segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

DICAS - 2

Espero que todos tenham tido uma óptima quadra natalícia.

Retomo hoje a conversa sobre andebol.
O post de hoje tem o título que tem, mas é mais uma informação sobre técnica de arbitragem. A maior parte dos jogadores sabe-o, e muitos usam esse conhecimento para ganhar segundos preciosos em situações em que "dá jeito", mas acredito que também há jogadores que desconhecem este facto. Falo da movimentação dos árbitros aquando da marcação dos livres de 9m.

Não é obrigatório estarmos permanentemente a apontar o local exacto nem irmos sempre ao local onde se vai marcar a falta, mas não é mau que o façamos, especialmente quando existem dúvidas. Por exemplo, naqueles lances em que um jogador está a ser agarrado, dá passos, e nós interrompemos o jogo, é bom que façamos sempre uma pequena aproximação física ao local exacto onde pretendemos que a falta deve ser executada. Deve haver, até, um máximo de rigor quando esse local fica na zona frontal à baliza, pois muitos destes lances podem ser lances de golo, em jogadas bem trabalhadas.

E é aqui que entra a parte da "dica".
Naquelas alturas do jogo em que o relógio parece que anda mais depressa para uma equipa do que para a outra, os jogadores (especialmente os pivots, pois são quem mais repõe a bola em jogo nestas faltas) podem sempre olhar para o posicionamento do árbitro central. Se este se tiver aproximado dos 9m, muito provavelmente está a transmitir, corporalmente, a indicação do local exacto de reposição da bola em jogo.
O que se ganha com isto?
As equipas, segundos preciosos. Os árbitros, o inconveniente de terem de chamar as atenções a si e mandar corrigir o local.

Muitas vezes os árbitros transmitem indicações sem ser com o uso do apito. Esta é apenas uma delas.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL

Estive muito ocupado com a faculdade e, à mistura com um problema de saúde que, graças a Deus, está resolvido mas que me levou a dirigir os jogos deste fim-de-semana fisicamente debilitado, fiquei praticamente 15 dias sem fazer um post.

Mas isso são questões absolutamente laterais.
O que mais importa neste post é desejar um Santo Natal a todos os que cá vêm, amigos, conhecidos, anónimos, amantes do Andebol ou curiosos das regras...
Faço votos muito sinceros para que esta quadra seja vivida com muita Paz e muito Amor, na companhia de quem verdadeiramente faz falta a cada um de nós.

Um grande abraço a todos, deste vosso amigo,
Carlos Capela

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

DICAS - 1

Tenho andado numa roda viva, daí a pior actualização deste espaço nas últimas 2 semanas.
Este post será curto e muito simples, e insere-se numa tentativa minha (que farei de vez em quando), de dar outra visão que não estritamente a das regras. Não vou dizer que são conselhos, porque não sou ninguém para os dar, mas são umas dicas.
Ao longo dos jogos, apercebo-me muitas vezes que os jogadores não conhecem as funções de cada árbitro nem a técnica de arbitragem. Não é minimamente criticável, porque é algo que não lhes compete conhecer. Mas também não é mau de todo saber-se certas coisas, certo?

Hoje dou o exemplo da execução de um livre de 7m.
Quem apita para o livre ser executado é o árbitro central que, se o seu posicionamento for correcto, deverá estar posicionado do lado do braço de remate do jogador.
Ora, muitas vezes os executantes olham para mim quando estou como árbitro de baliza, à espera do meu apito.
Pode até ser uma estratégia própria, mas na maioria dos casos não me parece.
Poderá facilitar a execução, ou a concentração, se esse olhar (a existir) for feito para o sítio correcto. Digo isto porque, estando um jogador a olhar para um árbitro e o apito vindo do outro lado, a possibilidade de distracção é maior.
E todos sabemos que em alta competição os mínimos detalhes contam.

Veja-se a imagem:
  • Executante destro;
  • Árbitro de baliza do lado esquerdo:
  • Não se vê o árbitro central, mas com certeza ele estará do lado direito, do lado do braço de remate.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

7m EM CIMA DA HORA

Colocaram-me a seguinte questão:

"A situação é a seguinte: a acabar o jogo há uma falta que leva a um livre de 7m, faltam 3segs para acabar o jogo e o marcador do livre de 7m opta por esperar até o tempo de jogo acabar. Com o jogo acabado procede-se à marcação do do livre. Isto está certo? Não há nenhuma infracção?"

A minha resposta foi:

"Na situação que descreve não há qualquer irregularidade.
Um jogador tem 3 segundos para marcar um livre.

Vamos ser rigorosos... Se o marcador assinala 29m57s, então vão faltar 2 segundos e uns décimos para chegar aos 30m00s. Uma vez que o livre tem de ser executado e falta menos tempo do que aquele que o jogador tem disponível para o fazer, procede-se à marcação após soar a buzina para o fim do jogo.

O mesmo já não aconteceria se o marcador assinalasse 29m56s.

Permita-me uma nota. Acho que o facto de um jogador esperar pela conclusão do tempo regulamentar revela, até, respeito pelo guarda-redes e pelo árbitro. Situações destas podem levar a casos difíceis de resolver, se se considerar que, em caso de golo, a bola ainda não tiver entrado na baliza quando a buzina soa."

Indo ao livro de regras:

14:4 O lançamento de 7 metros será executado como um remate directo à baliza, dentro de 3 segundos que se seguem ao sinal de apito do árbitro central.

15:5 (...) Depois do apito o executante deve jogar a bola nos 3 segundos seguintes.

Mas principalmente:

2:4 As infracções e condutas antidesportivas que ocorram antes ou em simultâneo com o sinal final (para o meio tempo ou fim de jogo e também para o final dos períodos dos prolongamentos) serão punidas, mesmo que o lançamento livre resultante (de acordo com a Regra 13:1) ou o lançamento de 7 metros não possam ser executados sem ser após o sinal final.
De forma semelhante, o lançamento deve voltar a executar-se se o sinal final (para meio-tempo ou fim de jogo e também para os prolongamentos) tiver soado, quando estava a ser executado um lançamento livre ou lançamento de 7 metros, ou quando a bola estava no ar.
Em ambos os casos, os árbitros somente darão o jogo por terminado após o lançamento livre ou lançamento de 7 metros (ou repetição) e o seu resultado imediato tenha sido estabelecido.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

FUNÇÕES DO CAPITÃO DE EQUIPA

Penso que se justifica um post sobre o tema, devido às dúvidas que existiram no último post.

O capitão é uma função interna da equipa. Não tem privilégios no contacto com os árbitros. Pelo menos comigo, porque penso que não faz sentido... quer dizer, se o capitão estiver no banco ele fala do banco? Não. Então ninguém pode falar, dos que estão a jogar? Também não.
Eu ainda sou dos árbitros com que mais se pode falar, dentro de certos limites, como é evidente. E não elejo um elemento para falar, porque num jogo há várias pessoas envolvidas, e todas elas podem ter o direito de se expressar e esclarecer dúvidas sobre regras/decisões, como muitas vezes acontece. É verdade que muitas vezes isso não é bom, mas lá está, como eu disse no último post, é um estilo de arbitragem.

Voltando ao capitão... O livro de regras menciona a palavra "capitão" 2 vezes.

1) Regra 4:9
4:9 (...) São permitidas faixas na cabeça, lenços, e braçadeiras de capitão desde que sejam feitas de material macio e elástico.

Repare-se no pormenor: as braçadeiras de capitão são PERMITIDAS, não são OBRIGATÓRIAS!

2) Regra 17:4
17:4 O sorteio por moeda ao ar (10:1) é executado por um dos árbitros, na presença do outro árbitro e do “oficial responsável de equipa” de cada uma das equipas; ou na presença de um oficial ou jogador (por exemplo um capitão de equipa) em representação do “oficial responsável de equipa”.

Ou seja, um QUALQUER jogador pode fazer o sorteio.

O livro não menciona a obrigatoriedade de um capitão de equipa. Pessoalmente, acho que faz todo o sentido todas as equipas terem o seu, mas como função interna, um líder cuja voz seja ouvida e respeitada.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

ESTILOS DE ARBITRAGEM

Tenho tido uma grande quantidade de trabalho, o que aliado a alguns problemas pessoais, tem impedido a actualização deste blogue.

Mais do que nunca, este post é acima de tudo a expressão de uma opinião pessoal. Já há algum tempo era para escrever sobre isto, mas desta vez tornou-se premente, porque houve o somatório de muitas conversas com os meus amigos, somado também à intervenção do Pedro Henriques no último Domingo.
Falo sobre estilos de arbitragem.

