, nunca poderia ser "autogolo".

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

SANGUE NO EQUIPAMENTO

Perguntaram-me há uns dias o que fazer se um jogador se recusar a sair do campo se o árbitro o mandar sair por estar a sangrar ou com sangue no equipamento.

A resposta é qualquer coisa como "sai a bem ou a mal". :)

Claro que essa não é a situação ideal, e confesso que nunca vi alguém recusar-se a sair por um motivo destes, mas nunca estamos livres de nos vermos confrontados com uma situação do género. Aqui, a regra 4:10 é clara.

4:10 Se um jogador está a sangrar ou tem sangue no corpo ou equipamento, deverá abandonar imediatamente e de forma voluntária o terreno de jogo (como uma substituição normal) para estancar o sangue, cobrir a ferida e limpar o corpo e equipamento. O jogador não deverá regressar ao terreno de jogo até que todos estes preceitos tenham sido seguidos.
Um jogador que não cumpra as instruções dos árbitros neste sentido é considerado culpado de conduta antidesportiva.

Ou seja, o árbitro deve convidar o atleta a sair, se este não tomar essa atitude de livre e espontânea vontade. Se, ainda assim, o atleta se recusar, deverá ser punido disciplinarmente em conformidade.
É mais que uma mera questão de bom senso, é também uma questão de higiene e saúde. E por todos sabermos isso, a situação da recusa é quase impensável.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

INÍCIO DE NOVAS FUNÇÕES

Comecei este domingo a exercer a outra vertente das minhas novas tarefas no seio da arbitragem, com a função de Delegado no Sporting x ISMAI, depois de há 2 semanas ter tido oportunidade de sentir o sabor de ser "oficialmente" Observador, após alguns anos a trabalhar nesta área com os árbitros da Associação de Andebol de Aveiro.

São coisas diferentes, que se complementam de certa forma. Não escondo que ainda me sinto um bocadinho árbitro, mesmo que entre para um jogo de calças e sapatos. Tenho a arbitragem no sangue, como é fácil de ver. Quem me conhece bem sabe que não pode olhar para mim sem me imaginar de apito e cartões na mão.

Mas é também por toda essa paixão ao Andebol e à Arbitragem que me vou dedicar de corpo e alma a aprender a exercer as funções de Delegado / Observador (gosto de imaginar que posso acrescentar "Formador", na medida em que o meu trabalho puder ajudar a crescer quem lá está dentro). Vou dar o meu melhor, para dignificar o nome e o emblema da Federação de Andebol de Portugal, que orgulhosamente usei ao peito em tantos fins de semana desde 1999, e que continuo a usar de outra forma, mas também para defender a Arbitragem enquanto elemento fundamental de um bom espetáculo desportivo. 
É bom sentir-me "de volta". :)

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

REVISTA APAOMA - Artigo 2

Nesta edição da revista, escrevi sobre a sanção progressiva. Esta é a primeira parte do artigo, sendo que a segunda sairá na próxima edição da revista.

Podem encontrar o artigo nas páginas 25 e 26 da revista, cujo link é:

http://issuu.com/revistaapaoma/docs/apaoma_revista_3/6?fb_action_ids=10152880343872425&fb_action_types=og.shares


terça-feira, 28 de outubro de 2014

ENTREVISTA À REVISTA DA APAOMA

Eu e o Bruno concedemos uma entrevista à revista da APAOMA, a quem desde já agradeço imenso a oportunidade de nos permitir abordar a nossa experiência pessoal e explicar um pouco dos nossos pontos de vista sobre a arbitragem.

Deixo aqui o link da revista cuja leitura recomendo vivamente. A nossa entrevista encontra-se a partir da página 6. E sim, a saudade aperta...





quarta-feira, 22 de outubro de 2014

CURSOS DE ÁRBITROS - E por que não?

Não tenho por hábito publicar este tipo de anúncio aqui no blogue, mas desta vez vou abrir uma exceção. Parece-me que muitos jovens não experimentam a arbitragem por falta de apoio de quem os rodeia ou por falta de incentivo.

Nós, aqui em Aveiro, vamos procurar captar novos valores para a arbitragem em breve (inscrições para o primeiro curso desta época até ao fim deste mês). Deixo aqui o meu apelo para que jovens e menos jovens venham experimentar o lado de cá do andebol. Vão ver que vale a pena! Ser árbitro enriquece-nos desportiva e pessoalmente, ao mesmo tempo que crescemos no Desporto, e isso dá-nos vivências que não teríamos de outra forma.

Fica um apelo igualmente forte para que pais, encarregados de educação e dirigentes de clubes incentivem os seus filhos, dependentes ou atletas a vir experimentar a arbitragem. É bom para todos!
Quem não gostar não é obrigado a ficar ligado... mas só depois de experimentar é que podemos formar uma opinião!

