domingo, 12 de fevereiro de 2017

FORÇA, PASSOS MANUEL

Já todos sabemos o que aconteceu ontem na A1, com a equipa do Passos Manuel. 
Nestes momentos sentimos quão frágeis e sujeitos todos estamos a estas coisas, porque as centenas de jogos semanais que a todos nos envolvem nos obrigam a andar sempre de um lado para o outro.
É por isso mesmo que todos temos de ser do Passos Manuel por estes dias. 
Graças a Deus não aconteceu nada de grave e todos os envolvidos já estão em casa.

Ao Passos Manuel em geral e à equipa senior feminina em particular, faço votos que a recuperação seja rápida e que voltem depressa à competição.

domingo, 8 de janeiro de 2017

NOVAS REGRAS - Jogadores de campo

Na sequência dos últimos 4 posts:
escrevo hoje sobre a possibilidade de as equipas atuarem sem guarda-redes, com 7 jogadores de campo.

Sem dúvida que esta alteração vai no sentido de dar mais liberdade tática aos treinadores, mas também acarreta os seus riscos. Se, por um lado, é permitido a uma equipa organizar o seu ataque de forma diferente, por outro lado atacar com a baliza deserta pode provocar dissabores em qualquer perda de bola. Mas esta, como disse, é uma decisão de quem comanda as equipas.

No que toca aos árbitros, tudo o que é necessário saber é que sem guarda-redes na baliza, a probabilidade de estar criada uma clara oportunidade de golo (condição básica para ser assinalado livre de 7m) é muito alta. A partir daí, tomar-se-á a decisão correspondente à situação criada.


Procedimento dos árbitros

  • Se um defesa entra propositadamente na área de baliza, SEM GR,  para impedir um golo, deve ser assinalado livre de 7m e, muito provavelmente, deve ser atribuída sanção disciplinar ao defesa, devido a conduta antidesportiva;

  • Só o GR pode efetuar um lançamento de baliza.
    Ou seja, se uma equipa efetua um remate para uma baliza deserta e a bola sai ao lado da baliza, terá obrigatoriamente de entrar em campo um GR para poder efetuar o respetivo lançamento de baliza, sem necessidade de se parar o tempo de jogo. Nestes casos, se ocorrer o atrasar deliberado, por motivos estratégicos, da entrada do GR, os árbitros devem proceder a um aviso verbal ou a uma ação disciplinar sobre o responsável, seja o Oficial ou o próprio GR;

  • Se a equipa adversária recupera a posse de bola e sofre uma falta dita "normal", não há lugar a livre de 7m.
    No entanto, se o jogador que recupera a bola tentar rematar para a baliza vazia, deverá ser assinalado livre de 7 metros. Para definir o conceito de "baliza vazia", entende-se "GR fora da área de baliza". Considera-se que um jogador tenta rematar para a baliza vazia quando, no momento da falta, já está com o braço armado em posição de remate.
    Nestes casos, a existência de sanção disciplinar depende da falta que for cometida;

  • Nos casos em que há um lançamento livre para ser executado após o sinal final, e a equipa que está na defesa tem 7 jogadores de campo, é autorizada a substituição para entrada de um GR.
Para todos os casos descritos em cima, considero que a equipa que ataca está com 7 jogadores de campo.

domingo, 23 de outubro de 2016

NOVAS REGRAS - Cartão Azul

Na sequência dos últimos 3 posts:

escrevo hoje sobre a aplicação do cartão azul.

Esta questão surgiu para que houvesse mais clareza sobre quando os árbitros iriam escrever relatório escrito sobre uma determinada ação, mostrando assim publicamente a intenção de o fazer.

No entanto, e até porque este é um ano de transição, a orientação para os árbitros é de exibirem o cartão azul em TODAS AS DESQUALIFICAÇÕES DIRETAS (não misturar com os casos em que o cartão vermelho surge na sequência de uma 3ª exclusão).

Procedimento dos árbitros
  • Desqualificação direta
    1. Os árbitros poderão reunir-se para tomar uma decisão conjunta;
    2. O cartão vermelho é exibido;
    3. O cartão azul é exibido;
    4. É efetuado relatório escrito;
    5. Um eventual castigo é decidido pelas entidades competentes.
  • Desqualificação por 3ª exclusão
    1. O cartão vermelho é exibido apenas devido à 3ª exclusão;
    2. Não é exibido cartão azul;
    3. Não é efetuado relatório escrito.
    NOTA: Assumo aqui que o atleta entretanto não tem qualquer atitude antidesportiva que justifique medidas adicionais, o que provocaria uma atuação diferente.