Não se pode pedir que todos os árbitros tenham o mesmo estilo na condução de um jogo. Isso seria pedir que todos os líderes de grupos ou empresas tivessem o mesmo estilo de liderança, pedir que todos os estudantes estudassem da mesma forma, ou todos os docentes ensinassem os seus alunos da mesma maneira. Isso é impossível. Cada pessoa tem a sua maneira de ser, a sua personalidade, e isso reflecte-se na actividade que cada um desenvolve no seu dia-a-dia. No caso da arbitragem, uma vez que além de juízes, somos também gestores de emoções e condutores de um jogo, isso toma proporções um pouco maiores.

Pessoalmente, prefiro um estilo low profile em campo. Acho que quem tem de brilhar são os jogadores e não nós. Acho até, que só devo aparecer quando é estritamente necessário, já que demasiada discrição pode ser confundida com ausência. Nem sempre consigo, é certo, manter o low profile ou só aparecer nas alturas certas. E esses são os jogos que, por norma, me correm menos bem.

Tenho colegas que preferem aparecer. Não por sede de protagonismo, mas apenas que entendem que é assim que seguram melhor um jogo! Isso é mal entendido muitas vezes pelas pessoas...
Consideram que uma actuação um pouco mais "agressiva" é o ideal. É a sua forma de estar, tão respeitável quanto a minha.

Há muitos exemplos que se podem dar... Eu prefiro sancionar de forma menos agressiva, a não ser que o jogo me exija outra postura. Outros colegas preferem manter sempre essa bitola um bocado mais alta. São apenas estilos...

Parte desta conversa com os meus amigos (também aprendo com eles) surgiu pela forma como o Pedro Proença mostrou um cartão amarelo num dos últimos jogos que fez (penso, até, que foi o FCP - SLB), em que foi a correr para o jogador e exibiu o cartão com vigor. Muita gente achou aquela atitude exagerada. Talvez seja, mas a nossa função é tão complexa que até no simples gesto de exibir um cartão amarelo podemos segurar um jogo ou, ao invés, podemos ser criticados e acirrar ânimos.

As pessoas esquecem-se que nós não somos cubos de gelo. Temos emoções, sentimentos, problemas pessoais e profissionais. O ideal é deixá-los sempre, e totalmente, no balneário, mas quem consegue isso? Com franqueza, ninguém! E a permanente pressão da decisão pode levar-nos a um ou outro exagero, ou a um ou outro falhanço por omissão. É normal! Temos personalidades distintas, e isso reflecte-se nas nossas actuações, no nosso trabalho!

Aos árbitros não se pede que apitem todos de igual forma. Não se pode pedir ao Capela que apite igual ao Eurico, igual ao Duarte, igual ao Ramiro ou igual ao Trinca! Nem entre a própria dupla os estilos são iguais, quanto mais fora...
O que se nos pede é que APLIQUEMOS OS MESMOS CRITÉRIOS, de jogo para jogo, igual em todas as duplas... pelo menos igual a todas as duplas colocadas no mesmo nível. Temos de lutar e trabalhar para aplicar o passivo da mesma forma, para assinalar com igual critério as faltas atacantes, para nos adaptarmos da mesma maneira às novas condicionantes das lutas dos pivots...

Não é humano exigir que tenhamos todos o mesmo temperamento e que reajamos da mesma forma às incidências de cada partida.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

PEDRO HENRIQUES NA TVI

Permitam-me, hoje, fugir ao Andebol. Mas é por um bom motivo.
Há já algum tempo que andava para fazer esta referência, mas por uma ou outra razão, até porque outros assuntos se sobrepunham, acabei sempre por passar à frente.

Tenho de fazer uma vénia à participação do Pedro Henriques no programa de Domingo à noite na TVI. Sou espectador assíduo dos programas desportivos de Domingo à noite, e gosto particularmente de ouvir as frequentes participações dos ex-árbitros enquanto comentadores residentes, na análise aos casos da jornada.
De todos os que já assumiram esse papel, sem dúvida que o Pedro Henriques é o que melhor passa para a prática a tentativa de "humanizar" o árbitro. Esse é, também, o meu cavalo de batalha já desde há muito tempo. Luto por mostrar às pessoas que o Árbitro é um Homem como os outros, e que falha como os outros.

Temos a responsabilidade e a obrigação de não falhar? Óbvio, nem nunca quem quer que seja me ouviu dizer o contrário. Assumimos essa responsabilidade no momento em que fazemos uma escolha de carreira, e sempre que pegamos num apito para ir para dentro de um campo.

Existe a possibilidade de falhar? Bem, o erro espreita em todas as nossas decisões, nas que nos obrigam a intervir e nas que nos permitem deixar jogar. Num jogo rápido ainda pior. Mas é preciso tão pouco para as nossas decisões não serem as melhores... Um jogador que passa à nossa frente, um ângulo de visão menos bem conseguido, um segundo de hesitação, até os problemas pessoais que, como humanos que somos, nem sempre conseguimos deixar fora do local de trabalho...

É aqui que incluo, de novo, o Pedro Henriques. Ele apresenta sempre a visão do árbitro, o que o pode levar a errar, o que o fez acertar, fala de técnicas, truques e apresenta o árbitro visto de dentro. Não como uma máquina que tem de decidir de acordo com a cor clubística ou com aquilo que vimos à 19ª repetição em câmara lenta!

Da minha parte, parabéns, Pedro Henriques, por dignificar tanto a nossa actividade.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

SEGUNDA PARTE MAIS LONGA

Peço desculpa pela menor actualização do blogue, mas tenho tido pouquíssimo tempo disponível.

O caso que trago hoje é o que falta considerar nesta análise curta aos possíveis erros na contagem do tempo das partes de jogo. E digo "curta", porque este tema não dá para dissertar e fazer posts longos. As leis são concisas, e o meu discurso também terá de o ser.

Imaginando agora o caso de não haver marcador electrónico (ou estar avariado, porque não é algo tão raro quanto isso...) e os árbitros deixarem passar os 30 minutos regulamentares, só dando conta disso aos 32. O que acontece? Aqueles 2 minutos podem ser compensados?
Não, não podem. A verdade é que já nada pode ser feito quanto a isso. No máximo, mencionar o facto nas "Ocorrências Administrativas" do Relatório do Jogo.

A regra 2:7 diz que:

2:7 (...) Caso a segunda parte de um jogo (ou de um período de prolongamento) tenha sido terminada demasiada tarde, então os árbitros não poderão alterar seja o que for.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

PARTE MAIS CURTA

Continuando no caso de erros na contagem do tempo de jogo, falo hoje do caso em que os árbitros detectam que a buzina para o intervalo (ou fim do jogo) soou antes do tempo. Isso pode acontecer, por exemplo, porque num time-out feito no último minuto, uma falha na mesa impediu que o cronómetro parasse. Aí, passa a mandar o relógio do árbitro, que tem a responsabilidade de controlar o tempo de jogo.
Que deve um árbitro fazer numa situação destas? Melhor que palavras minhas, a regra 2:7 é explícita:

2:7 Se os árbitros constatarem que o cronometrista deu o sinal final (para o meio-tempo, fim de jogo, de igual modo para os prolongamentos) demasiado cedo, deverão manter os jogadores no terreno de jogo e prosseguir o jogo até que o tempo remanescente se esgote.
A equipa que estava em posse da bola aquando do sinal prematuro permanecerá em posse da mesma quando o jogo se reinicia. Caso a bola esteja fora de jogo, então o jogo é reiniciado com o lançamento que corresponde à situação. Caso a bola se encontre em jogo, então o jogo é reiniciado com um livre de acordo com a Regra 13:4a-b.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

PRIMEIRA PARTE MAIS LONGA

Ok, supostamente isto não deve acontecer. Mas já dizia o outro, desde que vi um porco a andar de bicicleta acredito em tudo... :)
Imaginemos que há uma falha na contagem do tempo, ou porque o relógio dos árbitros ficou sem pilha, ou porque estes se esqueceram de controlar o tempo, ou porque houve um corte de electricidade no pavilhão e mandou o marcador à vida... qualquer coisa! Chega-se à conclusão que a 1ª parte teve 32 minutos.
Que diz o livro de regras sobre isto? Vejamos um excerto da regra 2:7...

2:7 (...)
Caso a primeira parte do jogo (ou um período de prolongamento) tenho sido terminado demasiada tarde, o segundo tempo deve ser correspondentemente encurtado.

Resposta simples: a 2ª parte deverá ter apenas 28 minutos.

É verdade que não é fácil convencer alguns Oficiais (já nem falo do público...) de que é este o procedimento correcto, mas a verdade é que a regra é clara. Mas este até é dos casos em que considero o desconhecimento da regra como "normal", ou pelo menos "aceitável", por parte de jogadores e técnicos. Oficiais responsáveis por equipas e/ou Directores de Campo já poderão/deverão ter mais conhecimento sobre estas regras "laterais".

