sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

PASSIVO - o que fazer no ataque?

Perguntaram-me o que se deve fazer no ataque quando os árbitros levantam o braço, sinalizando iminência de jogo passivo. Para fazer esse esclarecimento, é preciso ler primeiro um excerto da regra 7:12.

7:12 Quando é reconhecida uma tentativa de jogo passivo, o sinal de advertência de jogo passivo é mostrado. Este sinal dá à equipa que tem a posse da bola a oportunidade para mudar o seu modo de atacar de modo a evitar a perda da posse. Se o modo de atacar não se alterar depois do sinal de advertência ter sido mostrado, ou não seja efectuado nenhum remate á baliza, então deverá ser marcado um lançamento livre contra a equipa que tem a posse da bola (ver Esclarecimento N.º 4).


Ou seja, após o levantar do braço, deve dar-se a oportunidade à equipa que está no ataque de organizar um ataque rápido. Existe a teoria que assim que se levanta o braço, deve haver um remate imediato, mas isso está errado. O que deve haver de imediato é mudança de atitude!



EXCERTO DO ESCLARECIMENTO Nº4:
Depois de se mostrar o sinal de aviso, os árbitros devem permitir uma fase de construção. Se após esta fase de construção do ataque continuar a não existir um aumento de velocidade e não se pode reconhecer nenhuma acção objectiva e clara de ataque, então os árbitros têm que concluir que a equipa em posse da bola é culpada de praticar jogo passivo.

14 comentários:

Jorge Almeida disse...

Sr. Engenheiro Carlos Capela,

no seguinte link, tem um artigo assinado por Christer Ahl, americano-sueco, que foi presidente da Comissão de Árbitros (Playing Rules and Competition Commission) da IHF até ao início deste ano.

http://teamhandballnews.com/news.php?item.960

O homem, desta vez, queixa-se duma certa falta de harmonia entre os componentes das duplas de arbitragem que estiveram no recente Europeu de Seniores Masculinos.

Carlos Capela disse...

Boa tarde, Jorge.

Assim que me for possível vou ler com atenção o artigo do qual me deixa o link e depois então poderei emitir uma opinião...

Muito obrigado.

Anónimo disse...

Olá
Como escrevi no sete metros, no jogo da Maia no dia de carnaval, nos últimos 2,35 minutos foram marcados dois passivos e uma falta atacante inexistentes, contra o Stª Joana, que quase dava empate ao jogo, porquê?
Cumprimentos

Carlos Capela disse...

Boa noite.
Eu li os comentários no Sete Metros.
Percebo que é afecto/a ao Santa Joana, mas admito que gostaria de saber com quem falo.
Essas infracções foram assinaladas porque não considerámos que fossem "inexistentes".
Genericamente, a minha opinião sobre o passivo é que não depende só do "tempo" que uma equipa passa no ataque, mas também da "atitude". Pode haver um passivo com poucos segundos de ataque se não houver atitude ofensiva.
Quanto à atacante, se estou bem recordado do lance, foi uma situação em que considerámos que a atleta do Santa Joana vai, de costas, contra uma atleta adversária.
Errei? Estou plenamente convencido que não, mas é possível. Só vendo os lances de outra perspectiva que não a que tive no momento.
Se considera negativos na minha actuação os últimos 2m35, isso quer dizer que estive bem nos outros 57m25, o que me deixa satisfeito.
Permita-me só deixar duas notas, que me parecem importantes.
Primeiro, gostaria de dizer que não tenho qualquer problema em discutir os lances dos meus jogos, mas em público não faz sentido. Prefiro falar de situações genéricas. Para situações específicas, o meu contacto está disponível, é público, e poderemos conversar sem qualquer problema.
Segundo, acerca da "teoria da conspiração" de favorecimento de A ou B de que se falou no Sete Metros... nada nem ninguém vale a minha honra. Tenho muitos amigos no Andebol, graças a Deus, mas dentro de campo trato todos por igual. Pensar em outras coisas é, no mínimo, absurdo. E foi a última vez que abordei este tema.

