segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

RECOMENDAÇÕES AOS CROM

Antes de mais, convém esclarecer os leitores que seguem este blogue de fora de Portugal, o que é um CROM. Um CROM é um Clube Responsável pelos Oficiais de Mesa, o que quer dizer que, quando joga na condição de visitado, apresenta ele próprio os elementos que serão o secretário e o cronometrista do jogo.

Uma vez que normalmente essas pessoas não têm muita experiência, e que ela só vem com os jogos e com as indicações de pessoas mais velhas ou com mais tempo no andebol, é normal que surjam falhas. Ficam algumas dicas para eles:
  1. Não levantem o cartão amarelo sem perceber claramente quem foi o jogador advertido.
    Se levantarem, o árbitro vai ficar a pensar que a mesa percebeu, e podem surgir erros.

  2. Ao 3º amarelo, façam sinal ao árbitro (como vos apetecer, desde que seja percetível) desse facto.
    Se o árbitro tiver outra coisa apontada no seu papel, evitam-se erros.

  3. Quando houver uma paragem de tempo, mantenham-se atentos ao árbitro central, pois será ele a dar o apito para reiniciar o jogo.
    Assim, evitam-se situações desagradáveis em que é preciso acenar para a mesa.

  4. Quando houver uma exclusão, levantem 2 dedos no momento do reinício do jogo, para corresponder ao sinal do árbitro.
    Assim, se a mesa não se tiver apercebido anteriormente dessa exclusão, deteta-se o erro logo ali.

  5. Confiram com o árbitro as sanções anotadas no papel quando estes se aproximarem da mesa.
    É muito mais fácil corrigir lapsos nos tempos mortos do que ter de parar o jogo a meio.
Muitas destas coisas são feitas pelos oficiais de mesa da FAP, e isso ajuda (e de que maneira!) à boa condução de um jogo.
Podemos não ser profissionais, mas podemos ter profissionalismo no que fazemos... e isto aplica-se a todos nós!

12 comentários:

Pedro Almeida disse...

Ora bem! Como sempre, posts muito oportunos!

Existem ainda algumas pessoas designadas para estas funções que representam um desafio acrescido para as duplas de arbitragem, contudo penso que as coisas têm vindo a melhorar e que têm prestado um bom serviço ao Andebol.

Gostava de deixar apenas um conselho, a quem desempenha estas funções:

- Evitem usar roupa com os símbolos do clube (CROM);

Para muitos poderá não fazer sentido, mas para além de em minha opinião achar que é o mais ético, acreditem, evita muitos problemas!

Carlos Capela disse...

Sim, Pedro. Tens toda a razão.
Há sempre bocas e conflitos, que assim se evitam muito facilmente!

E também tens razão quando dizes que algumas pessoas que estão na mesa são um desafio para os árbitros. Desde distrações a enganos, passando por demoras excessivas e falta de conhecimento de regras.

Mas é verdade que as coisas têm melhorado imenso nos últimos tempos, e que progressivamente se têm atingido os objetivos iniciais.

Observador disse...

Carlos
Sou manifestamente contra o sistema CROM, exactamente pelos motivos que indicou.
A falta de experiência desses oficiais de mesa é extremamente perigosa, da forma como está a ser processada.
Até porque há clubes que actuam na 2ª divisão e aderiram a esse sistema.
Recordo-me do Ginásio Clube do Sul Cova da Piedade) e do Torrense (Torre da Marinha).

Seria preferível, creio, fazer acompanhar um elemento de um clube por outro oficial de mesa indicado pela Federação.

Ainda assim, os conselhos deixados por si, neste "post", são úteis. Muito úteis.

Um abraço

Carlos Capela disse...

Eu não vou opinar sobre políticas da FAP, até porque não é essa a minha função. Aproveito apenas o meu espaço na net para melhorar, sempre que possível e sem falsas modéstias, o decorrer de um jogo de andebol.

Contudo, acho que os CROM podem ser muito úteis ao equilíbrio financeiro de um clube, e que ao nível da logística de deslocações e recursos humanos podem facilitar imenso no momento das nomeações.

O que eu sempre achei é que, em jogos decisivos, em que um resultado pode influenciar subidas, descidas ou apuramentos, por exemplo, nada como apostar num oficial de mesa nomeado pela Federação.
E isto apenas por uma questão preventiva, nunca por desconfiar da seriedade das pessoas! É quase como a condução defensiva... sabemos que se viermos pela direita temos prioridade, mas se nos prevenirmos e abrandarmos num cruzamento evitamos problemas. :)

Este, como qualquer outro sistema, tem prós e contras. Não há soluções perfeitas.
Uma vez que está implementado, resta-nos melhorá-lo o mais possível, esperando que da parte dos próprios CROM haja abertura para isso.