Vou continuar a falar sobre estes casos raros (mas possíveis...) nos próximos posts.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

NÚMERO MÍNIMO DE ATLETAS

Este post é curtinho, porque o tema também não permite grande dissertação sobre ele.
Muitas vezes questiona-se sobre quais são os "requisitos mínimos" a cumprir por uma equipa para dar início a um jogo. Não é imperioso estar presente um treinador ou um oficial, mas deverão estar obrigatoriamente 5 atletas à hora de início do jogo. A regra 4:1 é clara:

4:1 (...)
Uma equipa tem que ter no mínimo 5 jogadores no terreno de jogo no inicio do jogo.

(...)
O jogo pode continuar, mesmo que uma equipa seja reduzida a menos que 5 jogadores no terreno de jogo.
Caberá aos árbitros decidir se e quando o jogo deve ser definitivamente terminado.

Nada impede que esse número venha a ser reduzido ao longo do jogo, se houver motivos para tal, como exclusões ou lesões, pois o limite mínimo diz respeito apenas à hora de início.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

VÍDEO 14

Time-out nas regras.
Portugal ainda está meio com a febre dos U2, e deixo aqui um vídeo que mistura isso com o Andebol... :)
No próximo post já volto às regras.


(Se nos outros já não dava para colocar o vídeo, com mais de 60Mb mais vale deixar logo o link...)

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

VÍDEO 13 - análise

Aqui toda a gente viu bem a situação, mas nem sempre é assim...
Analisando:

PASSOS?
De forma alguma. O jogador dá, no máximo, 2 passos. Parece-me até que só dá um (com o pé esquerdo), uma vez que o primeiro apoio me parece o momento zero.

DRIBLES?
Credo, não! Em nenhum momento ele agarra a bola e a volta a bater...

VIOLAÇÃO?
Nem antes, nem depois de saltar!

ANTES:

APÓS LARGAR A BOLA AINDA ESTÁ NO AR:


CONCLUSÃO: Apesar de ser um lance difícil, os árbitros estiveram muito bem ao validar o golo.

Contudo, o que eu queria mostrar com este vídeo, é que a nossa tarefa é muitas vezes acrescida em dificuldade pela rapidez dos lances, e só com repetições se podem descortinar certas infracções.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

VÍDEO 13

Não sei se já falei deste vídeo ou não aqui no blogue, confesso.
Acho que é um belo exemplar de como as decisões dos árbitros são complicadas. Passei este vídeo numa acção que dei recentemente, promovida pela Ac. Espinho, e fiz as seguintes questões:
  1. Quem acha que há passos?
  2. Quem acha que há dribles?
  3. Quem acha que há violação da área?
Estas são as perguntas que vos faço agora...

(o vídeo tem 20Mb, o blogger passa-se quando tento fazer o upload...)

sábado, 25 de setembro de 2010

NOVAS REGRAS 2010 - outros casos

Penso que estará quase tudo dito acerca das novas instruções, pelo menos no seu essencial.
Há sempre muitas outras subtilezas nas regras que nos levariam a muitos outros posts, mas talvez o melhor seja ir falando dessas coisas à medida que elas surgirem, seja nos meus ou nos vossos jogos. Ficarei satisfeito se me forem colocando essas questões.
Como "post final" acerca das novas regras (que na verdade não o são), relembro só alguns outros aspectos que foram falados nas reciclagens, a que nós, árbitros, deveremos prestar muita atenção.

Já antes disse que nem só os contactos que efectivamente ocorrem são puníveis com sanções disciplinares. Há outra situações que o podem ser. Dou um exemplo, aconteceu ainda hoje, no meu jogo.
Num contra-ataque, um miúdo da equipa que estava a sofrer esse contra-ataque foi por trás do atacante e, no momento do remate, tentou assustá-lo com um "BU!", junto aos ouvidos, para o desconcentrar. Excluí-o, e ele ficou muito admirado pois não tinha tocado em ninguém... Estiveram excelentes os oficiais da equipa, que o repreenderam imediatamente após a minha sanção e o fizeram vir falar comigo no fim do jogo, para que eu pudesse explicar que aquela atitude anti-desportiva era sancionável. A título de curiosidade, confesso que disse ao miúdo que "perdoo" mais depressa um jogador que faz um tipo de defesa mais dura, desde que esteja pura e simplesmente à procura da bola, do que alguém que tem este tipo de atitudes. Nestes casos, não há compreensão nem perdão. É anti-desportivismo.

Outra coisa que me incomoda particularmente são as simulações. Uma coisa é tentar sacar uma atacante ou uma sanção, quando se calhar até há um mínimo de motivos para tal. Entendo isso como normal, porque eu próprio o fazia quando jogava.
Outra coisa completamente diferente é tentar enganar os árbitros, atirando-lhes areia para os olhos. Deixo aqui um exemplo de um vídeo de um jogador que, na minha opinião, teria de ser sancionado com sanção progressiva. Por "sanção progressiva", entendo que o jogador deve ser excluído, mas um cartão amarelo pode ser bem aplicado, se for numa fase muito precoce do jogo.

(não consegui fazer o upload do vídeo)

Há, ainda, outras situações, como as faltas atacantes sem bola, ou as violações de área por parte dos jogadores que não têm posse de bola, que estavam já regulamentadas, e que deverão continuar a ser alvo de particular cuidado.

Agradeço que não tenham problemas em colocar aqui as vossas questões, seja sobre as novas regras ou sobre as mais velhas... :)

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

NOVAS REGRAS 2010 - zona da mesa

Peço desculpa pela não actualização deste espaço na última semana. Foi-me completamente impossível, uma vez que tive mil e uma coisas para fazer...
Hoje falo um pouco da recém-criada zona exclusiva para os elementos da mesa.
Nela, não é permitida a permanência de qualquer elemento ligado às equipas, exceptuando os casos em que existe a necessidade de um contacto com a mesa para um qualquer esclarecimento, ou para a solicitação de um time-out.
Na imagem a seguir, fica um esquema desta zona, que deverá ter as dimensões de 3,5m para cada lado, a partir da linha de meio campo.
Sempre que um treinador entrar nesta zona com o cartão verde na mão, deverá ser concedido um time-out a essa equipa, ainda que não seja essa a sua intenção inicial. Caso o treinador insista que não quer o time-out, então haverá lugar a sanção disciplinar, porque se considera que o treinador está numa zona que lhe é interdita.

Aqui surge a necessidade de haver um pouco de bom senso e compreensão da parte de quem dirige o jogo e de quem está na mesa. Não é por um treinador estar com um pé do outro lado da linha que se vai interromper o jogo, nem tão pouco se vai punir alguém que esporadicamente por lá passar de forma justificada.
Além disso, se nós pedimos compreensão para os erros de adaptação decorrentes destas alterações, também temos de ser compreensivos com a outra parte.

Fica a necessidade de fazer aqui uma distinção...
Já me foi dito por algumas pessoas (de clubes, entenda-se) que esta zona corresponde à zona de substituições. Erro! A zona de substituições tem 4,5m para cada lado, e não 3,5m. A marcação a introduzir não deverá coincidir com o prolongamento da linha de substituições!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

NOVAS REGRAS 2010 - situação do GR

A situação da saída dos guarda-redes nos contra-ataques é a "nova" situação que origina mais comentários acerca da justiça ou falta dela.
Antes de ir por aí, tenho de explicar o motivo das áspas na palavra "nova". É que esta situação já tinha sido alvo de instruções específicas no ano passado. Este ano é que se tem falado mais, mas eu próprio já exibi alguns cartões vermelhos nestes casos.
Explicando a situação, cá vai um exemplo típico, com a seguinte sequência de acções:
  1. O GR da equipa A defende um remate;
  2. O ponta esquerda da equipa A sai em contra-ataque, virado para o seu próprio meio campo, com o intuito de peceber o desenrolar dos acontecimentos;
  3. O GR de A tenta colocar a bola no seu PE, através de contra-ataque directo;
  4. O GR de B sai ao lance;
  5. O PE de A e o GR de B colidem no seu movimento.

Decisão disciplinar:
Desqualificação para o GR de B.

Decisão técnica:
Livre de 7m, considerando que se geraria uma clara oportunidade de golo.

E na hora de discutir as variantes, podemos pensar no tal conceito de justiça... Mas a questão que se coloca é a de outro conceito, o de RESPONSABILIDADE.
Quem tem a responsabilidade do contacto? O GR.
Quem poderia ter evitado o contacto? O GR.
Quem corre o maior risco de lesão? O ponta.
Quem se deve punir? O GR...