Aproveito para dar os parabéns a ambas as equipas pelo excelente espectáculo de andebol que proporcionaram.

Espero ter esclarecido as suas dúvidas, dentro do possível.

Cumprimentos.

Aníbal disse...

Caro Carlos, em relação ao jogo passivo concordo com esta interpretação, penso que há que dar tempo ao ataque e não obrigar a rematar logo, embora compreenda que por vezes é dificil para os arbitros fazê-lo, sobretudo quando a equipa que defende é a equipa da casa.
Já agora, uma dúvida que nos surgiu outro no dia no treino: se o guarda redes, dentro dos 6m, saltar para passar a bola e cair, ainda dentro da área, é passos? Eu reconheço que isto pode ser muito básico, mas não conseguimos chegar a nenhuma conclusão com certezas...

Carlos Capela disse...

Aníbal, o braço no ar a sinalizar jogo passivo quer dizer "Vocês estão a demorar muito, organizem-se rápido e rematem!", pelo que se deve permitir essa curta fase de organização...

Quanto à situação do guarda-redes... (sim, é básica, mas eu não digo a ninguém... ;) ). De forma alguma pode ser considerado passos. Aliás, nunca se pode marcar passos ao guarda-redes dentro da área. (Embora eu já tenha visto um árbitro fazer isso, numa das mais irreais experiências da minha vida... :) ).

Jorge Almeida disse...

1º) Anónimo 19 de Fevereiro de 2010 23:33,

permita-me saudá-lo pelo facto de ter colocado, aqui, a questão que tinha colocado no sete-metros.

Fui eu que o incentivei a isso. Acho que se deve procurar respostas para as duvidas que possam surgir.

Não vi o jogo em causa (como, aliás, tinha escrito nos comentários que fiz no sete-metros). Posso parecer ingénuo, mas acho que a maior parte dos erros (quer os de arbitragem, quer os dos praticantes) são cometidos inadvertidamente.

2º) Sr. Engenheiro Carlos Capela,

este fim de semana, fui ver ao vivo um jogo da PO09 (não o nomeio porque não quer) e verifiquei que jogadoras duma das equipas tinham, ao intervalo, brincos de orelha à mostra. Dava para ver da bancada, a uma distância de +/- 10 metros em linha recta.

O jogo em causa foi arbitrado (aliás, bem) por uma dupla de arbitras jovens, que podem apitar jogos da PO01, e que parece que estão indicadas pela FAP para os jovens árbitros da EHF (aliás, já foram alvo de reportagens de TV).

Não entenda esta referência à dupla como uma maneira de identificar a dupla em causa, mas sim como uma maneira de mencionar que estes erros acontecem mesmo com árbitros próximo da elite.

Isso não se passou com uma dupla de árbitros no seu 1º ano de arbitragem, mas sim com uma dupla já com alguma responsabilidade no panorama nacional.

Aníbal disse...

Eu também tinha ideia que não havia passos ao gr dentro dos 6m, mas não custa nada perguntar quando não se tem certezas... :) Já agora, se o gr demorar muito a repor a bola em jogo, qual a atitude correcta do árbitro? Também se aplicam os 3 segundos, certo?
(Quanto a momentos irreais, eu desde que vi este ano um jogador agredir outro e depois marcar golo e os árbitros darem-lhe o vermelho e mesmo assim validarem o golo...)

CRIS (Sta Isabel) disse...