Ou seja, na base da regra, nada é alterado.
A exibição do cartão azul é um gesto meramente informativo, e indica que os árbitros vão escrever o que quer que tenha motivado a desqualificação. Não é sinal de qualquer sanção adicional, o que poderá ou não acontecer.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

NOVAS REGRAS - Últimos 30 segundos

Na sequência dos 2 últimos posts:

escrevo hoje sobre as novas regras, relativas às alterações que respeitam aos últimos 30 segundos de jogo.

Esta regra é provavelmente a que traz mais justiça ao jogo, entre todas as que foram alteradas.
O sucesso da regra do último minuto foi parcial, mas em muitos casos havia um sentimento de impunidade porque as condutas antidesportivas graves que eram cometidas num jogo acabavam por ser apenas sancionadas com jogos de suspensão nos jogos seguintes. Isso dava margem para que essas situações ainda continuassem a acontecer.

A alteração diz que as condutas antidesportivas que impeçam a criação de uma oportunidade de golo e que ocorrerem nos últimos 30 segundos devem passar a ser punidas com desqualificação e livre de 7 metros.
Esta regra aplica-se nos últimos 30 segundos DO JOGO ou de cada prolongamento, quando necessário, nunca em intervalos.

Procedimento dos Árbitros
  • Os árbitros, ao detetarem uma situação que se enquadre nestes casos, deverão parar o tempo de jogo, mostrar cartão vermelho ao elemento infrator, depois exibir o cartão azul, e então dirigir-se para a linha de lançamento de 7m.
Notas importantes
  • O livre de 7m só pode ser assinalado se o TEMPO estiver a correr.
  • O livre de 7m só pode ser assinalado se houver uma desqualificação prévia.
    Livres de 7m + 2 min podem acontecer, obviamente, mas derivados a situações naturais do jogo.
  • O resultado do jogo deixa de ser importante para a tomada de decisão. É indiferente estar 20x20 ou 40-10.
Dupla Vantagem
Esta regra levanta outra questão que não será fácil de gerir. É aberto o conceito de "dupla vantagem", válida apenas para UM passe. Consideremos o caso de um jogador que sofre uma falta que se enquadra na lei dos últimos 30 segundos. Se o jogador, apesar de sofrer a falta...:
  • Remata e...
    - marca: lei da vantagem normal; golo; desqualificação, cartão azul
    - falha: dupla vantagem; livre de 7m; desqualificação, cartão azul
  • Passa a um colega e este...
    - remata e marca: lei da vantagem normal; golo; desqualificação, cartão azul
    - remata e falha: dupla vantagem; livre de 7m; desqualificação, cartão azul
    - passa a bola: livre de 7m; desqualificação, cartão azul
Destaco o facto de a decisão técnica e a decisão disciplinar serem independentes. Ou seja, a decisão disciplinar mantém-se sempre, qualquer que seja a decisão técnica a tomar.

domingo, 2 de outubro de 2016

NOVAS REGRAS - Jogo Passivo

O meu último post (NOVAS REGRAS - Jogador lesionado) foi muito lido, o que revela o interesse de todos pelas alterações às regras.

Hoje falo sobre o jogo passivo. A alteração surgiu com a necessidade de os árbitros terem um critério mais objetivo após exibirem o gesto de advertência de jogo passivo, até ao momento de inverter o sentido de jogo.
Por isso, a partir desta época, uma equipa tem no máximo 6 passes para poder organizar um ataque rápido e rematar à baliza.