Pessoalmente, acho que esta lei é demasiado restritiva e castradora dos movimentos dos GR, mas tornou-se imperioso criar um critério, e este foi o escolhido. Resta aos GR serem perspicazes na hora de optarem pela tentativa de interceptar um contra-ataque. Mas vamos às variantes.

  1. E se o GR agarra a bola primeiro e só depois se dá o contacto com o ponta em corrida? Cartão vermelho ao GR e livre de 7m.
  2. E se o GR se arrepende e tenta recuar, não conseguindo evitar o contacto com o ponta em corrida? Cartão vermelho ao GR e livre de 7m.
  3. E se nenhum dos 2 agarra a bola e só ocorre o contacto? Cartão vermelho ao GR. Livre de 7m se se entende que o jogador em contra-ataque poderia criar uma oportunidade de golo se controlasse a bola.
  4. E se o ponta agarra a bola, passa pelo GR, e é agarrado por este LATERALMENTE? Livre de 7m e exclusão de 2 minutos ao GR.
  5. E se o jogador em contra-ataque se apercebe da presença do GR, se vira e vai contra o GR TENTANDO SACAR A DESQUALIFICAÇÃO AO SEU ADVERSÁRIO? Falta atacante e exclusão ao jogador que fazia o contra-ataque.

A variante 5 deixa claro que não se deve marcar SÓ falta atacante. Nos casos destes contactos mais duros, haverá sempre quem tem a responsabilidade de evitar o contacto, podendo, no caso do atacante, considerar-se que houve tentativa de ludibriar o árbitro através de simulação.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

NOVAS REGRAS 2010 - sanções (exemplos)

Acima de tudo, penso que as indicações ao nível da disciplina de 2010 servem para tentar proteger os jogadores dos contactos violentos dos seus adversários. Repare-se que digo violentos e não agressivos. Gosto de um jogo agressivo, viril. Não gosto de um jogo violento.
As situações que justificavam cartão amarelo continuam a justificar, as que justificavam exclusão também, idem áspas para o vermelho. Pede-se é mais rigor na sua aplicação. Não vou falar de situações para advertência, mas dou exemplos dos outros dois tipos de sanção.
Tento discernir 2 tipos de contacto, daqueles que estão acima do contacto que origina um cartão amarelo:
  1. Contactos fortes, sem intenção de controlar (EXCLUSÃO);
  2. Impactos que não permitem qualquer defesa ou protecção por parte de quem os sofre (DESQUALIFICAÇÃO).

EXCLUSÃO
No ponto 1, estão aquelas situações que poderão ser punidas com sanção progressiva, mas também há outras situações que justificam uma exclusão directamente, sem passar pelo amarelo. Posso dar alguns exemplos:

  • Jogador em velocidade sofre um contacto lateral que o desequilibra;
  • Jogador COM OU SEM BOLA é agarrado de tal forma que não se consegue mexer;
  • Jogador viola a sua área de baliza propositadamente para fazer falta a um jogador que está em remate.

Outros exemplos que não envolvem contacto físico:

  • Protestos exagerados;
  • Simulações;
  • Cortes com o pé, quando a bola se dirige para um jogador isolado (ou que pode criar uma clara oportunidade de golo).

DESQUALIFICAÇÃO
Aqui estão aqueles casos sérios, de conduta anti-desportiva grave, sob qualquer forma. Com exemplos:

  • Toque no pé do ponta, com este em salto;
  • Empurrar jogadores em suspensão;
  • Contactos violentos na cara;
  • Empurrar com força pelas costas;
  • Bola na cara do GR, num livre de 7m, se este se mantém imóvel;
  • Situação de último minuto.

Claro que outras situações como insultos, protestos fora de todos os limites, ou várias outras formas de desrespeito poderão ser, como sempre, alvo de cartão vermelho.

Convém recordar que a expulsão, através da mal amada cruzeta, foi extinta. Por um lado compreendo, uma vez que muitas vezes nem o público sabia o que isso era. E quando era aplicada...
Passou a haver agora situações de desqualificação COM e SEM relatório escrito. Penso que dá para perceber, através de dois exemplos simples. Se um jogador é desqualificado por uma situação de jogo como uma rasteira, não é alvo de relatório. Se, por outro lado, o cartão vermelho surge por um insulto ou uma agressão, então haverá relatório.

Recordo, também, que o último minuto continua a ser alvo de vigilância mais atenta, e que as condutas anti-desportivas deverão continuar a ser sancionadas com dureza. A diferença é que o resultado deixa de ser um factor decisivo na atribuição das sanções por parte dos árbitros. Toma-se atenção à ATITUDE dos intervenientes. Quantas vezes não vemos ajustes de contas nesta fase dos jogos?

Opinião pessoal... Muito se tem dito que "agora é que vai ser só exclusões", ou como já ouvi "os árbitros é que se vão consolar". Não se deve pensar assim, quanto mais não seja porque não faz sentido. Não me dá prazer nenhum acabar um jogo e olhar para o boletim de jogo e ver um totobola só com triplas, ou ver uma folha de rascunho toda escrita. Sinceramente, detesto jogos com exagero de disciplina, embora saiba perfeitamente que às vezes tem de ser assim. Mas claro, se num jogo vejo um puxão de braço grave, uma rasteira ou um empurrão pelas costas a um jogador isolado em contra-ataque, sabe-me bem mandar o infractor embora do campo, porque quem faz isto NÃO TEM LUGAR DENTRO DE UM CAMPO DE ANDEBOL!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

NOVAS REGRAS 2010 - sanções (critérios)

No seguimento do que me propus, falo um pouco sobre as orientações ao nível do comportamento arbitral que mais se destacam para esta nova época.

Hoje o assunto é a definição dos critérios para atribuição de sanções, nomeadamente das exclusões e das desqualificações. De notar que são permitidos pequenos toques no tronco de braços flectidos, entendidos como controlo do adversário, e que a lei da vantagem deverá ser aplicada ao máximo, sempre que possível.

Mas o que importa para hoje são as situações em que os contactos forem classificados de infracção passível de sanção disciplinar. Neste caso, há 4 critérios principais a ter:

  1. Posição do corpo
  2. Parte do corpo
  3. Dinâmica de jogo
  4. Efeito do contacto
Dou 2 exemplos específicos para cada situação, tentando explicar o que quero dizer com cada uma delas.

POSIÇÃO DO CORPO
Este critério é relativamente simples de entender. Se o contacto é frontal, será uma situação menos grave, mas se for lateral ou pelas costas, após a passagem do atacante, então poderá ser algo mais complicado.
Ex.1: Controlo frontal. Claro que a imagem não permite perceber a totalidade do contexto do jogo, mas à partida será uma situação normal. Decisão: Não sancionar disciplinarmente.

Ex.2: Contacto nas costas. Decisão: Sancionar disciplinarmente.

PARTE DO CORPO
Também aqui se percebe facilmente o que se quer dizer. Um toque dado no tronco é bem menos perigoso que um dado na cara ou cabeça.

Ex.1: Contacto efectuado no peito, sem qualquer intenção de magoar. Decisão: Não sancionar disciplinarmente.

Ex.2: Agarrar lateral ao nível do pescoço. Decisão: Sancionar disciplinarmente.


DINÂMICA DE JOGO
Por dinâmica, poderá entender-se a situação em que o jogo se encontra. Jogador equilibrado ou em velocidade ou desequilíbrio, por exemplo?

Ex.1: Jogador aos 9m, se não sofrer um empurrão forte, à partida manterá o equilíbrio, pelo menos não de forma potencialmente perigosa. Decisão: Não sancionar disciplinarmente.


Ex.2: Jogadora desequilibrada, em remate aos 6m. A maioria das faltas poderá ser perigosa. Decisão: Sancionar disciplinarmente.

EFEITO DO CONTACTO
A falta provoca lesões? Desequilibra seriamente? É um empurrão contra uma parede?

Ex.1: O defesa até procura a bola! O contacto provocado aqui não coloca em risco a integridade física do adversário. Decisão: Não sancionar disciplinarmente.

Ex.2: SEM COMENTÁRIOS, CERTO? Decisão: Sancionar disciplinarmente, CLARO!

Relembro que, com este post, quis apenas falar um pouco dos critérios a usar, e não necessariamente da sanção em si. No próximo post darei mais exemplos, especificamente, de sanções passíveis de exclusão e desqualificação.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

NOVAS REGRAS 2010 - pivots

Começo por este tema, porque me parece ser aquele que vai ser mais crítico. Talvez o rigor nas sanções disciplinares possa ombrear com este tópico, mas só porque vai ser mais visível e, por isso, mais passível de gerar controvérsia nas equipas e na assistência.