Observador disse...

Carlos
Perdoará mas eu desconfio mesmo de algumas pessoas.
Já vi um jogo em que a "mesa" era constituída com base no sistema CROM (dois oficiais do clube visitado) e que prejudicaram claramente o clube visitante.
E, sabe tão bem como eu, que é fácil fazer essas malandrices.

Continue o seu magnífico trabalho em prol da modalidade e da arbitragem.

Um abraço

Carlos Capela disse...

Como eu disse, há sempre prós e contras.
Claro que há pessoas menos sérias, mas isso acontece em todas as áreas da sociedade, não só no andebol. Mas também tenho tido o privilégio de conviver com vários oficiais de mesa nomeados pelos clubes que têm uma qualidade bastante elevada.
Ao contrário do que pode parecer, o desempenho dos oficiais de mesa influenciam (e muito!) a qualidade de uma arbitragem.

Um grande abraço, amigo!

Jorge Almeida disse...

Sr. Eng., parabéns pela iniciativa deste autêntico guia.

Já fui director (agora creio que se diz "oficial de equipa"), e já me calhou fazer de "oficial de mesa" algumas vezes. Da leitura destes 5 pontos, e das minhas recordações dessas experiências, fiquei com as seguintes dúvidas relativamente aos pontos 1 e 2 da sua lista:

Que sinal é que sugere que se faça da mesa para a dupla de arbitragem para que os Srs. Árbitros se apercebam da dúvida?

Será legítimo interromper a contagem de tempo de jogo para esclarecer esta dúvida?

Não deveriam os Srs. Árbitros ter a preocupação de isolar o jogador em causa, para toda a gente (inclusive o companheiro de dupla) perceber quem está a ser admoestado? É que, muitas vezes, especialmente quando é o árbitro de baliza a admoestar com cartão amarelo o defesa central numa defesa 6:0, não tem havido essa preocupação (é o que me parece da bancada). Se o árbitro vai estar à espera que o jogador levante o braço, este pode não o levantar, ou seja outro jogador a levantar o braço primeiro sem intenção de criar confusão ...

Carlos Capela disse...

Obrigado, Jorge.

Cada oficial de mesa e/ou árbitro pode ter uma maneira diferente de agir.

Sugiro que haja a preocupação do oficial de mesa em dizer ao árbitro, no início do jogo, que só levanta o cartão amarelo se perceber quem foi o jogador admoestado. Ao não ver o cartão amarelo levantado quando ocorrer essa sanção, o árbitro vai perceber que algo não está bem...

Em alternativa, sugiro que o oficial de mesa segure o cartão, mas visivelmente em baixo, para que o árbitro perceba, através dessa linguagem gestual, que a sua indicação não foi clara. Como se fosse um "ok, sei que houve um amarelo... mas foi a quem?".

No caso do 3º amarelo, porque não fazer um gesto subtil com 3 dedos, na altura do levantamento desse cartão na mesa? Ou um gesto subtil com a mão, indicando um "acabaram os amarelos".

Repare que insisto na subtileza do gesto, uma vez que esta é uma comunicação interna dentro da equipa de arbitragem (onde incluo o oficial de mesa).

Mas isso não invalida a necessidade de o árbitro ser claro ao apontar o jogador responsável. Como confirmação, o árbitro pode passar junto à mesa, num lançamento de saída, e dizer, sem necessidade de parar "amarelo ao 4" ou "foi ao 6", qualquer coisa que permita minimizar o risco de erro...

Jorge Almeida disse...

Sr. Eng., obrigado pela resposta.

Não sei se já é feito assim, mas não sei se não convinha que, nas acções de formação de Oficiais de Mesa, inclui-se uma sessão prática com dupla de árbitros designada pelo Conselho de Arbitragem da FAP e alguma equipa de juniores ... Precisamente para "afinar" estes "pormenores" ...

Carlos Capela disse...

Não me parece que as formações dos oficiais de mesa incluam isso no programa, até porque seria difícil a logística de meter tanta gente num pavilhão, num jogo.
Acho, isso sim, que se podiam incluir alguns conselhos práticos nessas formações. Quando peço a alguns oficiais de mesa que, por exemplo, levantem 2 dedos quando houver uma exclusão, para a confirmar, alguns ficam muito espantados porque nunca lhes pediram isso...
Há coisas muito simples quem permitem otimizar o entendimento e a comunicação num jogo.