 À esquerda:
Sinal Manual 17






À direita:
Sinal Manual 11


Procedimento dos Árbitros
  • Até ao Sinal Manual 17 (advertência de jogo passivo) nada se altera. Considera-se que até aqui os árbitros têm seguido um critério coerente. O gesto deve ser efetuado quando um jogador tiver posse de bola, para uma mais fácil contagem dos passes.
  • Após o Sinal Manual 17, a equipa tem direito a efetuar 6 passes. Após os 6 passes (ou seja, no momento em que o 7º passe é concluído), o árbitro deve efetuar o Sinal Manual 11 (jogo passivo) e inverter o sentido de jogo.
Contagem dos 6 passes
Para a contagem dos 6 passes importa referir que:
  • A responsabilidade da contagem é dos árbitros.
  • Não é obrigatório "esgotar" os 6 passes. Tal como nas épocas anteriores, o jogo passivo pode ser assinalado em qualquer momento, se houver uma tentativa deliberada de não atacar a baliza.
  • A contagem não é interrompida em caso de haver, a meio da contagem, um lançamento livre ou de reposição, ou um pedido de time-out.
  • Se um passe não for concluído por intervenção faltosa de um defesa, esse passe não é contabilizado.
  • Se a defesa intercetar a bola após um passe, e esta ressaltar para um qualquer jogador do ataque (incluindo aquele que tinha efetuado o passe), é contabilizado um passe.
Após o 6º passe
  • Em "jogo corrido", após a conclusão do 7º passe o jogo deve ser imediatamente invertido.
  • No entanto, se após o 6º passe tiver de ser executado um lançamento (livre ou de reposição), é permitido um passe adicional, não sendo por isso obrigatório que a execução desses lançamentos se processe com um remate direto à baliza.
  • Se, após 6 passes, surgir um remate que embata no bloco e ressalte para o ataque de novo, é considerado que esse bloco se enquadra na categoria de "passe adicional". Assim, o jogador que recebe o ressalto tem de rematar à baliza sem possibilidade de passe.
  • O "passe adicional" só é permitido UMA ÚNICA VEZ ao longo do mesmo ataque.
Outras situações
Os árbitros não podem permitir um aumento da agressividade na defesa só porque a equipa atacante está na iminência de jogo passivo. Por isso mesmo, os árbitros não devem apenas concentrar-se em "contar passes" e descurar a ação dos defesas. Um aumento ilegal de agressividade deve ser punido disciplinarmente.

Em Portugal, esta regra aplica-se em todos os jogos de todos os escalões.

domingo, 25 de setembro de 2016

NOVAS REGRAS - Jogador lesionado

Esta é uma das regras que penso vir trazer maior grau de justiça e favorecer mais o espetáculo.
Quantas vezes os árbitros pararam o tempo e depois vieram a constatar que isso se revelou totalmente desnecessário, ou porque os árbitros se precipitaram ou porque o atleta simulou uma lesão só para quebrar o ritmo de jogo, e quantas vezes essas paragens se tornaram excessivamente prolongadas?
Com a introdução da nova regra, é certo que vão acontecer situações de injustiça para com algum jogador efetivamente lesionado após uma ação que os árbitros não avaliaram corretamente, mas serão muitos mais os casos em que o jogo se tornará mais limpo, mais fluido e mais justo. Necessariamente, mais espetacular.

Mas vamos falar sobre a regra.
A alteração diz que um jogador que necessite de assistência médica, dentro do campo, deverá sair  do terreno de jogo durante 3 ataques da sua equipa. Há exceções, de que falaremos a seguir.

À esquerda:
SINAL MANUAL 15






À direita:
SINAL MANUAL 16


Procedimento dos Árbitros
Quando os árbitros virem um atleta lesionado, terão de proceder de acordo com a situação.

  • Lesão visível
    Os árbitros interrompem de imediato o jogo através do Sinal Manual 15 e dão permissão para a entrada de 2 elementos do banco da equipa em causa, através do Sinal Manual 16.
  • Lesão não visível
    Os árbitros deverão aproximar-se do atleta lesionado e questioná-lo sobre se este necessita, efetivamente, de assistência médica dentro do campo.
    1. Se este diz que não, então o atleta deverá levantar-se e o jogo deverá prosseguir;
    2. Se este diz que sim, então os árbitros deverão efetuar a sequência e sinais manuais descrita no ponto de cima, autorizando a assistência médica ao jogador. Neste caso, deve manter-se a diretiva que os cuidados médicos deverão durar, tal como era, o mínimo de tempo possível. Assim que se puder levantar, o jogador deverá cumprir uma série de 3 ataques da sua equipa fora do terreno de jogo.
Comportamento dos Oficiais
Em nenhum caso os Oficiais da equipa podem recusar a entrada em campo após os árbitros efetuarem o Sinal Manual 16. Em caso de recusa, o Oficial A dessa equipa deve ser sancionado com sanção progressiva.

