quarta-feira, 18 de agosto de 2010

ENTREVISTA (3 de 4)

Já conheço as novas regras, mas de forma alguma me devo antecipar à FAP nesta discussão. Pretendo analisá-las aqui no blogue depois da reciclagem.
Enquanto tal não acontece, e aproveitando também este período de férias/pré-época, deixo aqui cópia de uma entrevista que eu e o Bruno demos à APAOMA, também publicada no site da Associação. O texto é quase 100% do que lá está, faço umas ligeiríssimas alterações, que poderão complementar o texto que lá está, mas serão muito, mesmo muito pontuais.
Deixo um agradecimento especial à APAOMA, e ao Alfredo Teixeira em particular.
Não deixo esta entrevista ao acaso. Não pretendo fugir ao tema "arbitragem", de forma alguma, estou apenas a revelar outra perspectiva diferente da análise às regras e às situações de jogo.
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10 – Que opinião tem a respeito de haver mais aproximação entre os agentes desportivos (Árbitros, Treinadores, Jogadores e Oficiais de Equipa) com a realização de eventos destinados a esta mesma integração? Pode dar-nos um contributo, uma opinião.
Somos 100% a favor, e de forma urgente! Já tivemos oportunidade de dizer que a convergência de opiniões é essencial para o desenvolvimento do andebol! Além disso, sempre defendemos que um árbitro não é bom árbitro se não perceber de técnica e táctica, e um treinador não é bom treinador se não perceber de regras e condução de jogo.
Um árbitro tem de compreender em que se baseia a defesa 3x2x1, tem de saber distinguir um 4x2 de um 4+2, para se saber colocar e prever movimentações, para se preparar. Um treinador tem de ser conhecedor de regras para evitar que os seus jogadores cometam infracções desnecessárias, para conseguir ler o tipo de condução de jogo que determinada dupla de arbitragem efectua.

11 – O que diria aos Árbitros Jovens como conselho em relação ao futuro na Arbitragem?
Acima de tudo, que honrem a camisola e o emblema que envergam. Que dignifiquem uma actividade tão nobre quanto difícil como a arbitragem. A nossa visão enquanto dupla é que somos “apenas mais um” dos vários elementos de um jogo. O jogo precisa de nós mas nós também precisamos do jogo. Muitos árbitros jovens não sentem isso, pelo que conseguimos ver. Mas muito importante para os mais jovens é aprender a tirar partido do prazer de conduzir um jogo! Divirtam-se, e a vossa evolução será mais rápida, pois vão sentir o verdadeiro prazer de arbitrar! Além disso, os momentos fora dos jogos, os convívios com outras pessoas em torneios, fases em concentração, jantares, são algo que enriquece muito a nível pessoal.

12 – Acha que actualmente a Arbitragem Nacional é devidamente compensada pelo seu trabalho e esforço no contexto do Andebol Nacional? O que acha que deveria ser melhorado.
Pensamos que não. Compreendemos que somos poucos e que temos de chegar a todos os lados, mas torna-se difícil fazer 5 ou 6 jogos num fim-de-semana, muitas vezes após percorrer longas distâncias. O 5º e o 6º jogo já não permitem a tal diversão que falámos há pouco pois o cansaço e a saturação apoderam-se de nós. Fazemos o que gostamos, e gostamos do que fazemos, mas torna-se cansativo fazer tantos jogos. Monetariamente, os valores não são elevados e a tributação fiscal e o código contributivo são questões que não jogam a nosso favor.

13 – Indique-nos um Árbitro que lhe serviu ou serve de modelo ou que possa servir para os novos Árbitros.
Não vamos referir nomes por respeito àqueles que por lapso nos poderíamos esquecer. Mencionamos apenas o nome do Carlos Malpique e do António Nunes, os homens que nos deram o curso e primeiro nos incutiram o gosto pela arbitragem. Os novos árbitros têm de olhar para todas as duplas de topo e de todas elas extrair um pouco para a sua evolução e valorização pessoal.