Ricardo Pinto disse...

Caro Carlos Capela,

Esta época desempenhei as funções de oficial de mesa (CROM) em 55 jogos do meu clube.
Num dos últimos jogos ocorreu algo que nunca me tinha acontecido, que passo a descrever:
Num jogo de séniores masculinos, PO02, uma equipa efectuou 2 substituições irregulares em 2 momentos diferentes do jogo (uma cerca de 2 metros fora da área própria para o efeito e outra com a entrada em campo de um 8º elemento, antecipando em cerca de 10 metros a saída do seu colega de equipa).
As 2 situações foram informadas à dupla de arbitragem no momento exacto em que aconteceram, com paragem do tempo de jogo.
A resposta que tive da dupla de arbitragem foi de que iriam estar mais atentos!
Escusado será dizer que estas 2 substituições irregulares foram feitas pela equipa visitante.
Posto isto queria colocar-lhe as seguintes questões:
1º Os oficiais de mesa CROM devem ou não interromper o jogo para informar estes acontecimentos à dupla de arbitragem?
2º Qual a atitude da dupla de arbitragem quando tal acontece?

Pior de tudo foi um dos elementos da equipa de arbitragem colocar em causa a seriedade dos oficiais de mesa, por acharem que estaríamos a agir de má fé.
Convém ainda esclarecer que o jogo já não teria consequências NENHUMAS em termos classificativos à equipa visitada, e apenas numa situação matematicamente muito remota à equipa visitante.

No final do jogo, um dos elementos da dupla de arbitragem "nem quis conversa" enquanto o outro teve a humildade de dizer que erraram, que eu tinha razão, mas que o jogo já estava suficientemente "quente" e que se agissem em conformidade poderia piorar.

Aproveito para desafiar qualquer árbitro (incluindo a si) com quem tenha "trabalhado" durante a época a apontar-me qualquer acto de má fé no desempenho das funções de oficial de mesa.

Gostaria de saber a sua opinião sobre o assunto.

Ricardo Pinto - CIPA 69417
Ginásio Clube de Santo Tirso

Carlos Capela disse...

Boa noite, Ricardo.

Primeiro, o meu comentário à situação que descreve.
É evidente que a sua atuação não merece reparos. Fez o seu trabalho de estar atento às infrações que pudessem surgir na zona de substituições e de informar a dupla de arbitragem.
Por isso, e respondendo à sua primeira pergunta, sim, os oficiais de mesa devem interromper o jogo para informar os árbitros.

Quando assim acontece, penso que os árbitros (e respondo à 2ª pergunta) devem aceitar as indicações dos oficiais de mesa e atuar em conformidade com a regra.
Se os árbitros o fazem com os oficiais de mesa nomeados pela FAP, também têm de o fazer com os CROM.

O que se passa com os CROM, é que alguns não conseguem despir a camisola. Conheço vários casos de intervenções inoportunas dos CROM que favorecem invariavelmente as equipas da casa. Atenção que não me estou a referir a ninguém em particular e muito menos a si, que é alguém a quem não tenho o que quer que seja a apontar! Estou apenas a referir que isso acontece...

Mas talvez por isso os árbitros (não faço ideia de quem tenha sido) tenham sido renitentes em atuar, excluíndo os jogadores em causa. Não os estou a desculpar, estou a apresentar o possível ponto de vista deles.

É certo que quando os jogos estão quentes, este tipo de intervenções propicia o descontrolo emocional de quem sofre com elas, mas são medidas para serem tomadas.

E com isto já apresentei a minha opinião.
O Ricardo tem razão, embora eu perceba os motivos que levaram os árbitros a (não) decidir assim.

É por estas e por outras que defendo a nomeação de oficiais de mesa da FAP para jogos de seniores, independentemente da divisão, permitindo aos clubes ser CROM nos jogos de camadas jovens (e mesmo assim, às vezes é o que é...). Na pior das hipóteses seria nomeado um oficial de mesa de cada equipa.
Isto não é desconfiar da seriedade de quem desempenha essa função, é apenas eliminar um possível foco de problemas ao longo do jogo.

Por isso, continue a desempenhar (bem) as suas funções como desempenhou nesse jogo, que é isso que lhe é pedido. Não altere a sua forma de estar.