Contagem dos Ataques
Várias considerações devem ser feitas:

  • A contagem dos ataques deve estar a cargo do Delegado ao jogo, com a colaboração dos Oficiais de Mesa.
  • É importante referir que a definição de "um ataque" é "uma posse de bola". Uma tentativa de interceção, com a bola a ressaltar novamente para o ataque, não é um ataque.
  • Cada meio tempo coloca fim à contagem dos 3 ataques. Se um atleta estiver fora do terreno de jogo devido a este motivo quando chegar um intervalo (ou fim dos 60 minutos, ou prolongamentos e seus intervalos) e o jogo não tiver terminado, esse atleta poderá reentrar em campo no início do período seguinte do jogo.
  • A entrada antecipada relativamente aos 3 ataques de um jogador que deveria esperar mais tempo para poder entrar origina uma exclusão, sendo considerada como substituição irregular. No final do tempo de exclusão, o atleta poderá entrar em campo, independentemente do número de ataques da sua equipa.

Outras Situações
Outras ressalvas devem ser feitas:
  • Quando um jogador fica lesionado após uma situação que origina sanção disciplinar ao adversário, esta regra não se aplica.
  • Se um guarda-redes for atingido na cabeça, esta regra não se aplica. 
  • Em situações em que há um jogador lesionado de cada equipa, os árbitros devem fazer dois Sinais Manuais 16, e ambos os atletas devem sair durante 3 ataques da sua respetiva equipa.

Em Portugal, esta regra aplica-se apenas aos campeonatos da 1ª divisão masculina e feminina, às supertaças masculina e feminina, e às taças de Portugal masculina e feminina, após os 16-avos de final.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

INÍCIO DE ATIVIDADE COM NOVAS REGRAS

Com o início da nova época, recomeço também a atividade aqui no blogue.
Esta é uma fase muito importante da época, em que apesar de as equipas de topo já terem iniciado a competição, as de divisões inferiores e regionais ainda estão em fase précompetição.

Aqui em Aveiro promovemos uma ação de formação de início de época para os árbitros, mas em que, para a parte destinada às novas regras, convidámos os clubes, como forma de aumentar o debate e o esclarecimento sobre todas as diferentes situações com que todos nos vamos deparar ao longo da época. Muitos clubes aderiram, e confesso que fico muito feliz, não só pela adesão das pessoas, mas pela forma fantástica como decorreu a sessão.


Nos próximos posts, irei abordar as novas regras. Ressalvo que o que aqui escrever não é vinculativo, pois posso ter apreendido algo de forma errónea, mas farei a devida retificação se detetar alguma falha da minha parte.

Também por haver novas regras, peço a todos os que me seguem aqui no blogue, que tenham o devido cuidado ao lerem posts antigos, pois o número das regras e as próprias regras sofreram alterações, bem como, consequentemente, o meu próprio ponto de vista sobre o jogo pode ter mudado pontualmente. 
O que aqui escrever doravante reflete a nova leitura do jogo, a nível pessoal e ao nível das regras e regulamentos.

terça-feira, 5 de julho de 2016

JOGO PASSIVO APÓS TIME-OUT DE EQUIPA

Estamos praticamente de férias, e também por isso não pretendo fazer, nesta fase, posts excessivamente técnicos. A minha experiência diz-me que, nesta altura, poucas pessoas estão com pachorra para ler textos demasiado longos. No entanto, há questões que, pela sua simplicidade e pela sua premência, podem e devem ser abordadas.

Uma das coisas de que me apercebi nas últimas semanas é que ainda há pessoas que não sabem a lei do jogo passivo. 

Não me refiro ao momento da inversão do sentido de jogo, até porque esta questão vai sofrer alterações na nova época, mas ao momento do sinal de advertência de jogo passivo.

O sinal de advertência de jogo passivo é efetuado quando a equipa já está na iminência de ser penalizada com jogo passivo. 
A "contagem do tempo de ataque" começa a partir do momento em que a equipa ganha posse de bola e só é interrompida se acontecer uma de 3 coisas:
  • Sanção disciplinar à equipa defensora
  • Remate com bola a bater no poste e a ressaltar para o ataque
  • Remate com bola a bater no guarda redes e a ressaltar para o ataque
Um time-out de equipa pedido a meio do ataque NÃO INTERROMPE a "contagem" desse tempo de ataque. Ou seja, o árbitro PODE levantar o braço, indicando advertência de jogo passivo, logo após o reinício do jogo após time-out!

Apercebi-me que há pessoas que protestam furiosamente questões como esta. Se há protestos, sobre decisões, que são compreensíveis, este protesto não se baseia nas decisões dos árbitros, tendo apenas origem no desconhecimento da regra.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

OPÇÕES NO SORTEIO INICIAL

Hoje, uma questão muito simples, sobre a qual penso que já escrevi aqui, mas que continua a suscitar algumas dúvidas. Perguntaram-me ontem:

Se a outra equipa ganhar o sorteio no início do jogo e quiser escolher campo, posso escolher começar com a bola na 2ª parte?

