segunda-feira, 27 de outubro de 2008

NOVAS TECNOLOGIAS

Como disse no início, este espaço é dedicado ao andebol, mas outras modalidades podem ter aqui o seu cantinho.
O que me leva a escrever hoje diz respeito ao Desporto em geral.

Em conversa com amigos, acerca da introdução das novas tecnologias no desporto, constatei que a maioria deles se revela a favor. Eu fui o mais intenso adepto contra essa possibilidade, talvez por ser o único com experiência de arbitragem.
Entre os argumentos deles estavam "a verdade desportiva", a possibilidade "de corrigir erros", etc., mas nenhum deles pensou no quanto isso iria dificultar a tarefa do árbitro. Se o recurso ao vídeo fosse possível, em vez de protegidos, os árbitros tornar-se-iam um alvo muito mais frágil. E digo isto porque qualquer decisão que o árbitro tome ao ver o vídeo pode ser entendido de muitas formas pela equipa que perde a decisão.

Peguemos no seguinte exemplo: o penalty que o Hulk sofre contra o Leixões. Após ver dezenas de repetições, o meu grupo de amigos divide-se nos que dizem que "nunca na vida aquilo foi penalty", nos que dizem "que é escândaloso" e eu, que digo que não me parece mas aceito a decisão.
Imaginemos que o José Mota pede ao árbitro para ver o vídeo durante o jogo. Qualquer decisão que o árbitro tome aí pode ser interpretada de várias formas, dependendo de quem perde a disputa da decisão. Do "Muito bem, Sr. Árbitro" ao "o gajo viu e não marcou porque não quis" a distância é muito curta...

A única coisa de que sou totalmente a favor é a introdução de chips na bola, para se detectarem melhor as bolas que realmente entram...

O erro faz parte do Desporto. Dos atletas aos árbitros, quem mais sucesso tem é quem melhor trabalha a superação do erro.

E agora o meu lado adepto a falar... Qual é a graça de nos roubarem as discussões à 2ª feira?

5 comentários:

José Alberto disse...

Caro Carlos Capela,

Esta questão das novas tecnologias ao serviço do desporto é bastante interessante e foi até tema de um programa “Prós e Contras”.

Se consideramos que a verdade desportiva está acima de tudo, então o erro humano (do árbitro) nunca poderá fazer parte do jogo.

Combater a corrupção e defender essa verdade desportiva é um factor de interesse público e as novas tecnologias são sem dúvida uma arma valiosa nesse combate.
Na minha opinião os argumentos utilizados para que não se siga nessa direcção, são na sua maioria falaciosos.
Noutras modalidades desportivas (bastante mais avançadas nesta temática - Rugby, Voleibol, Volei de Praia, Ténis, Basquete etc.) em que o recurso aos sensores, microchips, ou imagens televisivas são utilizados, nunca o príncipio da soberania do arbitro deixou de ser respeitada.
No ténis temos o “hawk-eye”,no hóquei da NHL e no futebol americano da NFL temos as “pausas técnicas”, etc,etc, etc.

Por reconhecer a imensa responsabilidade do árbitro em garantir a verdade desportiva, não me chocaria que no limite o árbitro do futuro estivesse equipado com um uniforme biónico que lhe permitisse não errar nas suas decisões…

….ou então, deixa-me provocar-te, porque não simplesmente deixar de existir a figura humana do árbitro. Não é verdade que as melhores arbitragens acontecem quando não damos pela presença dos árbitros?...lol

Um abraço
José Alberto
Salvaterra Magos

Carlos Capela disse...

Olá, José Alberto.
Começo a minha resposta precisamente pela tua "provocação"... :)
Realmente, tudo aponta para que a figura humana do árbitro deixe de existir, até porque de nós as pessoas esperam tudo menos que sejamos humanos.
Se um jogador falha dois passes ou dois remates seguidos, a maior parte das pessoas diz que "coitado, está num dia não" ou "teve azar". Se um árbitro tem dois erros consecutivos contra a mesma equipa, "está a fazer de propósito". E esta última citação veio de uma pessoa muito próxima de mim que considera que os árbitros têm de ver tudo.
Nós somos tão humanos (passíveis de errar) quanto os outros intervenientes do jogo.

Acredito que haja árbitros corruptos, como há corrupção em literalmente todas as actividades hoje em dia, mas a percentagem de árbitros tão indignos de serem assim chamados é tão pequena que não me parece que esse seja um argumento válido na questão das tecnologias.

Quanto à verdade desportiva concordo. Esse é o cerne da questão. Sensores e chips que detectem se a bola passa a linha de golo ou lateral, por exemplo, aceito perfeitamente. Mas tenho muitas dificuldades em aceitar outras "invasões tecnológicas", porque estaríamos a retirar toda a humanização do Desporto.

E mantenho o exemplo que dei no meu post. No caso do penalty do Hulk, nenhuma decisão que o árbitro tomasse após consulta do vídeo iria ser unânime, e poderia ser muito mal interpretada pela parte que saísse "prejudicada" por essa decisão. O vídeo complicaria o trabalho do árbitro para o resto do jogo...

Um abraço.

Anónimo disse...

É uma discussão muito interessante que nos leva a ter pano para mangas, porque podemos ter varias ideias e analises de lances que ocorrem durante o jogo. Em concreto no andebol, existe algo que não consigo entender...o que leva uma dupla de arbitros a ter criterios diferentes nos jogos que apita, não estou a falar no mesmo jogo, mas em jogos diferentes, dou exemplo: uma dupla de arbitros que apita as 12 horas e marca passivo passado 20 segundos e depois apita as 17 horas e nem passivos marca apesar das situações serem identicas, outro exemplo: as 12 horas da 2 min. a um dirigente porque diz não pode ser e depois as 17 horas outro elemento do banco diz que esta m....vão para o c.... e leva amarelo...???? qual é o criterio????? secalhar as maquinas são melhores não vem caras nem clubes, mas sim lances de jogo...lol e disto a muito, mesmo muito...abraço e parabens pela coragem, coragem que eu não tenho de identificar, peço desculpa mas sei no meio onde ando. :(

Carlos Capela disse...

Essa questão dos critérios não está directamente relacionada com a introdução das tecnologias no Desporto, mas entendo perfeitamente onde quer chegar.
Entendo que em situações de jogo se possa ter um critério diferente de jogo para jogo, se o escalão em causa for também ele diferente, mas se não se importar, prefiro falar um pouco mais disso num próximo post... pode ser? :)
Um abraço e obrigado.

Anónimo disse...

Gostava de deixa perguntas. Quantos arbitros ha que perguntam se os jogos que vão apitar vão ser filmados? E se perguntam quantos arbitros há que pedem o DVD do jogo para a sua analise?
Quantos arbitros ha que filmem o seu desempenho para analise evolutiva do mesmo? Eu nunca tive essa experiencia, secalhar a utilização das novas tecnologias começa por ai. Tive varios treinadores que diziam: -Epá vou começar a gravar os jogos e os treinos para aperceberes dos erros que estas a cometer, parece que nem acreditas no que eu digo.lol Os arbitros nas reunioes analizam o que? Observaçoes no papel??
Que utensilios tem para melhorarem o desempenho semanal?
Acho que fico por aqui com as perguntas, desculpe Sr. Arbitro