Contudo, para nós árbitros, vai ser muito difícil (até porque já era!) manter um critério coerente nas situações aos 6m, porque as exigências são agora maiores.

A zona dos 6m é muito crítica no que toca ao espaço conquistado, que pode ser decisivo. Se um jogador de 1ª linha passa pelo seu defensor, pode sempre encontrar outro defensor que compense. Se um pivot ofensivo conquista espaço aos 6m, não há compensação possível. Isso origina uma luta muito intensa, o que provoca dificuldades acrescidas para as equipas de arbitragem.

Vou tentar estruturar a minha exposição de uma forma mais ou menos clara, e também muito concisa. Se não conseguir, a intenção ao menos é essa...

Dividamos as acções na zona do pivot em acções de:
  • Defesas
  • Pivot ofensivo

DEFESAS
Aos defesas é exigido que se limitem a defender CONTROLANDO, tal como antes. O que agora existe é mais rigor!
Deverão ser punidas com mais severidade as situações em que os defesas agarram os atacantes, inclusive quando a bola está LONGE do pivot.
Estará também sob a atenção dos árbitros a forma de efectuar o controlo defensivo, que deverá ser feito com braços flectidos, SEM EMPURRAR.
Não vamos ser utópicos e pensar que os defesas vão deixar de empurrar e/ou agarrar. Mas para tudo há um limite, e acima desse limite existirão punições. A questão é que esta época o limite baixou.

PIVOT OFENSIVO
Aqui podemos tentar separar duas situações, mas que se misturam um pouco, que são:

  • Conquista da posição aos 6m
  • Bloqueios

No que toca à conquista da posição aos 6m, é entendido que deve ser feita com a zona do tronco, não com os braços completamente abertos, por exemplo, o que provocará falta atacante, como mostra a imagem seguinte.
Não eram os "Gato Fedorento" que diziam que "o ar é de todos"? Pois, o espaço aos 6m no andebol também é, não é só dos jogadores de maior porte só porque sim.

Os bloqueios serão um alvo de especial atenção, porque são muitas vezes feitos de forma incorrecta. Muitas vezes, um timing errado no início do movimento provocará um bloqueio errado, e é-nos pedido que atentemos a isso.

Repare-se na foto que se segue. O pivot faz o bloqueio usando não só o corpo, como também braço e perna, o que obriga o defesa a contorná-lo. Este movimento ofensivo é considerado ILEGAL, e será motivo para inversão do sentido de jogo.

Mais uma vez refiro que isto já era falta atacante, mas uma revisão às leis de jogo ditou que este era um factor a rever.



Como me foi perguntado no post anterior, não me parece de todo que abrir um braço para agarrar a bola seja considerado falta atacante. A luta pela posse de bola faz parte do andebol, e se impedirmos um atleta de mexer os braços estamos a matar o jogo.
Agora, o que temos de analisar é se esse movimento do braço é mesmo para recolher a bola ou para impedir o adversário de defender correctamente.

Permito-me um comentário.
Dirigi hoje o meu primeiro jogo de pré-época. É certo que os primeiros minutos serviram para desenferrujar, mas senti algumas dificuldades ao início porque estava especialmente preocupado com as indicações para esta época. Com o decorrer do jogo, as coisas tornaram-se naturais, ainda que haja mais trabalho pela frente.
Agora a parte que mais interessa para este tópico... a maioria das sanções disciplinares do jogo teve origem em contactos nas zonas dos pivots. Receio que esse seja o facto mais saliente deste início de época, porque nenhum dos agentes do jogo (treinadores, jogadores e árbitros) está ainda devidamente adaptado a estas alterações. Nada que não se resolva com o tempo, mais rapidamente ainda se nos ensinarmos uns aos outros.

domingo, 29 de agosto de 2010

NOVAS REGRAS 2010

Decorreu hoje a primeira sessão de trabalho na nova época, e com ela o primeiro contacto com as novas regras.
Não penso que sejam causadoras de uma revolução extrema no jogo em si, mas com certeza há algumas coisas que vão mudar. E não mudam só para uma classe, mudam para treinadores, jogadores e árbitros.
Como tudo na vida, cada novo input obriga a uma fase de adaptação. E o José Costa, do Benfica, disse-o muito bem hoje no flash interview à RTP, após o jogo com o Skjern. E também disse outra coisa importante... É que, se já em condições normais é muito difícil aos árbitros manter sempre o mesmo critério quer de jogo para jogo quer ao longo do mesmo jogo, nestas condições é ainda mais difícil mantê-lo.
E vão haver oscilações. Sim, dentro do mesmo jogo também.
O que se espera da nossa parte é que reduzamos ao mínimo o tempo de adaptação a estas novas precisões, algumas das quais já eram aplicadas como orientações, estando agora classificadas como regra.
O que se espera dos treinadores é que eles próprios se vão adaptando em conjunto connosco, e que transmitam as precisões aos seus atletas, preparando-os para tal.
O que se espera dos jogadores é que não esperem pelos seus treinadores e se procurem inteirar das regras e dos novos procedimentos da arbitragem, para evitar surpresas nos jogos, ao mesmo tempo que se adaptam, também em campo, à necessária afinação na sua forma de actuar.
Estamos todos juntos no barco... É bom que todos ponhamos os nossos orgulhos de "eu é que sei" de lado e cheguemos à conclusão que vamos todos aprender uns com os outros. Mas isto digo desde sempre, e não só para esta ocasião em particular...
Quanto às situações de alteração/precisão, existem algumas, mas destaco:
  • Contacto com o adversário
  • Jogo de pivot (BLOQUEIOS)
  • Zona interdita a oficiais
  • Definição de critérios para punição de faltas
  • Saída do GR

Vou abordar estes temas nos próximos posts.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

ENTREVISTA (4 de 4)

Já conheço as novas regras, mas de forma alguma me devo antecipar à FAP nesta discussão. Pretendo analisá-las aqui no blogue depois da reciclagem.
Enquanto tal não acontece, e aproveitando também este período de férias/pré-época, deixo aqui cópia de uma entrevista que eu e o Bruno demos à APAOMA, também publicada no site da Associação. O texto é quase 100% do que lá está, faço umas ligeiríssimas alterações, que poderão complementar o texto que lá está, mas serão muito, mesmo muito pontuais.
Deixo um agradecimento especial à APAOMA, e ao Alfredo Teixeira em particular.
Não deixo esta entrevista ao acaso. Não pretendo fugir ao tema "arbitragem", de forma alguma, estou apenas a revelar outra perspectiva diferente da análise às regras e às situações de jogo.
ORIGINAL EM: http://www.apaoma.pt/
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14 – Qual o capítulo do jogo que lhe oferece mais dificuldade e como procura ultrapassá-lo?
A sanção progressiva e as lutas aos 6m, sem dúvida.
É muito difícil manter um critério 100% uniforme a nível disciplinar no mesmo jogo e de jogo para jogo. É muito fácil falhar num lance e com isso estragar o que de bom possa ter sido feito para trás.
As lutas aos 6m são algo que deriva da evolução do próprio Andebol. É extremamente difícil ajuizar contactos naquela zona do terreno, pois é ali que se decidem muitos jogos. Consequentemente, é a zona de maior probabilidade de ocorrência de problemas.

15 – O que faz ou tem feito no âmbito do desenvolvimento da Arbitragem Nacional?
Temos colaborado em várias acções de formação promovidas por alguns clubes, para sensibilização de pais, atletas e dirigentes, em especial na nossa Associação.
Durante vários anos estivemos à frente da arbitragem regional, juntamente com outros companheiros que muito nos ajudaram. Nesse contexto, a colaboração do João Teles e do Hilário Matos merecem o nosso agradecimento público por se destacarem como elementos de importância vital no nosso trabalho. O Ramiro Silva e o Mário Coutinho, assim como o Carlos Malpique, foram outros elementos de imenso valor que trabalharam connosco.
Tenho ainda o meu blogue (http://carloscapela.blogspot.com), um espaço aberto à participação de todos, onde procuro colmatar uma lacuna que existia no espaço andebolístico Português, e promover uma discussão correcta e ordeira acerca da arbitragem e das regras, e onde tenho tido uma participação muito significativa das pessoas, com uma média de cerca de 40 visitas por dia, o que considero muito positivo para o tipo de espaço que é.
Sempre que o tempo nos permite, dirigimos jogos a nível regional com árbitros mais jovens, para lhes transmitir alguma da nossa experiência, mas a sobrecarga de jogos a nível nacional nem sempre permite que isso aconteça.