Sr arbitro Carlos Capela

Mais árbitros como o sr e o andebol poderia ser um bonito espectáculo desportivo.
Deveríamos todos dar mais importância ao respeito merecido por esta modalidade e a todos os que nela preferiram apostar, talvez dessa forma fizéssemos parte de algo realmente relevante a nível europeu.
Como sabe faço parte do feminino, e aqui sim as lutas para nos mantermos à superfície são grandes e por vezes penosas, portanto gostava de lhe agradecer por ser das poucas pessoas, (que apesar de estar num nível muito superior ao que se vai encontrando nas personagens andebolisticas),que trata a modalidade que tanto gosto com a devida seriedade dignificando-a quer nos bons jogos quer nos maus, quer no masculino quer no feminino. Fossemos todos tão capazes de ver o andebol como o sr vê e poderíamos criar uma união forte e destemida contra as verdadeiras atrocidades que cometem a este desporto.Tanto se fala nos árbitros, em jogadoras e em clubes, mas não vejo ninguém a ter a preocupação em falar de FORMAÇÃO. essa sim devia ser o objectivo, porque novas ou velhas gerações vão perdendo valor quando deixamos de lhes incutir os verdadeiros conceitos de equipa, desporto, luta, sacrifício, justiça,fairplay, saber perder e querer ganhar.

Obrigado

Anónimo disse...

Olá
Sr.Jorge Almeida não me diga que acredita que existe o Pai Natal??
Cumprimentos para si e para o Sr.Carlos Capela.

Jorge Almeida disse...

CRIS (Sta Isabel),

não podia estar mais de acordo consigo.

Anónimo 22 de Fevereiro de 2010 21:45,

cumprimentos para si também, embora, com o anonimato, não consigo perceber quem seja.

Deixo-lhe uma sugestão, até porque, ao dirigir-se assim às restantes pessoas, deve ser boa pessoa: Faça como o amigo Aníbal, e deixe de lado o anonimato.

Quanto ao Pai Natal, se quiser saber, já não acredito nele há cerca de 25 anos.
Mas isso não quer dizer nada acerca da bondade de intenções dos árbitros no início de cada jogo.
Não ponho a mão no fogo por ninguém, mas acredito que a grande maioria dos árbitros, quando erram, erram sem intenção de prejudicar ninguém, os seus erros aparecem mais por falta de treinos de arbitragem, e falhas posicionais (na minha opinião).
Julgo os árbitros, bem como as outras pessoas, à minha imagem, como, aliás, não podia deixar de ser. Têm os seus problemas do dia-a-dia, que, às vezes, não conseguem deixar no balneário (como toda a gente, aliás).
A minha experiência arbitral é nenhuma. Para mim, bastou apitar jogos treinos entre 2 equipas de escalões diferentes do mesmo clube, ou até jogos 7x7 nos treinos da mesma equipa, para aperceber-me do quão difícil é avaliar as situações em micro-segundos, e ter de suportar as reacções de praticantes e treinadores. Agora, imagino eu o que seja em jogos oficiais, com futeboleiros a azucrinar a cabeça quase todo o jogo.

Carlos Capela disse...

Quanto aos brincos, esse é um problema típico dos jogos femininos. Há sempre o risco de escapar alguma coisa. Podemos até confiar que as jogadoras os protegem com adesivos, mas pode sempre haver um gancho esquecido no cabelo, por exemplo...

Quando o guarda-redes demora muito a colocar a bola em jogo, o árbitro deve apitar para o apressar, tal como nos outros lançamentos. Outras atitudes só podem ser tomadas após o apito.

Queria apenas deixar umas breves notas e um agradecimento.
As notas são para a relevância de 2 coisas que foram aqui referidas. O árbitro tem problemas pessoais que muitas vezes não consegue deixar no balneário, que aliados às consecutivas semanas de 7 dias sem descanso que tem, por vezes resultam numa má actuação. Não é fácil chegar ao Domingo e iniciar o 4º ou o 5º jogo do fim-de-semana com a mesma clareza do 1º jogo que se teve no sábado. Isto não é desculpa para erros básicos, mas o cansaço origina desconcentração e relaxamento. Origina erros.
Outra nota para aquilo que o Jorge Almeida referiu: a importância de ter experiência de arbitragem. Num treino, num jogo de amigos, qualquer coisa... quem tiver possibilidade deve experimentar para compreender um bocado do "lado de cá".

