segunda-feira, 12 de setembro de 2016

INÍCIO DE ATIVIDADE COM NOVAS REGRAS

Com o início da nova época, recomeço também a atividade aqui no blogue.
Esta é uma fase muito importante da época, em que apesar de as equipas de topo já terem iniciado a competição, as de divisões inferiores e regionais ainda estão em fase précompetição.

Aqui em Aveiro promovemos uma ação de formação de início de época para os árbitros, mas em que, para a parte destinada às novas regras, convidámos os clubes, como forma de aumentar o debate e o esclarecimento sobre todas as diferentes situações com que todos nos vamos deparar ao longo da época. Muitos clubes aderiram, e confesso que fico muito feliz, não só pela adesão das pessoas, mas pela forma fantástica como decorreu a sessão.


Nos próximos posts, irei abordar as novas regras. Ressalvo que o que aqui escrever não é vinculativo, pois posso ter apreendido algo de forma errónea, mas farei a devida retificação se detetar alguma falha da minha parte.

Também por haver novas regras, peço a todos os que me seguem aqui no blogue, que tenham o devido cuidado ao lerem posts antigos, pois o número das regras e as próprias regras sofreram alterações, bem como, consequentemente, o meu próprio ponto de vista sobre o jogo pode ter mudado pontualmente. 
O que aqui escrever doravante reflete a nova leitura do jogo, a nível pessoal e ao nível das regras e regulamentos.

terça-feira, 5 de julho de 2016

JOGO PASSIVO APÓS TIME-OUT DE EQUIPA

Estamos praticamente de férias, e também por isso não pretendo fazer, nesta fase, posts excessivamente técnicos. A minha experiência diz-me que, nesta altura, poucas pessoas estão com pachorra para ler textos demasiado longos. No entanto, há questões que, pela sua simplicidade e pela sua premência, podem e devem ser abordadas.

Uma das coisas de que me apercebi nas últimas semanas é que ainda há pessoas que não sabem a lei do jogo passivo. 

Não me refiro ao momento da inversão do sentido de jogo, até porque esta questão vai sofrer alterações na nova época, mas ao momento do sinal de advertência de jogo passivo.

O sinal de advertência de jogo passivo é efetuado quando a equipa já está na iminência de ser penalizada com jogo passivo. 
A "contagem do tempo de ataque" começa a partir do momento em que a equipa ganha posse de bola e só é interrompida se acontecer uma de 3 coisas:
  • Sanção disciplinar à equipa defensora
  • Remate com bola a bater no poste e a ressaltar para o ataque
  • Remate com bola a bater no guarda redes e a ressaltar para o ataque
Um time-out de equipa pedido a meio do ataque NÃO INTERROMPE a "contagem" desse tempo de ataque. Ou seja, o árbitro PODE levantar o braço, indicando advertência de jogo passivo, logo após o reinício do jogo após time-out!

Apercebi-me que há pessoas que protestam furiosamente questões como esta. Se há protestos, sobre decisões, que são compreensíveis, este protesto não se baseia nas decisões dos árbitros, tendo apenas origem no desconhecimento da regra.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

OPÇÕES NO SORTEIO INICIAL

Hoje, uma questão muito simples, sobre a qual penso que já escrevi aqui, mas que continua a suscitar algumas dúvidas. Perguntaram-me ontem:

Se a outra equipa ganhar o sorteio no início do jogo e quiser escolher campo, posso escolher começar com a bola na 2ª parte?

Resposta imediata: não, não pode.

Como sempre, procuro justificar com a regra:

10:1 No começo do jogo, o lançamento de saída é levado a cabo pela equipa que ganha o Sorteio (lançamento de moeda) e decide iniciar o jogo com a bola na sua posse. Os adversários têm então o direito de escolher o campo. Alternativamente, se a equipa que ganha o Sorteio prefere escolher campo, então os adversários executam o lançamento de saída.
As equipas mudam de campo na segunda metade do jogo. O lançamento de saída no começo da segunda metade é efectuado pela equipa que não o tenha executado no começo do jogo.
(...)

Mais uma vez, a regra é clara, mas vou procurar deixar as opções de forma mais explícita:

  1. A equipa que ganha o sorteio decide começar com bola.
    A equipa adversária pode escolher o campo e começa obrigatoriamente com bola na 2ª parte.
  2. A equipa que ganha o sorteio decide escolher campo.
    A equipa adversária começa obrigatoriamente com bola na 1ª parte.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

REPOSIÇÃO RÁPIDA APÓS LANÇAMENTO DE SAÍDA

Foi-me colocada esta questão, que surgiu este fim de semana após uma conversa entre um treinador e um árbitro.

Há alguma restrição para a direção do passe efetuado pelo executante de um lançamento de saída?

