terça-feira, 4 de outubro de 2011

ÉPOCA 2011/2012 - Jogo Passivo

As orientações para este ano não são propriamente "regras novas", mas pedidos de mais rigor e cuidado na aplicação de indicações existentes de outros anos.

No que toca ao jogo passivo, o que se pede é que não permitamos às equipas uma demora tão acentuada na reposição da bola em jogo, nas situações em que existe uma vantagem para a equipa então em posse de bola, em não o fazer a um "ritmo normal".

Existem 3 casos "principais":
  1. Lançamento de saída;
  2. Lançamento livre;
  3. Ataque organizado.
LANÇAMENTO DE SAÍDA
Nestes casos, os árbitros deverão solicitar à equipa que acelerem o processo de reposição da bola em jogo.
Se a equipa acatar a indicação, então o árbitro não volta a intervir. Se não for esse o caso, então deverá ser levantado o braço assinalando jogo passivo, numa ocasião futura.
Claro que não deverá haver qualquer aviso se a demora for muito acentuada. Casos há em que não será de excluir a hipótese de uma sanção disciplinar por demora excessiva.

LANÇAMENTO LIVRE
O procedimento é absolutamente igual do que o do ponto anterior.
Quando a mudança de ritmo (para mais lento...) é muito clara, esse é um sinal indicador de que a equipa poderá estar a incorrer em jogo passivo, e o árbitro poderá aí atuar.

ATAQUE ORGANIZADO
Aqui é preciso ver 3 casos específicos:
  • Defesa superioriza-se constantemente ao ataque
    Não se pode deixar de "premiar" a boa defesa, competente, que impede o ataque de criar situações de golo. Como tal, não se pode estar constantemente a "dar oportunidades" ao ataque. Quando é claro que ao longo de um ataque a defesa está sempre por cima, fazendo com que o ataque se prolongue, deve-se assinalar jogo passivo.
  • Ataque joga com o cronómetro
    Caso típico: a equipa ganha por um e falta pouco tempo... Aqui, os árbitros terão de analisar a atitude ofensiva da equipa atacante. Girar a bola aos 12 metros não é atacar! Exige-se uma enorme capacidade de leitura de jogo por parte dos árbitros, até porque nestes casos, a equipa defensora tem tendência a pedir passivo por qualquer coisa... Contudo, se a atitude ofensiva não existir, deve-se assinalar jogo passivo.
  • Ataque para para substituições defesa/ataque
    Acontece com frequência nas equipas com jogadores especialistas na defesa ou no ataque. Sim, devemos permitir as trocas com a frequência desejada pelos treinadores, mas não devemos permitir que o ritmo de jogo e o espetáculo sofram com isso. Um "abrandamento" ainda é compreensível. O driblar a bola PARADO ou PARA TRÁS, para dar tempo à substituição é antijogo e deve ser punido com jogo passivo.
Espero ter ajudado a esclarecer as indicações relativas a este ponto.

9 comentários:

Pedro Almeida disse...

Olá Carlos,

Antes de mais peço desculpa pela longa inactividade, mas tenho sempre lido os teus excelentes posts.

Em vesperas de competições a eliminar este post vem mesmo a calhar para refrescar e essencialmente por não se focar exclusivamente na manobra atacante como lamentávelmente a maioria da literatura o faz.

Por experiência já tive um jogo em que uma equipa, demasiadas vezes ao longo do jogo (ao ponto de o seu treinador considerar ridículo) demorou a fazer a reposição de bola em jogo, queria colocar-te uma qestão:

Sendo que na situação que referi não pode haver lugar à normal inversão de sentido até que a equipa faça a reposição da bola em jogo, o que cria ai um grande espaço de manobra para a equipa em jogo passivo, pelas tuas palavras entendi que se necessário for não é de excluir a sanção disciplinar. Nesse caso imaginemos que o guarda redes mostra intenção de colocar a bola ao centro com rapidez (possivelmente ate atirando-a para lá pelo chão) mas todos os jogadores de campo se alienam completamente da bola. A quem dás a sanção disciplinar?

Pode parecer um bocado extrema a situação, mas infelizmente já me aconteceu.

O que fiz na altura foi o seguinte:

"Paragem do tempo de jogo e sanção progessiva (exclusão de 2min) ao jogador colocado mais próximo do centro e da bola"

O que dizes?

Carlos Capela disse...

Pedro, também não sou exemplo no que toca a inatividade... tenho tido uma vida bem lixada (mas lixada com F...) nos últimos meses, e o blogue tem-se ressentido imenso com isso...

Falando de andebol...
O jogo passivo é, e será sempre um foco de grande controvérsia. Nenhuma decisão dos árbitros será consensual quando está em causa está o resultado de um jogo.

No caso que referes, pessoalmente acho excelente a tua decisão. Percebeste perfeitamente as minhas palavras.
Uma coisa é o GR atirar um balão para o outro lado e ser o claro responsável. Outra é ele permitir a normal reposição da bola em jogo e ter um colega a fugir da bola.