Por isso, seja em Aveiro ou em qualquer outro ponto do país, ou até em qualquer outro país, porque sei que este blogue é lido lá fora, deixo o repto para virem conhecer uma atividade tão difícil quanto gratificante, como é a arbitragem. Dirijam-se às vossas Associações Regionais ou Federações, informem-se sobre cursos de árbitros e venham experimentar!

domingo, 19 de outubro de 2014

CONTAGEM DOS CARTÕES AMARELOS

Ultimamente esta questão foi-me colocada várias vezes, o que me leva a pensar que esta dúvida pode estar presente em muitas pessoas. Tem a ver com a contagem dos cartões amarelos quando, pelo meio, há um cartão amarelo mostrado a um Oficial.

Ora, todos sabemos que, no máximo, só pode haver 3 cartões amarelos mostrados a uma equipa. Mas quando dizemos "por equipa", queremos dizer "a jogadores". Isto quer dizer que o "quarto amarelo" é possível, desde que seja mostrado a um dos oficiais. 

Por outras palavras, devemos ter uma contagem independente do número de advertências. Mesmo que os 3 cartões amarelos a jogadores de uma equipa já tenham sido exibidos, é sempre possível exibir UM cartão amarelo aos Oficiais dessa equipa. 

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

CONDUÇÃO DE JOGOS DE CAMADAS JOVENS

Um bocadinho na onda do último post, deixo aqui, de forma breve, a minha visão do que deve ser uma arbitragem de um jogo de camadas jovens. Aqui já começo a excluir os juvenis (às vezes também iniciados...) em competições nacionais, porque já são equipas muitas vezes bastante evoluídas e com mentalidade de "précompetição". Até aí, venha quem vier, são crianças.

E é isto que mais me incomoda neste particular. Dirigir hoje um jogo de iniciados ou infantis (já nem falo de menos que isso) é mais difícil do que dirigir o mesmo jogo há 10 anos. Os atletas têm menor noção de autoridade e respeito pelo próximo. Muitos não reconhecem o árbitro como elemento condutor do jogo e dos jogadores. É frequente vermos miúdos a responder torto e em tom desafiador, isto para não mencionar as situações em que pura e simplesmente ignoram o que o árbitro lhes diz.
Não vou entrar em conjeturas sobre o que pode estar por trás desse comportamento ou do grau de educação que muitos (não) trazem, mas é-me fácil mencionar casos em que os próprios pais cultivam um mau ambiente dentro de um pavilhão.

No início da minha carreira, ainda eu tinha pouca capacidade para me controlar e a probabilidade de eu ter reações infelizes era maior, aconteceu num jogo de iniciados aqui no norte aquilo que acontece tantas vezes agora: um pai a insultar e a ameaçar tudo e todos, atletas e árbitros. Num momento em que infelizmente explodi, dirigi-lhe a palavra e disse-lhe para ter vergonha daquilo que estava a fazer, porque estava a dar um péssimo exemplo aos miúdos. Nesse momento, um atleta (recordo, iniciado) dirige-se a mim e diz (lembro-me como se tivesse sido hoje...): "Sr. Árbitro, peço-lhe desculpa pelo meu pai. Já lhe pedi para não fazer isto porque me envergonha, mas ele não me liga.". Quem acabou por pedir desculpa fui eu, mas ao miúdo, não ao pai. 

Mas por que é que conto isto?
Porque esta postura de quem está de fora, prejudica muitas vezes a postura de quem está dentro. Nestes jogos em que o essencial é promover a atividade física, o amor à modalidade e o espírito de grupo em gente tão jovem, o árbitro deve assumir um papel o mais pedagógico possível, dialogante, não autoritário mas firme. É obrigatório não confundir pedagogia com passividade nem calma com ausência de ação.
Muitas vezes é preciso ser duro. Ser pedagógico é saber desqualificar um atleta se for necessário, com a obrigação de explicar a decisão e conversar com o atleta no final do jogo (se houver igual vontade do conjunto atleta + treinador). É preciso mostrar que o jogo tem regras e limites, e para isso existem as faltas para serem assinaladas e as sanções para serem atribuídas.

Mas também é preciso contornar as regras. Conscientemente.
Num episódio que penso que já contei aqui, num jogo de minis há alguns anos, entrou um miúdo que eu percebi claramente que era a primeira vez que tocava numa bola. Fez logo dribles. Parei o jogo, perguntei-lhe se sabia o que tinha feito, e ele disse a medo que achava que tinha feito falta. Expliquei-lhe a regra dos dribles e perguntei-lhe se queria a bola outra vez. Ele disse que sim e, em jeito de brincadeira, disse que em troca ele não podia voltar a fazer dribles. Não fez. Tive o cuidado de explicar aos miúdos da outra equipa que estavam ali ao lado o que estava a fazer e tive a sorte de ser bem aceite.
Contornei as regras? Sim. Mas ensinei algo a um miúdo que queria aprender. Esse deve ser o princípio que norteia os adultos envolvidos num jogo de crianças tão jovens: ensinar.