16 – O que gostaria de dizer ou sugerir para a melhoria da Arbitragem Nacional?
É preciso trabalhar muito, mas ao mesmo tempo é necessário dotar os árbitros de melhores condições para a prática da arbitragem. Depois sim, poder-se-á exigir mais aos árbitros.
Todavia, é obrigatório que todos pensemos que o primeiro passo tem de partir de nós mesmos, através do trabalho jogo a jogo, diálogo com a dupla, análise das próprias actuações, observação de jogos dos colegas e muito trabalho de vídeo.
Todos os jogos (TODOS!) nos permitem concluir algo de importante, nos permitem aprender um pouco mais.
Temos de trabalhar mais em conjunto e não isoladamente.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

ENTREVISTA (3 de 4)

Já conheço as novas regras, mas de forma alguma me devo antecipar à FAP nesta discussão. Pretendo analisá-las aqui no blogue depois da reciclagem.
Enquanto tal não acontece, e aproveitando também este período de férias/pré-época, deixo aqui cópia de uma entrevista que eu e o Bruno demos à APAOMA, também publicada no site da Associação. O texto é quase 100% do que lá está, faço umas ligeiríssimas alterações, que poderão complementar o texto que lá está, mas serão muito, mesmo muito pontuais.
Deixo um agradecimento especial à APAOMA, e ao Alfredo Teixeira em particular.
Não deixo esta entrevista ao acaso. Não pretendo fugir ao tema "arbitragem", de forma alguma, estou apenas a revelar outra perspectiva diferente da análise às regras e às situações de jogo.
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10 – Que opinião tem a respeito de haver mais aproximação entre os agentes desportivos (Árbitros, Treinadores, Jogadores e Oficiais de Equipa) com a realização de eventos destinados a esta mesma integração? Pode dar-nos um contributo, uma opinião.
Somos 100% a favor, e de forma urgente! Já tivemos oportunidade de dizer que a convergência de opiniões é essencial para o desenvolvimento do andebol! Além disso, sempre defendemos que um árbitro não é bom árbitro se não perceber de técnica e táctica, e um treinador não é bom treinador se não perceber de regras e condução de jogo.
Um árbitro tem de compreender em que se baseia a defesa 3x2x1, tem de saber distinguir um 4x2 de um 4+2, para se saber colocar e prever movimentações, para se preparar. Um treinador tem de ser conhecedor de regras para evitar que os seus jogadores cometam infracções desnecessárias, para conseguir ler o tipo de condução de jogo que determinada dupla de arbitragem efectua.

11 – O que diria aos Árbitros Jovens como conselho em relação ao futuro na Arbitragem?
Acima de tudo, que honrem a camisola e o emblema que envergam. Que dignifiquem uma actividade tão nobre quanto difícil como a arbitragem. A nossa visão enquanto dupla é que somos “apenas mais um” dos vários elementos de um jogo. O jogo precisa de nós mas nós também precisamos do jogo. Muitos árbitros jovens não sentem isso, pelo que conseguimos ver. Mas muito importante para os mais jovens é aprender a tirar partido do prazer de conduzir um jogo! Divirtam-se, e a vossa evolução será mais rápida, pois vão sentir o verdadeiro prazer de arbitrar! Além disso, os momentos fora dos jogos, os convívios com outras pessoas em torneios, fases em concentração, jantares, são algo que enriquece muito a nível pessoal.

12 – Acha que actualmente a Arbitragem Nacional é devidamente compensada pelo seu trabalho e esforço no contexto do Andebol Nacional? O que acha que deveria ser melhorado.
Pensamos que não. Compreendemos que somos poucos e que temos de chegar a todos os lados, mas torna-se difícil fazer 5 ou 6 jogos num fim-de-semana, muitas vezes após percorrer longas distâncias. O 5º e o 6º jogo já não permitem a tal diversão que falámos há pouco pois o cansaço e a saturação apoderam-se de nós. Fazemos o que gostamos, e gostamos do que fazemos, mas torna-se cansativo fazer tantos jogos. Monetariamente, os valores não são elevados e a tributação fiscal e o código contributivo são questões que não jogam a nosso favor.

13 – Indique-nos um Árbitro que lhe serviu ou serve de modelo ou que possa servir para os novos Árbitros.
Não vamos referir nomes por respeito àqueles que por lapso nos poderíamos esquecer. Mencionamos apenas o nome do Carlos Malpique e do António Nunes, os homens que nos deram o curso e primeiro nos incutiram o gosto pela arbitragem. Os novos árbitros têm de olhar para todas as duplas de topo e de todas elas extrair um pouco para a sua evolução e valorização pessoal.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

ENTREVISTA (2 de 4)

Já conheço as novas regras, mas de forma alguma me devo antecipar à FAP nesta discussão. Pretendo analisá-las aqui no blogue depois da reciclagem.

Enquanto tal não acontece, e aproveitando também este período de férias/pré-época, deixo aqui cópia de uma entrevista que eu e o Bruno demos à APAOMA, também publicada no site da Associação.
O texto é quase 100% do que lá está, faço umas ligeiríssimas alterações, que poderão complementar o texto que lá está, mas serão muito, mesmo muito pontuais.
Deixo um agradecimento especial à APAOMA, e ao Alfredo Teixeira em particular.
Não deixo esta entrevista ao acaso. Não pretendo fugir ao tema "arbitragem", de forma alguma, estou apenas a revelar outra perspectiva diferente da análise às regras e às situações de jogo.
ORIGINAL EM: http://www.apaoma.pt/


5 – O que pensa, e se existe, diferenças na interpretação às regras entre Árbitros e os demais Agentes Desportivos?
Sem dúvida que existem diferenças de interpretação. Mas mais que diferentes interpretações, existe desconhecimento de regras! Dou um exemplo, que até pode parecer um pouco ridículo, mas que aconteceu há algum tempo num jogo nosso e mostra como o desconhecimento e as diferentes interpretações andam de mãos dadas. Um atleta passou uma rasteira a um adversário num contra-ataque, e nós desqualificámos o jogador. O treinador protestou e nós justificámos que uma rasteira é motivo de desqualificação, algo que ele contestou ainda mais. Desconhecimento. Mas ele ainda argumentou que uma rasteira não é mais que, e cito, “a conquista do espaço por parte do pé ou perna do meu jogador, que não tem culpa que o outro vá contra ele”. Diferente interpretação. Errada, no caso.


6 – Se existe, como lida com este problema, se é que o considera?
O diálogo é essencial, mas nem sempre é possível. Em campo terá de ser sempre doseado, e fora dele nem sempre é aceite. Contudo, pensamos que é essencial os vários agentes da modalidade reunirem-se e conversar, esclarecerem os seus pontos de vista e chegar a um consenso. Nem sempre os árbitros estão certos, nem sempre os técnicos estão certos.


7 – Conte-nos algum detalhe interessante que tenha passado na sua carreira de Árbitro, quer nacional e/ou internacional.
A carreira de um árbitro está sempre recheada de detalhes interessantes, jogos em ambientes dificílimos, outros que correm bem, outros que correm mal… Eu e o Bruno, até há cerca de 2/3 anos, tínhamos o estranho “hábito” de ter um jogo por época completamente para esquecer. Tudo corria pessimamente! Quando chegávamos ao balneário no fim desse jogo, dizíamos um para o outro: “Ok, foi hoje… o resto da época vai correr bem!” E não falhava… Entretanto estabilizámos e, com jogos a correr bem ou menos bem, os picos negativos deixaram de acontecer, graças a Deus! Como experiência internacional temos de destacar a nossa participação no Mundial de Desporto Escolar na Grécia, em 2002. Foi uma experiência muito enriquecedora, a nível cultural e desportivo! Atingimos as meias-finais, onde dirigimos o Eslováquia-Alemanha.


8 – Internacionalmente, como vê o prestigio da Arbitragem Nacional?
A arbitragem Portuguesa não é em nada inferior à dos outros países. À falta de nomes consagrados como o Goulão e o Macau, que foram a última dupla Portuguesa a estar no topo da arbitragem internacional, o Eurico e o Ivan respondem com belas exibições e a promessa de uma carreira sempre ao mais alto nível. Aproveito para lhes enviar um abraço de amizade e felicitação pelo seu trabalho, que ao mesmo tempo é demonstrativo da qualidade da arbitragem Portuguesa. Além deles, temos mais duplas e delegados EHF, e isso é prova que a arbitragem Portuguesa está activa, trabalha e tem qualidade.