No jogo que referes, deduzo que já tivesse havido outras situações do género e fizeste bem aplicar a exclusão. Se fosse a primeira vez (exceto nos momentos finais...), um aviso verbal (e claro, para TODA A GENTE perceber) seria uma ótima solução.

Permite-me só uma correção, por favor, num aspeto do teu comentário que me deu uma ideia para um post no futuro.
Atribuir uma exclusão de 2min neste caso não é "sanção progressiva", porque este é um tipo de situação que obriga a uma exclusão imediata. Não podes mostrar um amarelo por isto, percebes? É o mesmo caso do jogador que não pousa a bola no chão quando o árbitro lhe marca passos... Nem que seja no primeiro ataque, tens de lhe dar 2min! Esquece o amarelo nestas situações!

"Progressividade" é um gajo agarrar um adversário e ver amarelo, e a seguir ele ou um colega voltar a fazer o mesmo e ser excluído...

Não me leves a mal esta nota, por favor! :)

Pedro Almeida disse...

Ora essa.

Tens toda a razão! Foi lapso meu.

Já não me recordo se 'coincidiu' com a exclusão progressiva na altura, mas o critério que usei na altura foi precisamente o de atraso deliberado do jogo, tal como no exemplo que deste, que dá direito a exclusão.

Por lapso meu é que expus a coisa dessa maneira.

Mas bom reparo :P

E sim, infelizmente isto aconteceu demasiadas vezes no jogo em questão, ao ponto do treinador da equipa me ter dito no fim que achou ridicula a atitude dos seus jogadores. Aliás o jogador excluido não voltou a entrar por opção técnica. Só que até eu ter de tomar essa decisão foram sem exagero umas 7 ou 8 situações consecutivas de completa lentidão. Se formos a pôr no mínimo 20/30 segundos para cada...é fazer as contas.

Obrigado e bons jogos!

Carlos Capela disse...

É isto que se pretende combater com este pedido/exigência por parte da FAP. Não podem acontecer 7 ou 8 situações deste género, pelo que as sanções técnica e/ou disciplinar têm de sair mais cedo. :)

Já agora, se o treinador tomou essa atitude, é de louvar. Muitos iriam bater palmas ao atleta e lixar-te a cabeça a ti... ;)

Obrigado eu!
Um abraço e bons jogos.

Jorge Almeida disse...

Sr. Eng.,

quando escreveu isso de premiar a defesa que sucessivamente impede o ataque de concretizar, espero que não se esteja a referir às defesas que recorrem sistematicamente a faltas para travar o ataque. Para mim, isso não é defender bem.

Numa situação dessas, a culpa do ataque se eternizar é da defesa que recorre a meios anti-regulamentares, pelo que deveria haver atenção da dupla de arbitragem para sancionar a defesa com algo mais que a falta caso esta seja repetitiva, e mesmo que sejam diferentes jogadores da defesa a fazer faltas tipo "à vez".

Observador disse...

Já se disse tudo sobre a sanção progressiva.
É bom que, apesar disso, se continue a esclarecer, repetindo, porque esta é uma das situações disciplinares mais controversa.

Já agora, parabéns ao treinador (oficial A, certo?) que tomou a posição indicada aqui pelo Pedro Almeida.
Todos procedessem assim.

Um abraço, Carlos.

Carlos Capela disse...

Reciclar conhecimentos através da repetição é sempre uma ótima forma de os ir consolidando, mesmo para as pessoas que julgam que não precisam! É por isso que é importante bater muitas vezes na mesma tecla...

Quanto ao "premiar da defesa", evidentemente que não me refiro ao permanente recurso à falta. Refiro-me à "boa defesa", àquela que utiliza meios legais com frequência para ser bem sucedida!
Se assim não for, os árbitros devem intervir disciplinarmente, claro.

Jorge Almeida disse...

Sr. Eng., ainda ontem vi uma situação em que acho que as regras poderiam ser melhoradas.

Trata-se de considerar 2 passos com a bola na mão dados pelo atacante caso este escorregue.

Sei que a regra está como está, mas não acha que seria melhor para o jogo que as regras ignorassem a escorregadela? É que, bem vistas as coisas, a última pessoa a querer escorregar é o próprio atacante, até porque corre o sério risco de lesão. É que isso pode ocorrer a um defesa, ou até a um arbitro ... Parece-me que deveria haver paragem da contagem de tempo de jogo para limpeza do piso, mas que a bola deveria seguir na posse do mesmo jogador, ou, na sua impossibilidade, na sua equipa, mas a recomeçar com a contagem de passos onde tinha ficado.

Carlos Capela disse...

Essa questão, para mim, é resolvida de outra forma.
Se a escorregadela é "curta", provocada pela humidade ou sujidade do piso, não marco passos.
Se o atacante ganha muito terreno ao escorregar, tirando daí uma vantagem séria, então assinalo passos.
Um escorregão pequeno não deve ser considerado passos, na minha opinião, porque ainda não instalaram ABS nas sapatilhas... ;)