Não, não há. Mas vamos à explicação.
Vou direto ao texto da regra 10:3, porque é bastante claro.

10:3 O lançamento de saída é executado em qualquer direcção a partir do centro do terreno de jogo (com uma tolerância lateral de cerca de 1.5 metros). É precedido por um sinal de apito, após o qual deve ser executado dentro de 3 segundos (13:1a, 15:7 3.º paragrafo). O jogador que executa o lançamento de saída deve estar com pelo menos um pé em contacto com a linha central e o outro pé sobre ou atrás da linha (15:6) e deve permanecer nessa posição até a bola deixar a sua mão (13:1a, 15:7 3.º paragrafo). (ver também Esclarecimento N.º 5).
Não é permitido aos companheiros de equipa do executante cruzar a linha central antes do sinal de apito (15:6).

Explicando agora frase por frase.

O lançamento de saída é executado em qualquer direcção a partir do centro do terreno de jogo (com uma tolerância lateral de cerca de 1.5 metros).
Penso que é claro. O passe não tem de ser feito para trás. E o que é essa tolerância de 1.5 metros?
Muitos já terão reparado que no meio campo existem 3 metros de linha pintados de cor diferente, sobreposto à linha de meio campo. Na foto que coloco a seguir, repare-se na linha vermelha de 3 metros de comprimento que se sobrepõe à linha de meio campo. A partir do meio campo, há 1.5 metros para cada lado. É esta a tolerância que o executante do lançamento de saída tem para o executar.


É precedido por um sinal de apito, após o qual deve ser executado dentro de 3 segundos (13:1a, 15:7 3.º paragrafo).
Qualquer lançamento de saída tem de ser precedido por apito. A maioria dos lançamentos que ocorrem durante um jogo não necessita de apito do árbitro. O lançamento de saída necessita SEMPRE. Os 3 segundos são uma disposição geral para a execução de lançamentos.

O jogador que executa o lançamento de saída deve estar com pelo menos um pé em contacto com a linha central e o outro pé sobre ou atrás da linha (15:6) e deve permanecer nessa posição até a bola deixar a sua mão (13:1a, 15:7 3.º paragrafo). (ver também Esclarecimento N.º 5).
A ideia aqui é deixar claro que nenhum pé deve estar no meio campo adversário aquando da execução do lançamento de saída. Pode estar no ar, atrás, sobre a linha, não importa... à frente é que não pode estar. Isso significaria que o próprio executante teria ultrapassado a linha de meio campo antes da sua execução.
Considera-se o lançamento executado quando a bola deixa a sua mão.

Não é permitido aos companheiros de equipa do executante cruzar a linha central antes do sinal de apito (15:6).
Após o apito, os colegas do executante PODEM ultrapassar a linha de meio campo, o que quer dizer que o lançamento pode ser executado através de UM PASSE PARA A FRENTE.
Realço que a regra nada refere acerca dos elementos da equipa adversária aquando da execução de um lançamento de saída após golo. No início de qualquer das partes, todos os elementos deverão estar no seu meio campo.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

CURSO DE ÁRBITROS - Inscrições


Na Associação de Andebol de Aveiro vamos promover, a partir do próximo dia 13 de maio, 6ª feira, um curso de formação para árbitros regionais estagiários.
As inscrições são gratuitas e, para qualquer informação, devem usar-se os contatos que são fornecidos na imagem.

Fica o apelo a todos aqueles que se interessam pela modalidade e que têm interesse em experimentar outro papel no Andebol, a contactar a sua Associação Regional a fim de se informarem sobre ações de formação previstas.
Não importa de que ponto do país são, não importa que experiência na modalidade têm... experimentar não custa e o saber não ocupa lugar! Além do mais, conhecer várias facetas do jogo tem o mérito de nos tornar melhores em todas elas.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

"VAIS DAR AMARELOS ATÉ AO FIM DO JOGO?"

O título hoje é diferente. Peguei numa das frases que os árbitros mais ouvem (ou, pelo menos, que lhes são dirigidas...), para servir de base ao meu texto de hoje.

Ainda que haja jogadores, treinadores e dirigentes a dizer estas palavras, normalmente são os adeptos que as dizem. Podemos apontar como razões um menor acompanhamento da modalidade, um maior desconhecimento das regras de jogo, o amor desenfreado a um clube ou, quantas e quantas vezes, o simples facto de, quem as diz, ir só acompanhar um filho e não perceber nada do que está a ver. Nada contra isso, acho normal que muitas pessoas não conheçam as regras, mas para lutar contra isso existem os espaços como este em que se pretende dar uma visão "do lado de cá" do andebol.