Por fim, uma nota de agradecimento à Cris pelas suas palavras. Fico feliz por sentir que a seriedade com que encaro a minha tarefa dentro do jogo se reflecte na minha maneira de ser e de encarar o andebol.
Esse comentário serviria quase para um post intitulado "SER ÁRBITRO", porque também os árbitros devem ter um código de conduta, que inclui, e cito, "os verdadeiros conceitos de equipa, desporto, luta, sacrifício, justiça, fairplay, saber perder e querer ganhar". Nós, árbitros, devemos conhecer o significado de todos estes conceitos e da importância que eles têm para as equipas. É aqui que entra outro conceito essencial que a Cris referiu: FORMAÇÃO. Se não investirmos na formação, não investimos no futuro. Se não investirmos no futuro, não investimos em nós mesmos.

Uma nota de rodapé. Este blogue é um pequeno contributo que dou à formação. E não sou só eu que a estou a dar. Também eu estou a receber...

Carlos Capela disse...

Vou deixar aqui a quase totalidade do seu comentário, Jorge.
Uma vez que não posso editá-lo no comentário original, copiei e colei para aqui, cortando apenas a parte final, em que identifica a dupla do caso que menciona.
E os motivos são óbvios...


COMENTÁRIO DE JORGE ALMEIDA:

1º) Isto das lembranças é como desenrolar um novel... 1º) Isto das lembranças é como desenrolar um novelo.

Lembrei-me há uns minutos que cheguei a apitar um jogo oficial de infantis, no regional do Porto, pois a dupla de árbitros não apareceu, e o jogo teve de ser arbitrado por mim e por um dirigente da outra equipa. Como não conhecia bem a pessoa em causa, e como o jogo era importante, achei importante dizer a essa pessoa, logo de entrada, e de modo a esclarecer as coisas, que podíamos arbitrar este jogo de 2 maneiras:

- ou apitavamos de acordo com o que cada uma veria em cada lance, e formávamos uma equipa;
- ou cada um apitava de acordo com o que desejava ter visto em cada jogada, e, assim, teríamos problemas.

Disse -lhe mais ainda: que ia começar o jogo a apitar de acordo com o que visse, mas se o visse a ele a ser mais adepto da equipa dele que árbitro neste jogo, também começaria a ser adepto da minha equipa.

A pessoa em causa compreendeu logo tudo, o jogo correu bem, já nem me lembro quem ganhou, mas ainda assim, mesmo sendo 2 a apitar, foi difícil, pois a equipa que se sentia prejudicada em algum lance apitado pelo árbitro da equipa adversária, imediatamente dirigia-se ao "seu" árbitro.

Felizmente que não quase nenhum publico no pavilhão, senão imagino o que teria sido ...

2º) Mete-me confusão ver treinadores mais preocupados com as falhas da dupla de arbitragem do que com as falhas que a sua equipa produz em campo.

Já vi alguns reagirem, no mesmo jogo, com imenso espalhafato, a uma falta corriqueira que a dupla de arbitragem não assinalou, e não reagir visivelmente quando jogadoras da sua equipa falhavam livres de 7 metros.

Mais parecem que são treinadores das duplas de arbitragem, tal é a preocupação.

No entanto, já vi árbitros a serem grosseiros para com os oficiais de equipa duma maneira desnecessária.
Como já escrevi aqui, já vi um dirigente a levar cartão vermelho directo somente por ter dito, alto e bom som, quando já estavam decorridos 50 minutos de jogo, "Foi 2 vezes pé!", sendo que tinha passado o jogo inteiro quieto e calado no banco. E quem lhe fez esta grosseria foi (CORTADO)

Jorge Almeida disse...

OK, peço desculpa por ter infringido as regras do blogue.