Em outra ocasião, há já muitos anos, num jogo de minis ou infantis femininas, o treinador de uma equipa disse às atletas algo como "quando o árbitro explicar alguma coisa a uma, ouçam todas o que ele diz". Em cada paragem para me dirigir a uma atleta, tinha meia dúzia à minha volta. Foi um jogo diferente. Foi um bocado mais longo, porque depois tinha de esperar que elas voltassem ao lugar, mas foi um jogo que me deu um prazer imenso. Senti-me útil e ao serviço da "Formação de Jovens", o que sempre gostei de fazer.

Agora, sempre o lado de cá... todos os árbitros têm capacidade para saber estar num jogo destes? Não. Todos os árbitros serão bem aceites quando tiverem alguma atitude mais pedagógica? Não.
Também é nestes jogos que é preciso lançar os mais jovens e mais inexperientes, e isso muitas vezes resulta em exibições que contrariam tudo aquilo que escrevi em cima. Mas é um risco que temos de correr. Em Aveiro, procuramos acompanhar os mais jovens juntando, sempre que possível, alguém mais velho. Mas muitas vezes, a ocupação nacional dos mais velhos não permite o acompanhamento dos mais novos.

Todas estas questões são muito complicadas e há muitos pontos de vista tão válidos quanto o meu. Apenas apresentei aquilo que defendo, de peito aberto e sujeito à crítica, como sempre vivi a minha carreira.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

VALORES MORAIS EM CAMADAS JOVENS

Vou aproveitar esta fase de férias do andebol de pavilhão para deixar a minha opinião acerca dos valores muitas vezes incutidos nos jovens atletas.

Pessoalmente, acho que há idades em que a vitória é o menos importante. Aceito que haja quem pense que vencer um jogo de minis ou infantis é mais importante do que colocar todos os jogadores que tem no banco a jogar, mas não concordo. Mas o que me leva a escrever este post nem sequer é o desejo de vitória. Preocupa-me muito mais a noção de respeito (ou falta dele...) que muitos atletas demonstram, algumas vezes com a proteção dos seus responsáveis.

Não há nada mais importante a incutir num jovem atleta do que o respeito pelo adversário, pelo árbitro, pelo público e até pelo próprio colega. Como exemplo, aconteceu-me há algum tempo, num jogo decisivo de camadas jovens, ir tentar levantar do chão um atleta que saiu derrotado e vê-lo recusar a minha mão estendida, virando costas, em frente ao seu treinador, que nada fez a não ser ir confortar os seus atletas, que nem sequer estavam a cumprimentar os elementos da outra equipa.
Pode ser de mim, mas dada a tenra idade do jogador, a única atitude correta que o treinador deveria ter tomado seria dar uma reprimenda ao miúdo e fazê-lo vir cumprimentar-me. Por acaso o jogo até tinha corrido bem para a arbitragem, pois não foi demasiado complicado de dirigir. Mas mesmo que tivesse sido um jogo marcado por alguma decisão polémica, nada justifica a ausência de respeito pelos outros intervenientes, especialmente por alguém tão jovem. 
Este caso é preocupante por não ter sido imediatamente resolvido pelo responsável da equipa. A cobertura dada à atitude do atleta, através da ausência de medida corretiva, é um péssimo princípio para o próprio atleta.

E agora põe-se obrigatoriamente a questão: os árbitros respeitam sempre os outros intervenientes no jogo? Não, com certeza que não. Eu próprio já tive momentos infelizes, principalmente quando era mais jovem e inexperiente. A pressão resulta nisso mesmo, algumas vezes. O que tive sempre foi consciência e/ou alguém que me corrigiu e não me deixou enveredar por um caminho errado.
Aos árbitros que ajudo e ajudarei a formar no futuro, procuro, algumas vezes sem sucesso, incutir o espírito de que somos só mais um em campo, e que todos queremos o mesmo: um bom espetáculo e um bom jogo de andebol. Não somos mais do que ninguém e ninguém é mais do que nós. Devemos respeitar para ser respeitados. Nem sempre acontece, de parte a parte, mas cabe a cada um de nós fazer o que nos compete, para um convívio mais são dentro de um recinto desportivo, e também fora dele.

Todos temos uma palavra a dizer sobre isto, especialmente com os mais jovens.