Ponto de partida: num jogo, os atletas de uma equipa podem ver 3 cartões amarelos (advertências) e os oficiais (treinadores e outros dirigentes inscritos no boletim de jogo) mais um amarelo no total.
O comentário à regra 16:1 diz que:

16:1 Comentário:
A um jogador individualmente não deve ser dada mais de uma advertência, e a uma equipa não devem ser dadas mais de 3 advertências no total; Depois disto, a sanção deverá ser pelo menos uma exclusão de 2 minutos.
A um jogador que já teve uma exclusão de 2 minutos não deve posteriormente ser advertido.
No total os oficiais de equipa não devem ser sancionados com mais do que uma advertência.

Mas nada obriga a que haja o total das advertências possíveis. Tudo depende do jogo, da gestão que cada dupla de árbitros faz desse jogo, da sua análise dos lances, das infrações que ocorrerem, de muitos fatores. Se for preciso sancionar disciplinarmente com mais vigor "antes de acabarem os amarelos", deve-se fazê-lo!

Além disso, nada impede que, nas circunstâncias adequadas, não possam ser advertidos alguns atletas após a ocorrência de exclusões ou desqualificações. Por exemplo, se um jogador, no primeiro lance do jogo, der um murro na boca de um adversário, esse jogador tem obrigatoriamente de ser desqualificado. Sem dúvida. Ponto. No entanto, se mais tarde um colega agarrar o pivot adversário ou cometer uma outra falta passível de advertência, não há motivo para não se exibir o cartão amarelo se se adequar.

Por isso, até quando se deve dar cartões amarelos? Até ao momento que cada jogo ditar.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

DESQUALIFICAÇÃO DO GUARDA-REDES EM CONTRA-ATAQUES ADVERSÁRIOS

Muita gente ainda se questiona sobre quando deve um guarda-redes ser desqualificado diretamente aquando de um contra-ataque adversário, e o motivo de tal acontecer.

Esta regra começou a ser aplicada ainda eu era árbitro, e confesso que na altura tive dificuldade não em compreender o conceito, mas em encontrar justificação plausível para uma sanção tão grave, especialmente sendo o guarda-redes, fora da área de baliza, um jogador com os mesmos "direitos e obrigações" de todos os outros.
Acontece que este é um caso especial, e como tal deve ser analisado. Fui-me apercebendo disso ainda dentro do campo, e a verdade é que acabei por compreender uma regra que ao início fui aplicando um pouco contrariado, mas que depois me foi fazendo muito mais sentido.

Contextualizando aqueles que ainda não terão compreendido o caso de que falo...

Ponto de partida para esta análise: contra-ataque direto da Equipa A, um jogador corre para fazer a receção da bola lançada, por exemplo, pelo seu próprio guarda-redes, e faz esse movimento estando a olhar para trás, para ver a bola que lhe é passada. O guarda-redes da Equipa B sai da baliza e colide com o jogador, que não vê a movimentação do guarda-redes adversário, sendo por isso apanhado completamente desprevenido e não tendo qualquer hipótese de se proteger do contacto com o guarda-redes.

Primeiro, um comentário pessoal: para quem vai contra o guarda-redes, a sensação é a de lhe terem posto uma parede à frente... escusado será dizer que daqui podem advir lesões graves, visto que a integridade física do atleta está claramente posta em causa.

O que se torna óbvio neste lance é a responsabilidade do guarda-redes. Unicamente do guarda-redes.
Ressalvo que estamos a falar de casos em que o atacante não se apercebe da presença do guarda-redes e não tem como o evitar! Se este o vê, claramente o pode evitar e não o faz, entramos numa situação que poderá ser passível de falta atacante. Mas considerando que o guarda-redes é o único culpado de uma conduta tão imprudente, este deverá ser desqualificado, e o respetivo livre de 7m deverá ser assinalado se os árbitros entenderem que o jogador conseguiria segurar a bola, uma vez que uma clara oportunidade de golo foi interrompida ilegalmente.

Vamos olhar para o que diz o livro de regras.

Primeiro, a regra que regula a ação do guarda-redes fora da área de baliza.

É permitido ao guarda-redes:
5:3 Abandonar a área de baliza sem a bola e participar no jogo dentro da área de jogo; ao fazer assim, o guarda-redes fica sujeito às regras que se aplicam aos jogadores de campo (excepto nas situações descritas na Regra 8:5 Comentário, 2.º Parágrafo).

E que exceção é essa que está mencionada na regra 8:5?