9 – Acha que nossa Arbitragem está à altura da Arbitragem Europeia e/ou Internacional? O que é preciso fazer?
Esta questão é a continuação da anterior. Estamos à altura de qualquer país ao nível da arbitragem. Precisamos de continuar a trabalhar para elevar o nome de Portugal também ao nível dos homens (e mulheres…) do apito.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

ENTREVISTA (1 de 4)

Enquanto não tenho conhecimento oficial das novas regras, que pretendo discutir depois aqui no blogue, e aproveitando também este período de férias/pré-época, deixo aqui cópia de uma entrevista que eu e o Bruno demos à APAOMA, também publicada no site da Associação.
O texto é quase 100% do que lá está, faço umas ligeiríssimas alterações, que poderão complementar o texto que lá está, mas serão muito, mesmo muito pontuais.
Deixo um agradecimento especial à APAOMA, e ao Alfredo Teixeira em particular.
Não deixo esta entrevista ao acaso. Não pretendo fugir ao tema "arbitragem", de forma alguma, estou apenas a revelar outra perspectiva diferente da análise às regras e às situações de jogo.

1 - Como vê a Arbitragem Nacional neste momento?

Estamos numa fase de transição, em que predomina a juventude. Não nos podemos esquecer que a categoria de Elite é constituí­da na sua maioria por árbitros com trinta e poucos anos ou menos, e apesar de muitos deles estarem há muitos anos na 1ª divisão, continuam a ser jovens. Faltam os nomes consagrados e aceites por todos, as referências, e isso só vai ser conseguido pelos árbitros de agora com o passar do tempo.

2 - Conte-nos como iniciou sua carreira de Árbitro.

Na altura eu era júnior do S. P. Oleiros e propuseram a alguns atletas a frequência do curso de árbitro. Sempre fui apaixonado pelo andebol, e a possibilidade de obter uma visão diferente do jogo agradou-me bastante. Foi aí que descobri a minha paixão pelas regras e pela condução de um jogo. Durante uma época fui árbitro regional, e as coisas acabaram por correr bem. Fiz dupla com o Nuno Cardoso, que entretanto deixou de arbitrar, e a minha primeira época no Nacional foi feita em parceria com o Francisco Barros, que entretanto também abandonou a arbitragem. Surgiu a possibilidade de fazer dupla com o Bruno, e à terceira foi de vez. Fazemos dupla desde 2001. O Bruno era atleta do Avanca, onde fez toda a sua formação de jogador, e foi aí que tirou o curso de árbitro, um ou dois anos antes de mim. Após algumas épocas no regional a arbitrar a maioria das vezes com o Hilário Matos, começou a fazer equipa comigo. O nosso percurso a ní­vel nacional tem sido feito sempre como dupla.

3 - Sua Associação Regional é participativa quanto à Arbitragem Nacional e Regional?

Sim, sem dúvida. Há poucos anos, quando estávamos a colaborar de forma mais activa na arbitragem regional, chegámos a fazer um curso com 82 formandos! Claro que muitos desistiram no fim do curso, mas aproveitámos efectivamente 40 a 45 árbitros. Actualmente há menos formandos, mas estamos a passar uma fase de subida no número de quadros de arbitragem. Temos 2 duplas de Elite e várias outras nos Grupos A e B. É possí­vel que nos próximos anos surjam novos valores em Aveiro.

4 - Como analisa actualmente a formação de árbitros, acha suficiente ou deveria haver mais acções de formação?

Mais, sem dúvida. Compreendemos que o calendário competitivo da FAP é apertadí­ssimo e as datas disponí­veis são poucas, mas é imperiosa uma formação constante em qualquer actividade que se quer manter actualizada. O trabalho nas Associações pode servir de complemento ao trabalho a nível nacional.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

SANÇÕES A OFICIAIS - esclarecimento

Penso que este post será o último acerca de regras nesta época desportiva. Também por isso, será muito pequeno e conciso, pois nesta altura de férias é pouco provável que se gere grande discussão.
Contudo, faço-o porque é uma questão que me é colocada amiúde, e que ainda há poucos dias o foi de novo.
"Se um treinador leva 2m e logo a seguir, sem o jogo recomeçar vermelho directo. Sai um jogador por 4 minutos, ou saem dois?"
As sanções ao banco não são cumulativas. Neste caso, sai UM jogador por DOIS minutos.
Se esta situação se passasse com um jogador, mesmo que este estivesse no banco, a redução efectiva do número de jogadores dessa equipa seria de UM jogador por QUATRO minutos.
No caso dos oficiais, procede-se de forma diferente.


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NOTA: Não estava inicialmente nos meus planos colocar a minha entrevista à APAOMA aqui no blogue, mas penso que o poderei fazer agora no período de férias.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

TECNOLOGIAS

Penso que já uma vez me referi ao uso de tecnologias no andebol, mas não estou certo.
Tal como no futebol, a decisão pela introdução de meios electrónicos no andebol é uma decisão que não pode ser tomada de ânimo leve.
Compreendo a posição dos jogadores, técnicos e muitos adeptos, em querer eliminar, na medida do possível, os erros da arbitragem. Mas estando eu do outro lado da barricada, e tendo sempre a tentação de ver as coisas na perspectiva do árbitro, sou muito mais céptico e renitente no que toca a estas matérias.
Há coisas que admito poderem ser úteis. Por exemplo, os inter-comunicadores entre árbitros podem ajudar à marcação de algumas faltas, como violações de área, que são situações que dependem muito do ângulo de visão de cada árbitro. Já os chips na bola, são algo que me parece irrelevante no andebol. Devido à quantidade de golos que são marcados por jogo, esta questão não assume os mesmos contornos que no futebol.
Mas mais importante que tudo isso, é a diminuição do papel do árbitro, e a interferência de toda a gente nas suas competências. É quase a desumanização do árbitro, que não pode falhar nunca!
Além disso, a carga pesada vem toda para os ombros do árbitro...
Imaginemos a situação de um lance confuso, daqueles tão confusos que mesmo após as repetições ninguém conclui nada em consciência, e a decisão que cada um toma tem sempre a ver com o clube a que pertence. Uma equipa solicita o recurso ao vídeo.

O que é que a equipa prejudicada pela decisão vai pensar?
"Ele viu as imagens e não decidiu a nosso favor porque não quis. Quer prejudicar-nos."

É que não adianta pensar que as pessoas vão ser correctas e vão dar o braço a torcer, porque isso não vai acontecer! Simplesmente não vai, em 99% dos casos! Com o calor do jogo, especialmente dos decisivos, alguém é capaz de dizer que afinal não tem razão? Seria muito raro assistir a isso, apesar de saber que algumas (infelizmente, poucas) pessoas o fariam.

Resumindo, não sou contra a introdução das tecnologias no desporto, mas penso que todas as medidas tomadas nesse sentido devem ser muito ponderadas.

terça-feira, 13 de julho de 2010

DEFINIÇÃO DE PASSOS

Sim, Pedro, essa dúvida foi colocada por ti.
Relembro que me constou que a lei dos passos vai mudar muito em breve, pelo que esta regra se pode tornar obsoleta, mas AGORA, pelo conhecimento que é dado, o conceito de passos é regulamentado pela regra 7:3.

7:3 Dar um máximo de 3 passos com a bola (13:1a); um passo é considerado dado quando:
a) um jogador que está com ambos os pés no solo levanta um pé e o baixa novamente, ou move um pé de um lado para o outro;
b) um jogador só tem um pé assente no solo e, ao apanhar a bola, pousa o outro pé;
c) um jogador, após um salto para apanhar a bola, só toca o solo com um pé, e salta sobre o mesmo pé ou toca o solo com o outro pé;
d) um jogador, após um salto para apanhar a bola, toca simultaneamente com ambos os pés no solo, levanta um dos pés e volta a pousa-lo, ou muda um dos pés de um lado para o outro.
Comentário:
Conta como um passo, se um pé é deslocado de um lado para outro, e depois o outro pé é arrastado para junto do mesmo.
Pela alínea d), deduzo que um jogador que está com ambos os pés no solo e desloca um dos pés, faz um passo. Se voltar a deslocá-lo, faz dois passos.
Não existe "pé eixo", como no basquetebol.
Vou responder à outra questão que deixaste num comentário no post anterior.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

OS PÉS DOS PASSOS

Antes de mais, e correndo o risco de parecer repetitivo, peço desculpa pela não actualização do blogue em tempo oportuno. Se das outras vezes tive dificuldades ao nível do tempo, desta vez as dificuldades foram mesmo sérias. Penso que agora estabilizei a minha organização pessoal durante algum tempo.
Sendo certo que agora estamos praticamente de férias, penso que há ainda alguns temas que ficam por discutir e conversar, e há ainda algumas reflexões que me foram sugeridas e que ainda estão sem resposta. Vou tentar actualizar o espaço dedicado aos próximos temas ainda hoje e, se eventualmente me foi pedido algum comentário sobre alguma coisa e eu não o tenha feito, por favor relembrem-me. Não é por mal que me esqueço.