Resposta imediata: não, não pode.

Como sempre, procuro justificar com a regra:

10:1 No começo do jogo, o lançamento de saída é levado a cabo pela equipa que ganha o Sorteio (lançamento de moeda) e decide iniciar o jogo com a bola na sua posse. Os adversários têm então o direito de escolher o campo. Alternativamente, se a equipa que ganha o Sorteio prefere escolher campo, então os adversários executam o lançamento de saída.
As equipas mudam de campo na segunda metade do jogo. O lançamento de saída no começo da segunda metade é efectuado pela equipa que não o tenha executado no começo do jogo.
(...)

Mais uma vez, a regra é clara, mas vou procurar deixar as opções de forma mais explícita:

  1. A equipa que ganha o sorteio decide começar com bola.
    A equipa adversária pode escolher o campo e começa obrigatoriamente com bola na 2ª parte.
  2. A equipa que ganha o sorteio decide escolher campo.
    A equipa adversária começa obrigatoriamente com bola na 1ª parte.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

REPOSIÇÃO RÁPIDA APÓS LANÇAMENTO DE SAÍDA

Foi-me colocada esta questão, que surgiu este fim de semana após uma conversa entre um treinador e um árbitro.

Há alguma restrição para a direção do passe efetuado pelo executante de um lançamento de saída?

Não, não há. Mas vamos à explicação.
Vou direto ao texto da regra 10:3, porque é bastante claro.

10:3 O lançamento de saída é executado em qualquer direcção a partir do centro do terreno de jogo (com uma tolerância lateral de cerca de 1.5 metros). É precedido por um sinal de apito, após o qual deve ser executado dentro de 3 segundos (13:1a, 15:7 3.º paragrafo). O jogador que executa o lançamento de saída deve estar com pelo menos um pé em contacto com a linha central e o outro pé sobre ou atrás da linha (15:6) e deve permanecer nessa posição até a bola deixar a sua mão (13:1a, 15:7 3.º paragrafo). (ver também Esclarecimento N.º 5).
Não é permitido aos companheiros de equipa do executante cruzar a linha central antes do sinal de apito (15:6).

Explicando agora frase por frase.

O lançamento de saída é executado em qualquer direcção a partir do centro do terreno de jogo (com uma tolerância lateral de cerca de 1.5 metros).
Penso que é claro. O passe não tem de ser feito para trás. E o que é essa tolerância de 1.5 metros?
Muitos já terão reparado que no meio campo existem 3 metros de linha pintados de cor diferente, sobreposto à linha de meio campo. Na foto que coloco a seguir, repare-se na linha vermelha de 3 metros de comprimento que se sobrepõe à linha de meio campo. A partir do meio campo, há 1.5 metros para cada lado. É esta a tolerância que o executante do lançamento de saída tem para o executar.


É precedido por um sinal de apito, após o qual deve ser executado dentro de 3 segundos (13:1a, 15:7 3.º paragrafo).
Qualquer lançamento de saída tem de ser precedido por apito. A maioria dos lançamentos que ocorrem durante um jogo não necessita de apito do árbitro. O lançamento de saída necessita SEMPRE. Os 3 segundos são uma disposição geral para a execução de lançamentos.

O jogador que executa o lançamento de saída deve estar com pelo menos um pé em contacto com a linha central e o outro pé sobre ou atrás da linha (15:6) e deve permanecer nessa posição até a bola deixar a sua mão (13:1a, 15:7 3.º paragrafo). (ver também Esclarecimento N.º 5).
A ideia aqui é deixar claro que nenhum pé deve estar no meio campo adversário aquando da execução do lançamento de saída. Pode estar no ar, atrás, sobre a linha, não importa... à frente é que não pode estar. Isso significaria que o próprio executante teria ultrapassado a linha de meio campo antes da sua execução.
Considera-se o lançamento executado quando a bola deixa a sua mão.

Não é permitido aos companheiros de equipa do executante cruzar a linha central antes do sinal de apito (15:6).
Após o apito, os colegas do executante PODEM ultrapassar a linha de meio campo, o que quer dizer que o lançamento pode ser executado através de UM PASSE PARA A FRENTE.
Realço que a regra nada refere acerca dos elementos da equipa adversária aquando da execução de um lançamento de saída após golo. No início de qualquer das partes, todos os elementos deverão estar no seu meio campo.