Faltas que justificam uma desqualificação
8:5 Um jogador que ataca um adversário e que ponha em perigo a integridade física dele deve ser desqualificado (16:6a). O perigo para a integridade física do adversário resulta da alta intensidade da falta ou do facto de o adversário estar completamente desprevenido e desta forma não se poder proteger (ver Regra 8:5 comentário).
(...)
Comentário:
(...)
Isto também se aplica nas situações em que o guarda-redes sai da área de baliza com a intenção de interceptar um passe dirigido a um adversário. Aqui é responsabilidade do guarda-redes assegurar-se de que não se produz nenhuma situação perigosa para a integridade física do adversário.
O guarda-redes é desqualificado se:
a) Ganha a posse da bola, mas no seu movimento provoca uma colisão com o adversário;
b) Não pode alcançar ou controlar a bola, mas causa uma colisão com o adversário;
Se os árbitros estão convencidos, que numa destas situações, sem a acção ilegal do guarda-redes, o adversário seria capaz de alcançar a bola, então devem ordenar um lançamento de 7 metros.

A regra é clara. Aliás, este post poderia ser só o texto da regra.

Espero, com este post, ajudar a clarificar as dúvidas que subsistem sobre estas situações.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

OS NOMES TÉCNICOS DAS SANÇÕES

Quem me conhece sabe que sou particularmente crítico com estas questões básicas. Já devo ter mencionado este assunto inúmeras vezes nos meus posts e nas minhas conversas sobre andebol.
E não, não é só uma questão de nomenclatura. É uma questão de correção na discussão da nossa modalidade. Há quem futebolize demais o andebol, e o Andebol merece todo o respeito. Além disso, merece ser tratado com o cuidado que lhe devemos.

Um cartão amarelo é uma ADVERTÊNCIA. E é uma advertência porquê? Porque se está a ADVERTIR um jogador ou uma equipa que determinada ação não será tolerada sem sanção disciplinar.

2 minutos são uma EXCLUSÃO. Não é uma expulsão do jogo, é apenas uma suspensão de determinado elemento atuar durante 2 minutos de tempo de jogo. Não há "expulsões de 2 minutos". Apenas se EXCLUI alguém do jogo durante 2 minutos.

Um cartão vermelho é uma DESQUALIFICAÇÃO. Nenhum elemento do jogo é "expulso" do jogo. Ao ver um cartão vermelho, alguém DEIXA DE ESTAR QUALIFICADO para atuar naquela partida.

Nenhum interveniente do jogo deve cometer estes erros, seja jogador, treinador, árbitro ou dirigente. Até em comentários televisivos estas coisas se ouvem...

E já nem falo do mais famoso de todos, o "penalty"...

quinta-feira, 24 de março de 2016

UM EXEMPLO PARA OS ADULTOS

Uma imagem que vale mil palavras.
Eles, os miúdos, sabem quais são os valores do Desporto.

Bem sei que isto não é andebol, nem tão pouco aconteceu em Portugal, mas não quero saber. Encontrei na net e resolvi publicar aqui, para ajudar a difundir os verdadeiros valores do Desporto, numa altura em que estamos tão carenciados de quem os conheça.

Parabéns aos miúdos, por ensinarem assim os graúdos.


domingo, 20 de março de 2016

SANÇÃO DISCIPLINAR E INVERSÃO DO SENTIDO DE JOGO

A questão sobre se todas as sanções à equipa atacante (a que tem posse de bola) originam inversão do sentido de jogo é-me muitas vezes colocada, e compreendo que o seja. No entanto, uma vez compreendido o conceito, que penso ser muito fácil de assimilar, as dúvidas deixam de ter razão de existir.
Penso até que já falei, algures no tempo, sobre este assunto aqui no blogue. Mas nunca é demais recordar, usando até palavras diferentes, por forma a procurar minimizar as dúvidas que subsistam.

O ponto de partida é este: sanção disciplinar (advertência, exclusão ou desqualificação) a um elemento da equipa que tem posse de bola. Na posse de que equipa deve o jogo recomeçar?

Há sempre um fator decisivo a ter atenção. Aquando da interrupção do tempo de jogo, a bola está a circular ou parada? O jogo está a decorrer ou, por exemplo, um jogador está a ir buscar a bola a algum lado para poder executar um lançamento?

Com o jogo a decorrer e a bola a circular, havendo uma sanção disciplinar à equipa com posse de bola, o jogo deve recomeçar sempre para a equipa que estava a defender (sem posse de bola). Ocorre inversão do sentido de jogo.

Com o jogo parado (antes da execução de um lançamento livre ou de reposição), quando um elemento da equipa atacante é sancionado disciplinarmente, a posse de bola mantém-se na mesma equipa. Não ocorre inversão do sentido de jogo.
Aqui, deixem-me fazer uma ressalva. O conceito de "jogo parado" não é o mesmo de "tempo parado". O jogo está parado antes da execução de um livre de 7m, por exemplo, e o tempo pode estar a correr. É importante não confundir.