4 comentários:

Jorge Almeida disse...

Sr. Eng.,

em relação à regra que sanciona os GR caso eles saiam para cortarem contra-ataques, acho essa regra discriminatória face aos restantes jogadores.

Pelo que percebi, o GR que sair da área para cortar contra-ataque, e, nessa acção, provocar (mesmo que involuntariamente) um choque com o adversário, é excluído por 2 minutos.

No entanto, se for um jogador de campo, já nada disso acontece. Só leva 2 minutos, e bem, se fizer falta.

Não é o mesmo conjunto de regras que diz que o GR, fora da área de baliza, passa a ser um jogador como os restantes? Bem, pelos vistos, deixou de o ser, e da pior maneira ...

Esta mesma regra aplica-se ao jogador de campo que está "a fazer as vezes" de GR aquando das exclusões de 2 minutos dos GR?

Jorge Almeida disse...

Sr. Eng.,

se o GR sair da sua área de baliza para tentar apanhar um passe de contra-ataque directo da equipa adversária, e, nesse intermédio, houver um choque fortuito entre o GR e o adversário, o GR é excluído por 2 minutos?

E se for o adversário a provocar esse mesmo choque?

Se não me falha a memória, o que estava escrito, acerca dessa regra, no documento que citei em comentário anterior (aquele que foi emitido pela IHF em 2009), era que o GR não pode sair da sua área de baliza para "cortar" contra-ataques (senão leva com a exclusão por 2 minutos). Se interpretei bem, acho que isso é uma discriminação negativa dos GR face aos restantes jogadores.

Não eram as regras que diziam que os GR, fora da sua área de baliza, são como os restantes jogadores? Se a minha interpretação estiver correcta, deixa de ser assim, pois, se imaginar a mesma situação (choque involuntário no desenvolvimento dum contra-ataque directo), só que, desta vez entre 2 jogadores de campo, nada disso acontece.

è minha convicção que, quando o GR sai da baliza para cortar o contra-ataque, o que quer é chegar à bola antes do adversário.

Caso o GR tente fazer bloqueio, ou saltar para cima do adversário, isso são faltas que já eram punidas pelas anteriores regras, pois, no mínimo, eram comportamento anti-desportivo.

Jorge Almeida disse...

Sr. Eng.,

em relação ao meu comentário anterior, onde escrevi acerca das sanções disciplinares à saída dos GR para cortarem contra-ataques, tenho que lhe dizer que acabei de ler a regra traduzida no "Livro de Regras - Edição de 1 de Julho de 2010" que a FAP acabou de disponibilizar no seu sítio na net (link: http://213.134.51.44/publishing/img/home_275/fotos/94703492381845220515.pdf), e que achei que a regra foi bem melhor trabalhada do que estava naquele documento emitido pela IHF. Nota-se que houve trabalho.

Ainda assim, acho que é injusto desqualificar o GR quando ele ganha a posse da bola, mas no seu movimento provoca uma colisão com o adversário. Penso que só quer chegar à bola, não estando com más intenções em relação à saúde do adversário.

Continuo a achar esta regra discriminatória face aos restantes jogadores.
Se as 2 situações descritas nas alíneas do comentário à regra 8:5 acontecerem com jogadores de campo (por exemplo, central, ou ponta do outro lado, que vem fazer as dobras defensivas), é mera falta ...

Carlos Capela disse...

Essa regra é um pau de 2 bicos no que diz respeito ao conceito de "justiça".
Por um lado, compreendo que o GR, fora da área, é um jogador igual aos outros. Por outro, percebo que este tipo de contactos, como está especificado nas regras, são perigosíssimos para o contra-atacante e podem causar sérias lesões.
E isso também se aplica, obviamente, aos jogadores que estiverem na baliza aquando de exclusões aos GR. Afinal de contas, esses são os elementos identificados como GR naquele momento!

Num comentário ao novo livro de regras, ainda só o li na diagonal, mas parece-me bastante melhor estruturado que o anterior.
Mas preciso de o ler com mais pormenor.