quarta-feira, 1 de setembro de 2010

NOVAS REGRAS 2010 - pivots

Começo por este tema, porque me parece ser aquele que vai ser mais crítico. Talvez o rigor nas sanções disciplinares possa ombrear com este tópico, mas só porque vai ser mais visível e, por isso, mais passível de gerar controvérsia nas equipas e na assistência.

Contudo, para nós árbitros, vai ser muito difícil (até porque já era!) manter um critério coerente nas situações aos 6m, porque as exigências são agora maiores.

A zona dos 6m é muito crítica no que toca ao espaço conquistado, que pode ser decisivo. Se um jogador de 1ª linha passa pelo seu defensor, pode sempre encontrar outro defensor que compense. Se um pivot ofensivo conquista espaço aos 6m, não há compensação possível. Isso origina uma luta muito intensa, o que provoca dificuldades acrescidas para as equipas de arbitragem.

Vou tentar estruturar a minha exposição de uma forma mais ou menos clara, e também muito concisa. Se não conseguir, a intenção ao menos é essa...

Dividamos as acções na zona do pivot em acções de:
  • Defesas
  • Pivot ofensivo

DEFESAS
Aos defesas é exigido que se limitem a defender CONTROLANDO, tal como antes. O que agora existe é mais rigor!
Deverão ser punidas com mais severidade as situações em que os defesas agarram os atacantes, inclusive quando a bola está LONGE do pivot.
Estará também sob a atenção dos árbitros a forma de efectuar o controlo defensivo, que deverá ser feito com braços flectidos, SEM EMPURRAR.
Não vamos ser utópicos e pensar que os defesas vão deixar de empurrar e/ou agarrar. Mas para tudo há um limite, e acima desse limite existirão punições. A questão é que esta época o limite baixou.

PIVOT OFENSIVO
Aqui podemos tentar separar duas situações, mas que se misturam um pouco, que são:

  • Conquista da posição aos 6m
  • Bloqueios

No que toca à conquista da posição aos 6m, é entendido que deve ser feita com a zona do tronco, não com os braços completamente abertos, por exemplo, o que provocará falta atacante, como mostra a imagem seguinte.
Não eram os "Gato Fedorento" que diziam que "o ar é de todos"? Pois, o espaço aos 6m no andebol também é, não é só dos jogadores de maior porte só porque sim.

Os bloqueios serão um alvo de especial atenção, porque são muitas vezes feitos de forma incorrecta. Muitas vezes, um timing errado no início do movimento provocará um bloqueio errado, e é-nos pedido que atentemos a isso.

Repare-se na foto que se segue. O pivot faz o bloqueio usando não só o corpo, como também braço e perna, o que obriga o defesa a contorná-lo. Este movimento ofensivo é considerado ILEGAL, e será motivo para inversão do sentido de jogo.

Mais uma vez refiro que isto já era falta atacante, mas uma revisão às leis de jogo ditou que este era um factor a rever.



Como me foi perguntado no post anterior, não me parece de todo que abrir um braço para agarrar a bola seja considerado falta atacante. A luta pela posse de bola faz parte do andebol, e se impedirmos um atleta de mexer os braços estamos a matar o jogo.
Agora, o que temos de analisar é se esse movimento do braço é mesmo para recolher a bola ou para impedir o adversário de defender correctamente.

Permito-me um comentário.
Dirigi hoje o meu primeiro jogo de pré-época. É certo que os primeiros minutos serviram para desenferrujar, mas senti algumas dificuldades ao início porque estava especialmente preocupado com as indicações para esta época. Com o decorrer do jogo, as coisas tornaram-se naturais, ainda que haja mais trabalho pela frente.
Agora a parte que mais interessa para este tópico... a maioria das sanções disciplinares do jogo teve origem em contactos nas zonas dos pivots. Receio que esse seja o facto mais saliente deste início de época, porque nenhum dos agentes do jogo (treinadores, jogadores e árbitros) está ainda devidamente adaptado a estas alterações. Nada que não se resolva com o tempo, mais rapidamente ainda se nos ensinarmos uns aos outros.

5 comentários:

Anónimo disse...

Sinto que vai ser muito dificil para mim atcar, já que naturalmente, fazia bloqueios. Sinceramnte, tenho que me informar melhor acerca disto, senão, estou bem tramado.
Obrigado, por todas as informções que colocas no blog.

Jorge Almeida disse...

Na parte dos defesas, o problema deriva de acontecer muita coisa em pouco espaço (e "no meio da molhada"), o que dificulta a tarefa de 4 olhos.

Para além disso, existe a natural tentação de seguir a trajectória da bola com os olhos.

Por tudo isto, não estou a ver, na prática, que vá haver mudanças substanciais, a não ser no agravamento das sanções disciplinares.

Quanto aos pivots ofensivos, acho bem que se marquem estas faltas. Não sei é se vão ser marcadas muitas faltas destas pois, apesar de (em grande parte) os bloqueios não serem feitos "no meio da molhada", são acções muito breves, que podem causar dúvidas em vez de certezas, e, na dúvida, beneficia-se o atacante (que, neste caso, é o possível agressor).

Carlos Capela disse...

Jorge, a tendência é seguir a bola, sim. Contudo, a correcta técnica de arbitragem diz que o árbitro de baliza deve seguir o pivot e a zona dos 6m, e não a bola.
É possível que surjam mais inversões de sentido de jogo. Seria interessante fazer-se esse tipo de estatística. Agora as molhadas serão sempre complicadas de ajuizar, até porque basta estarmos um bocadinho mais para um lado ou para o outro, para deixarmos de conseguir ver aquilo que toda a gente no pavilhão vê...

Quanto ao primeiro comentário, penso que o ideal será trabalhares MUITO com o teu treinador os teus bloqueios. Um bom pivot que faz bons bloqueios pode tornar-se uma peça decisiva em qualquer equipa! Valerá a pena o esforço... ;)

Aníbal disse...

O problema dos bloqueios é que acontece tudo na "luta": o pivot encosta, o defesa agarra, o pivot empurra, o defesa empurra, o pivot lá faz o bloqueio, o defesa agarra mais um bocado, o pivot dá um safanão mais forte pra fugir e ir buscar a bola. E como muitas vezes o árbitro só vê esta parte do fim que é quando a bola lá chega, sai uma falta atacante. Mas eu admito que são sempre lances muito difíceis de apitar :)

Carlos Capela disse...

Sim, são difíceis.
Mas temos de fazer co que deixe de acontecer "esse tudo" de que falas.
Pode ser que este ano seja um ano que não classificarei de "de viragem", mas de melhoria em relação a este aspecto.