O post de hoje tem um título um bocado estúpido, mas a verdade é que não encontrei melhor. Foi-me perguntado se os passos podem ser todos dados com o mesmo pé. Sim, podem.
Isto poderia levar a uma discussão muito mais alargada, e difícil de explicar por texto, sem recurso a exemplos visuais, como vídeos e demonstrações, sobre o que é um passo. Mas essa discussão não faria sentido agora porque consta que a lei dos passos vai mudar este Verão, e é preferível aguardarmos até termos novas indicações acerca do assunto.

Deixo aqui um exemplo de um vídeo que já utilizei aqui no blogue. Admito que não retrata exactamente esta questão, mas ajuda um pouco.
O que é que o Jackson Richardson faz aqui? Momento zero com o pé direito, primeiro passo com o pé direito, segundo passo com o pé esquerdo. Ou seja, 2 movimentos consecutivos com o mesmo pé, sem ilegalidades. Haveria consequências se ele tivesse dado o 2º passo com o pé direito na mesma? Não, o golo seria limpo, igualmente legal.


video

quinta-feira, 17 de junho de 2010

A LINHA DOS 6m

Recebi um comentário de alguém que perguntava se a linha da área de baliza não pode ser pisada, nem pelo guarda-redes, nem pelos jogadores de campo.

Isso não é verdade. A regra diz o seguinte:


6:1 (...) A área de baliza, que inclui a linha de área de baliza, é considerada violada quando um jogador de campo a tocar com qualquer parte do corpo.


As linhas pertencem à área que delimitam, ou seja, neste caso, a linha faz parte da área dos 6m.

Em quantos pavilhões até se vê que não existe linha, apenas área? Procurei uma imagem que ilustrasse bem o que digo, mas só encontrei esta, de um pavilhão em Leiria.

Não se consegue ver muito bem, mas neste pavilhão existe apenas área e terreno de jogo, sem linha.

Quanto a quem a pode pisar, evidentemente que só o GR a pode pisar, porque esta pertence à área de baliza.

domingo, 13 de junho de 2010

TIME-OUT SEM PARAGEM IMEDIATA 2

Relativamente à situação que descrevi no post anterior...
  • Quem recomeça com posse de bola?

Quem recomeça com posse de bola, é a equipa que solicitou o time-out, mesmo que os árbitros não o concedam de imediato.

  • Onde recomeça o jogo?

O jogo recomeça onde estava aquando da entrega do cartão verde na mesa. É a partir desse momento que o jogo se encontra interrompido, é lá que deve recomeçar.

  • O que acontece em relação à sanção disciplinar?

As decisões técnicas entre o momento da entrega do cartão verde e o momento em que o time-out é concedido são anuladas, mas as sanções disciplinares são mantidas.

ALTEREI A MINHA RESPOSTA À QUESTÃO COLOCADA NOS COMENTÁRIOS.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

TIME-OUT SEM PARAGEM IMEDIATA

Passo a descrever a situação que me aconteceu há pouco tempo.
Sou confrontado com uma paragem de tempo ordenada pela mesa. Quando me aproximo, o secretário/cronometrista informa-me que já tinha mandado parar o tempo quando a posse de bola ainda estava na outra equipa. Acontece que, entretanto, ainda houve uma sanção disciplinar para a equipa que teria pedido o tempo de paragem há cerca de meio minuto.
Como estava muito barulho no pavilhão, não ouvi a buzina. Ou melhor, pareceu-me ouvir alguma coisa mas a minha sensação é que aquele som tinha vindo da bancada.
O que pergunto é:
  1. Quem recomeça com posse de bola?
  2. Onde recomeça o jogo?
  3. O que acontece em relação à sanção disciplinar?

Ultimamente tenho optado por deixar algumas questões antes de falar delas, porque acho que acaba por ser útil por vezes as pessoas porem-se (nem que seja só um bocadinho!) na pele do árbitro...

segunda-feira, 7 de junho de 2010

GUARDA - REDES (contactos com o pé) 2

Faço um novo post sobre a situação que lancei na semana passada.

De facto, a área é do guarda-redes. Só ele pode lá estar e jogar, mas isso não faz com que ele não tenha de cumprir as regras! E a regra é clara: o pé é para ser usado em acto de defesa. E controlar a bola que vai a rolar para fora da área não é defesa.

Não é permitido ao guarda-redes:
5:10 Tocar a bola com o pé ou a perna abaixo do joelho, quando esta está parada no solo na área de baliza ou movendo-se em direcção à área de jogo.


Infelizmente, como diz o Pedro Almeida, é uma regra que muita gente desconhece. Tal como ele refere, e muito bem, tem fundamento prático e evita situações potencialmente perigosas! Só não concordo quando diz que, e cito: "No entanto se não houver nenhum jogador atacante em condições de receber a bola...segue jogo."

Não concordo porque a regra não especifica que só é falta quando há alguém pronto a receber a bola. O que pode haver é um facilitismo nestas situações, porque aí o GR não coloca ninguém em perigo nem ninguém duvida que se ele se baixasse para apanhar a bola o efeito seria o mesmo... ou melhor dizendo, facilita-se um pouco se a influência na posse de bola que se segue for nula. E aí eu compreendo que não se seja demasiadamente rigoroso, porque não faz sentido sê-lo nesses casos. Mas nos casos em que há influência na posse de bola deve ser-se intransigente!

PS - Não sei quando são as provas para árbitros nacionais, mas faço votos, igualmente, para que tudo corra pelo melhor aos candidatos.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

GUARDA - REDES (contactos com o pé)

Mais uma vez peço desculpa pela pouca actualização do blogue.
Estou fora de casa em trabalho e não me tem sobrado muito tempo para vir à net.
Descrevo uma situação que me aconteceu há pouco tempo, e peço que comentem.
- Remate à baliza;
- O GR defende;
- A bola vem a rolar para fora da área de baliza;
- O GR atira-se de pés e controla-a com os pés, cerca dos 4m;
- Assinalo falta;
- O GR responde:"Porquê? A área é minha!"

sexta-feira, 28 de maio de 2010

SIMULAÇÃO

Mais uma vez peço desculpa pela pouca actualização, mas estou numa fase de extremo aperto ao nível do tempo.
Deixo aqui este vídeo retirado da mina (youtube, claro...).
O que fazer neste caso?

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segunda-feira, 24 de maio de 2010

VÍDEO 12

Peço desculpa pela pouca actualização do blogue, tenho tido pouquíssimo tempo...
Enquanto não faço novo post, deixo este vídeo que tirei do youtube. Se alguém quiser analisar algum (dos muitos...) casos que acontecem, por favor diga.

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quarta-feira, 19 de maio de 2010

LARGURA DAS LINHAS - 2

As linhas do campo de andebol medem todas 5cm de largura, excepto a linha de baliza que mede 8cm, que corresponde à largura dos postes.
E esses 3cm vão para dentro do terreno de jogo... Vejamos a seguinte imagem:
Possivelmente não dá para ver bem, mas vejamos agora a baliza ampliada:


O excedente está dentro do terreno de jogo, com 3cm de poste, em consequência, a estarem dentro do terreno também.
Suporte pelo livro de regras:


DIRECTIVAS PARA TERRENOS DE JOGO E BALIZAS

a) (...) A largura das linhas de golo (entre os postes da baliza) é de 8 cm, tal como os postes da baliza. Todas as outras linhas têm uma largura de 5 cm. (...)

g) (...) A traseira dos postes de baliza devem estar em linha com a extremidade traseira da linha de baliza (e da linha de saída de baliza), o que significa que o lado dianteiro dos postes de baliza é colocado 3 cm na frente da linha de saída de baliza. (...)

Contudo, relembro que isto é apenas uma curiosidade, com pouca relevância para o desenrolar de um jogo.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

LARGURA DAS LINHAS - curiosidade...

Ainda com as balizas como base...
Isto é uma simples curiosidade, e só os muito atentos repararão nela sem ler na íntegra o livro de regras.
Alguém sabe dizer quanto mede a linha de saída de baliza? E a linha de baliza?
A linha de saída de baliza está entre cada poste e a linha lateral.
A linha de baliza é a linha entre postes.
Se não têm a mesma largura, em que direcção está o excedente?
Amanhã ou depois publico aqui a explicação... :)

quarta-feira, 12 de maio de 2010

GOLO VÁLIDO

Esta pode parecer básica (e é!), mas há quem não saiba...

Só existe golo se a bola passar na totalidade a linha de baliza, conforme mostra a seguinte figura:

A regra que o suporta é:

9:1 Um golo é válido quando a bola na sua totalidade ultrapassa a linha de baliza (...).